#ForaTemer: Tai os "40,50 ou cem manifestantes" (Foto de Marlene Bergamo)

#ForaTemer: Tai os “40,50 ou cem manifestantes” (Foto de Marlene Bergamo)

“A licenciosidade é tirania da própria natureza, que bastantes tronos felizes já deixou vazios antes do tempo e ocasionou a queda de muitos reis”. (Macbeth – Shakespeare)

Depois de um Golpe de Estado, bem dado, sem resistência suficiente para balançar os golpistas, vem a tentação de permanecer por mais tempo no poder e não arriscar a volta dos que recentemente saíram. Há, porém, um desejo maior, superar a esperteza alheia e dar um “Golpe dentro do Golpe”, sendo essa a narrativa que se impõe a olhos nus.

Será que prazo de validade de Temer é tempo para que se possa fazer uma eleição indireta no congresso? Ou seja 1/1/2017. Depois disso nada o prenderá ao cargo, ele sabe disso, a natureza ilegítima de seu mandato e que não lhe garante força alguma, verá a si mesmo, assim como Lady Macbeth, com suas mãos manchadas de sangue inocente.

A pauta-bomba e ostensiva do governo aventureiro:

  • Quebra da CLT e dos Direitos trabalhistas já aviltados, como a proibição de saques do FGTS, ou seguro-desemprego, sem conceder auxílio doença ou pensão por morte à víuvas;
  • Fim do monopólio do Pré-Sal, a maior riqueza nacional, com o fim dos lucros para Saúde e Educação;
  • Corte de gastos em Saúde, redução do SUS, com privatização dos atendimentos via planos de saúdes privados.
  • Redução do orçamento da Educação, com corte nas Universidades e Institutos Federais, fim do Ciência sem Fronteiras, FIES, Pronatec e Prouni.
  • Programa de Privatizações que pode atingir Petrobrás, BB e CEF;
  • Fim do Mercosul;
  • Saída dos BRICS;

Longe de representar força, pode ser uma forma de desorganização maior do Estado e criar mais confusão política, pois o governo golpista conta com a desarticulação popular, com a queda do PT, em especial e da fragilidade da esquerda em geral.

Porém, o estrago causado, não garante estabilidade ao governo, ao contrário, dará combustível por sua substituição, ainda que indiretamente. E, sua queda, poderá ser vista quase como “alívio”, já no começo de 2017. Uma certeza que se cristaliza, é de que esse o governo não se sustentará. Então jogará no desgaste calculado.

Obviamente que a mídia não nos será favorável jamais, mas também trabalha com o cronograma de queda. O que nos resta é buscar saber quem dará o próximo golpe. Quem será o beneficiário dele?

Particularmente aposto que o judiciário será o patrono e líder do Estado de Exceção, com a nova presidência do STF, as possíveis mudanças na sua composição, a sanha moralista do “combate à corrupção”, será mais uma vez usada para como ponta-de-lança do novo golpe?

Caberá a nós, esquerda militante, dos coletivos, do ativismo digital, das frentes e movimentos sociais, a resistência hoje e após o outro provável Golpe. Nada garante que teremos eleições livres em 2018, ou de que os partidos de esquerda possam concorrer. Pelo que percebo, caso se confirme um “novo” governo por via indireta, o calendário eleitoral não será o mesmo, muito menos as candidaturas presumidas.

Por enquanto é uma especulação, mas diante das grandes mobilizações de ontem, dificilmente não teremos reações imediatas, o vento pode mudar de lado, o que tornaria insustentável, também por isso, o governo golpista.

Como sempre, só nos resta lutar e lutar.