"F...deu ruim no STF", e agora?

“F…deu ruim no STF”, e agora?

“Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!” ( Versos Íntimos – Augusto dos Anjos)

Em 1990, Saddam Hussein tinha levado o Iraque à bancarrota, a longa guerra contra o Irã, a mando dos EUA, levou o país à miséria. Saddam resolveu invadir o Kuwait, ao sul do Iraque e com amplos campos intocados de petróleo. A ação foi rápida e eficaz, porém seu antigo aliado, os EUA, julgaram não precisar mais dele, resolveram retomar o Kuwait e impor limites a Saddam.

Dez anos depois com mais fúria, devido às torres gêmeas, os EUA, resolveram destronar e caçar Saddam, o resultado é um caos e um atoleiro de 15 anos, Sensação similar ao que aconteceu na Líbia, com a queda de Gaddafi, um país destroçado e sem poder. Saddam ou Gaddafi já não eram mais necessários.

Assistimos, aqui no Brasil, recentemente, uma ação de força espetacular no seu Parlamento poucas vezes vista. O Deputado Eduardo Cunha, velha raposa da época do Collor, com longa experiência parlamentar, formou uma enorme bancada de interesses mesquinhos, a antes dispersa base, conhecida como “baixo clero”, ou no passado como centrão, encontrou seu General. Elegeu-se no primeiro turno com 267 votos, contando com apoio da oposição derrotada nas urnas.

Cunha impôs duras derrotas à Constituição Federal, como demonstramos várias vezes ano passado, em votações de Emendas Constitucionais, Cunha fez votar duas vezes a matéria, como dissemos a “Constituição Federal expressa, de forma cristalina, que as emendas constitucionais NÃO podem ser reapresentadas na mesma sessão legislativa, quando rejeitadas. Por duas vezes, Eduardo Cunha fez votar as mesmas matérias, numa clara afronta ao que impõe a Constituição”. (Eduardo Cunha Rasgou a Constituição Federal).

Dissemos mais, no mesmo artigo de julho de 2015, que “tememos que isso seja apenas o começo de uma jornada de ataques à democracia, ao insistir numa inconstitucionalidade atrás da outra, Cunha, apenas fez, até agora, um “teste de fadiga”, como nada aconteceu, ele irá em frente. Imaginemos num futuro breve um pedido de impeachment, ou de abreviar mandatos, Cunha poderá usar esse know-how para impor uma vontade que não seja real”. 

O desenrolar da conjuntura foi piorando, as constantes mentiras de Cunha o levaram ao conselho de ética, como o PT não o apoiou, sua vingança foi trabalhar diuturnamente pelo impeachment, qualquer um pedido que aparecesse com ou sem fundamento legal. Mesmo denunciado ao STF, Cunha conduziu o processo e impingiu uma acachapante derrota ao governo. O STF demorou quase seis meses para analisar seu afastamento, só feito, liminarmente, hoje.

Em comparação ao Saddam ou Gaddafi, vejo que a queda de Eduardo Cunha vai bagunçar o parlamento brasileiro. É certo que a bancada formatada em seu nome, mais parecida com exército de mercenários, perdeu seu general. O que levará a se dissolver rapidamente, a bancada unida do Cunha, com cerca de 220 votos fiéis ruirá em breve, a ser confirmada seu afastamento completo.

A dispersão desse poder especial será um duro golpe no golpista governo Temer, talvez a sangria só será estancada com a negociação de votos individualmente (Alguém lembrou de MENSALÃO? Então…), pauta a pauta, pois aquela enorme e coesa bancada, não existirá mais, o que deixará o futuro governo Temer num buraco. Sem o comandante Cunha, aquele em que Temer depositava “fé”, é provável que se estabelecerá o caos.

As consequências serão funestas para o provável governo Temer-Serra, agora sem Cunha, o que se desenhava como um governo de extremo poder e força, talvez tenha sido abatido em pleno voo. Fora o desespero do medo causado por uma delação premiada a ser feita (ou não) por Cunha, pavor no meio político e no meio empresarial, especialmente na Globo, com seus laços antigos com ele. Caso o STF e câmara o punam, virará um cidadão comum, sem foro privilegiado, pronto para mofar na cadeia e os 184 anos de pena pedida pelo MPF.

Cunha cumpriu seu papel sórdido na crise, agora será abandonado?

Aguardemos.