A arte da felicidade e a natureza humana em contradição.

A arte da felicidade e a natureza humana em contradição.

“O homem não tem razão para filosofar, exceto para atingir a felicidade”.(Cidade de Deus – Santo Agostinho)

Talvez um dia perdido na memória pensei em mudar o mundo e/ou as pessoas, deve ter sido apenas um flash, um facho de luz sobre as sombras. Quem sabe um desejo autoritário, impositivo, ou um voluntarismo tolo, fruto de uma compreensão errada sobre a vida, principalmente sobre o mundo. Tudo está aqui para ser mudado, começando por nós mesmo, mas a adesão a uma mudança é ato individual, que eventualmente se torna coletivo, organizado e preparado espontaneamente.

Na verdade, bem lá no fundo, estou me sentindo numa jornada iniciática, ainda que inesperada e incompleta, em que muitas vezes me vejo como um Sísifo. Ao contrário dele, não enganei os deuses, nem fui ardiloso o suficiente, talvez tenha tentado apenas iludir a mim mesmo. Nos últimos seis anos, em especial, sinto que toda vez que a pedra de Sísifo (a minha) chega ao topo, ela rola abaixo, então tenho que retomar tudo outra vez. Nem penso em autocomiseração, nada disso, claro que é uma constatação, o que é um bom começo para tentar mudar.

Estava procurando escrever sobre o perdão e o não perdão, que nos persegue por toda nossa vida, formalmente perdoamos a tudo e a todos, porém, intimamente, não nos deixamos experimentar o sentimento libertador do perdão. Preferimos conviver com a dor e amargura da existência, sem jamais nos darmos chances de viver outro momento, as chagas continuam abertas, mesmo que não sangrem, mas a sensação destes terríveis buracos estão ali, perenes. A dor é da alma, o corpo já não percebe, se acostumou.

E no final, separados, homens e demônios, bem e mal, sobrará apenas o lado terrivelmente humano de cada um de nós, nem mais, nem menos. No fundo somos a soma de acertos e erros; virtudes e vícios; inteligência e bestialidade. O que procuramos na vida é domar nossos ímpetos, nossos desassossegos, nossa alma selvagem, que teimamos em aprisionar nos valores sociais vigentes, de cada época, dos costumes nobres ou maus. Libertado os espíritos (demônios,no sentido grego) de nossa natureza, o que seríamos?

O passado manda mensagens, o difícil é decodificá-las com os “olhos” do presente. Deve haver uma razão simples sobre a Vida e a Felicidade, uma lógica que não captamos, mesmo com tanto acumulo intelectual e social.

É fato que algum lugar especial foi reservado ao humano, fruto do desenvolvimento da matéria, desigual e combinada, nos tornou senhores da terra e da natureza. Por força da razão e de nossa constituição ou apenas um desígnio divino, de um criador tão especial que nos legou uma gama tão ampla de possibilidades, que podemos: criar o criador, ser a criatura, matar o criador, ao mesmo tempo, matar a nós mesmos, com nossa incrível capacidade “criativo-destrutivo”, de uma dialética própria e única.

Longos  e evos são caminhos da vida, as estradas reais ou virtuais, que vamos seguindo e escolhendo, por razões infinitas, muitas delas aleatórias, nem sempre garantido que a via escolhida nos levará ao lugar que procuramos. Em geral, o que se busca é a felicidade, mas, por questões que fogem ao nosso controle, há uma grande dificuldade de achá-la, ou, pior, de se saber o que é ser feliz.

A maioria da humanidade passa toda sua vida lutando pela sobrevivência, então a questão da felicidade é bastante relativa, pode ser resolvida apenas em ter o que comer, vestir e ter onde morar. As aspirações se reduzem à reprodução imediata.Dada condição de vida, ter acesso alguns destes fatores é motivo de prazer e alegria. Mesmo assim ainda se encontra tempo para praticar atos que trazem felicidade, quase um extra, como festas, praticar alguma religião, uma busca de conforto para amenizar a dura vida que se leva.

Por fim, voltemos ao mestre Santo Agostinho que nos responde de forma brilhante a questão de onde tiramos a ideia de Felicidade “Não sei como conheceram a felicidade, nem por que noção a apreenderam. O que me preocupa é saber se essa noção habita na memória. Se lá existe, é sinal de que alguma vez já fomos felizes. Eu agora não procuro indagar se fomos todos felizes individualmente, ou se fomos somente naquele homem que primeiro pecou, em que todos morremos, e nascemos na infelicidade. O que eu quero saber é se a vida feliz reside ou não na memória. Se a não conhecêssemos, não a podíamos amar”. ( trecho do post, O que é a FELICIDADE?)

“A Felicidade só é real quando compartilhada”  (Jon Krakauer apud  Christopher McCandless – Into the Wild).

 

Pink Floyd – Wish You Were Here (Legendado) (Into the Wild)

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Led Zeppelin – Stairway To Heaven

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