Do Virtual ao Real – Vã Filosofia.

O que partilhamos?
O que partilhamos?

“E tudo que nos parecia sólido, sumiu ao vento como nossos anelos” (Macbeth – W. Shakespeare)

Neste fim de semana tive o imenso prazer de almoçar e depois tomar café até umas nove da noite com dois grandes amigos. Foi um longo papo que, além de revigorar a amizade, serviu para ótimas reflexões sobre vida “Real” e vida “Virtual”.  Tateamos algumas respostas, mas no fundo levantamos grandes dúvidas sobre as redes sociais e o impacto delas na vida cotidiana, nos relacionamentos humanos, nos laços afetivos, no engajamento político, nas intervenções sociais e na formação ideológica.

As horas de especulações, contar causos, ouvir, falar, nos daria um grande mote filosófico. Entre cafés, sucos, refrigerantes, risadas e momentos tensos, fragilizados, ficamos ali praticando uma vã filosofia, nos medido, nos solidarizando e principalmente nos relacionando de forma “antiga”, mesmo que o centro fosse o “novo”. Nós três nos aproximamos nas redes sociais, morando em cidades diferentes, sobrevivemos às polêmicas, aos caprichos das diversas conjunturas, sem que nossa amizade, na maior parte do tempo virtual, se perdesse. A admiração mútua, o enorme respeito pelas trajetórias que cada um teve na vida, além da imensa solidariedade foi nos tornando mais íntimos.

Todas as vezes que nos encontramos percebi que o papo fluiu de forma serena, mesmo tratando de temas tão complexos, tantas verdades doídas ali ditas, sem nos ferirmos, reflexões camaradas, lembranças perdidas de um tempo que não voltará, mas, sem dúvida, aquela tradição de generosidade e humanismo não se perdeu e nem se perderá, pois o que no uniu foi a fraternidade militante, isto não se quebra jamais. Ouvimos-nos, sofremos os males do tempo, da idade, dos projetos de vida, do peso das frustrações políticas, algumas boas alegrias, mas celebramos a vida, os encontros aleatórios que nos juntou naquele sábado e nos fez mais felizes e humanos.

Depois de debater longamente sobre os novos tipos de relações trazidas pelas redes sociais, chegamos algumas conclusões, nenhuma delas é definitiva, taxativa. A primeira delas é que ficou impossível ignorar e passa ao largo das Redes Sociais, negar sua existência, como ao mesmo tempo é preciso delimitar marcos de sanidade entre Real e Virtual. Segundo, as redes sociais tornam urgente demais todas as demandas, pior, concentra TODOS os atos em breve  momentos, daí o Amor e Ódio afloram em segundos, em pouquíssimos contatos, tudo aquilo que levaria meses, anos para se definir como concreto, se resolve em horas ou dias. Terceira questão, consequência da segunda, há profundidade em qualquer relação, qualquer que seja ela( amor, política, amizade), nas redes sociais pois é determinada pela fusão tempo/espaço, os atos concentrados, se vive tudo em poucos instantes, isto serve para o bem, como para o mal.

Quarta característica é que as redes sociais trazem o conhecimento tão próximo de cada um e ele é imenso, mas, ao mesmo tempo, ele se torna superficial, pois ele está dado, a busca se torna menor, pois se sabe que é disponível, portanto não se percebe o ir mais fundo. Temos acesso a tudo ou a quase tudo, mas o tempo, a maturidade para compreender cada estágio ainda não rompeu com a noção temporal, ou o cérebro super se expande, para melhor absorver o conhecimento, ou apenas “conheceremos” muita coisa, com pouca apropriação, sendo idênticas as formas tradicionais de conquista do saber. Por exemplo, lemos um livro, clássico ou não, hoje é mais fácil este livro, pois está disponível, mas a experiência em lê-lo, rápido ou lento, continuará a mesma, mais ainda, a compreensão sobre ele continuará a depender de muitos outros fatores, portanto não rompemos com a Teoria do Conhecimento Real, não surgiu uma nova Teoria do Conhecimento, virtual.

Por diversas ordens, nós três, depois de vivências maiores ou menores neste ambiente virtual, aos poucos vamos nos preparando para uma nova abordagem nos meios virtuais. A consolidação de ótimas amizades, cultivar a proximidade, os contatos, parece que será o nosso caminho. A seletividade dos temas e de quais redes participar e até mesmo qual expectativa que teremos nos tempos vindouros. Conversas assim, efetivamente, mudam nossos horizontes, nossos conceitos, dividimos experiências e conseguimos apontar alguns caminhos, conclusões, mas fundamentalmente, voltamos a ser apenas o que somos: Humanos.

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