Crise 2.0: Espanha x Cataluna, mais um Round

 

Rajoy e sua política levarão Espanha à ruptura? Foto: A. M. (EFE)

 

“Na Europa se fala de União, aqui de separação” esta frase de Rajoy, de hoje, no El País, é recheada de tristeza, mas sem jamais tocar na verdadeira causa ou por quais motivos se chegou a esta situação extrema na Espanha, por que se reforçou o sentimento de ruptura neste último ano. Aqui, na série sobre a Crise 2.0, analisamos as eleições e movimento de ruptura catalão (Crise 2.0: Espanha x Catalunha , Crise 2.0: Espanha x Catalunha II e Crise 2.0: Espanha x Catalunha III ), a maior conclusão é que a política de Austeridade potencializou a desagregação.

Dissemos anteriormente que a derrota da CiU de MAS na “eleições não deveriam ser comemoradas por Rajoy como vitória sua, pois elas deram um duro recado ao seu governo, de que não é bem vista sua política de austeridade, o PP local, passou de 3ª força para 4ª. O governo central continua mal avaliado em todo país, em especial na Catalunha”. Parece que o governo central subestimou, agora Ciu e ERC fecharam um acordo para governar a Catalunha, cujo pressuposto central é a convocação de um plebiscito, ou no mínimo um governo de mais tensão com Madri.

A inabilidade generalizada de um governo neofascista, que não discute com um país empobrecido e cheio de tensões regionais é a marca de Rajoy, seu ministro da Educação fez um pacote que reduz, por exemplo, o ensino de catalão, parece até provocação, mas é mais além é o modus operandi da direita grosseira, afrontar, tensionar ao extremo, fazer conflito onde qualquer coisa pode ser motivo para mais discórdia. A Vice-Presidente, Soraya Santamaría, ontem declarava que poderia usar força para impedir qualquer separação, nem mesmo consulta popular, com as seguintes palavras “Consulta não é legal, e a lei prevê mecanismos de muitos para parar qualquer ilegalidade”.

A grande contradição é que este péssimo governo da Direita religiosa radical, ao mesmo tempo, se submete de forma covarde à Troika e sua política, abrindo mão da soberania nacional, mas que ser a força policial contra os autonomistas. Este agravamento tende a piorar à medida que a economia piore, pelas projeções de todos os lados ( OCDE, FMI, BCE) os anos de 2012 e 2013 serão de mais crise. O mais importante seria manter unido o país, mais ainda a região mais rica e próspera, não o confronto, mas não é esta a opção de Rajoy e seus acólitos.

O Governo central ameaça de todas as maneiras, durante as eleições seu ministro das finanças, Cristobal Montoro, insinuou que o Artur Mas, líder da CiU, manipulou findos fraudulentos na Suíça, agora o mesmo Montoro, diz que o Fundo de Estabilização não mais amparará a região. A tensão se elevou com o pacote fiscal da coalizão CiU-ERC, que propõe impostos próprios, sem a anuência do Governo Central, o que indicaria um governo de ruptura, com economia e decisões próprias, o que para Madri é inaceitável.

A situação da Espanha é crítica, mas sempre pode piorar, este parece ser o caminho escolhido por Rajoy e sua trupe neofascista. No front externo se submete à Troika, mas não pede o Resgate Total, num perigoso jogo de frágil equilíbrio. Já no Front interno, reprime os movimentos sociais de forma violenta, aprofunda os cortes provocando imensa desagregação social, para completar é extremamente inabilidoso no trato com as regiões autônomas, impondo restrições e uma nova “Espanha” a elas.

Nada parece simples na Espanha, nem na Europa, acompanhemos. Vale ouvir o comentário de  Iñaki Gabilondo ao El País “Quo Vadis España“.

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