Crise 2.0: Espanha x Catalunha III

 

Artur Mas – Uma vitória de Pirro – foto: El País

 

 

Contados os votos da Catalunha, chegamos a conclusão que, mais uma vez, a Crise 2.0 puniu um governo local, Artur Mas, da CiU, partido de centro-direita, caiu de 62 para 50 cadeiras no parlamento local,que totaliza 135 cadeiras.  Sua manobra por antecipação das eleições acabou se provando um erro grave, mas pela dinâmica da economia, se esperasse mais dois anos o desastre poderia ser maior. Mesmo numa região mais rica os efeitos da crise são pesados, não poupando os gestores, independente da posição política.

Como traçamos aqui nos posts ( Crise 2.0: Espanha x Catalunha e Crise 2.0: Espanha x Catalunha II )  anteriores sobre a disputa Catalã, os resultados são os mais variados. A antecipação das eleições, tinham objetivo inicial, tornar Artur Mas um líder que afrontasse Rajoy, mesmo que não sejam tão distantes ideologicamente. No meio do caminho, Artur Mas, captou o sentimento de separação mais forte e usou a campanha como um plebiscito informal, o que causou indignação ao restante da Espanha. Produtos de empresas da Catalunha sofrem boicote no país, as relações pioraram muito nos últimos meses.

 

A campanha foi pesada em acusações de que Mas teria contas secretas na Suíça, de que era oportunista, ao se aproveitar do momento de crise geral para impor uma derrota ao país, pois neste instante precisa de unidade e solidariedade, além de que ele usava a campanha para tentar apagar o seu fracasso administrativo, pois a região está em crise e pediu resgate da dívida a Madri. Tudo isto há um fundo de verdade, outros exageros, mas o resultado puniu a CiU, que perdeu mais 20% de suas cadeiras no parlamento. Mesmo continuando sendo a maior força, CiU ficou ainda mais longe da maioria, o que enfraquece o plano de separação.

 

Os jornais espanhóis ficaram eufóricos, atacam, hoje, abertamente Artur Mas, de forma virulenta, inclusive o El País, que era mais comedido, até ontem, porém esquecem uma questão fundamental, 90 das 135 cadeiras do parlamento local, estão sob o controle dos separatistas, mesmo que a unidade entre eles seja bastante precária, é fato que o apoio à unidade da Espanha caiu, o sentimento de país independente aumentou na Catalunha. O maior beneficiado e vencedor desta eleição foi a esquerda catalã, o ERC, pulou de 10 para 21 cadeiras, se tornando a segunda força local, superando o PSC( PSOE Catalão) que vem em queda radical, hoje é um 1/3 do que foi em 2004.

 

Uma coalizão entre CiU e ERC, terá maioria, Artur Mas, foi derrotado, mas não a questão da soberania, entretanto não tem como ser chamada agora, falta uma liderança que consiga unir a própria Catalunha num movimento tão grande. As eleições não deveriam ser comemoradas por Rajoy como vitória sua, pois elas deram um duro recado ao seu governo, de que não é bem vista sua política de austeridade, o PP local, passou de 3ª força para 4ª. O governo central continua mal avaliado em todo país, em especial na Catalunha.

 A crise continua sendo a mãe de todas as batalhas e eleições, não importa o país ou região.

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