Crise 2.0: Alemanha Muda Discurso.Liberais, no Brasil, Piram

Parece que finalmente a UE chegou a um consenso, o mais grave: A crise continuará, por pelo menos mais 2 anos, os mais pessimistas apontam 5 anos, Merkel por exemplo (Crise 2.0: Mais 5 Anos de Crise). Aqui, na série sobre a Crise 2.0, sempre tratamos com certa reserva qualquer tese de crise terminal ou insolúvel do Capital, continuamos fiel ao método de análise proposto por Marx, sem nos deixar encantar com as teses da queda por si só do sistema. Verificamos as contradições e como ela se processa no mundo real.

O trabalho paciente, que tentamos desenvolver aqui, é ir seguindo, passo a passo, as decisões do grande Capital, através dos seus porta-vozes mais qualificados, colhendo as suas declarações e vendo como mudam de posição, algumas vezes com velocidade espantosa, outros com mais comedimento. No último artigo da série, Crise 2.0: Merkel Pede Regulação dos Bancos, Liberais se Matam no Brasil , demonstramos como a Sra Merkel vai se movendo nestes últimos meses, principalmente quando a luz vermelha se acendeu para Alemanha.

Importante notar, que a menos de um ano, a triunfal Merkel, desdenhava dos seus “parceiros” da Zona do UE, impondo-lhes a agenda alemã goela abaixo sem a menor cerimônia. Certa vez relatei aqui, como os burocratas da Bruxelas a temiam, eles passavam semanas, meses fazendo power points, apresentações sofisticadas sobre os países e as leis, Sra Merkel os humilhava com decisões, desconsiderando seus trabalhos. A visão imperial se impunha como nunca vista na Europa do pós-guerra.

Entretanto, o limite irracional da tese alemã, de imposição da Austeridade aos outros, além de demagogo, se mostrou um desastre, os superávits do país vão sendo minado, com a fraqueza geral que se abateu sobre os demais parceiros, o recuo começou geral, a senha foi dada por Merkel, quando admitiu o controle do Capital Financeiro e sua taxação, tese impensável até bem pouco tempo. Prepare-se se em breve o Eurobônus não voltar a ser cogitado, com uma defesa daquela que mais se opunha.

Esta semana um dos membros do do Comitê Executivo do Bundesbank, Andreas Dombret, deu uma entrevista ao Estadão com trecho bastante elucidativo desta mudança de posição alemã, suas palavras estão em sincronia com as de Angela Merkel, vejamos o que diz sobre a crise ter chegado à Alemanha: “Qualquer avaliação sobre a perspectiva econômica é caracterizada por alta incerteza. Há riscos de que a atividade na Alemanha desacelere mais do que o esperado hoje. A economia da Alemanha provavelmente entrará numa fase temporária de crescimento menor no próximo ano, pois investimentos e a geração de empregos estão sendo adiados. Em 2014, provavelmente vamos ver considerável crescimento de novo”.

Depois  ele “entrega” o jogo, demonstrando o que realmente é importante para Alemanha, pois ela “está muito conectada com a economia da Europa, pois são os nossos principais parceiros comerciais. Se a Europa ingressa numa trajetória gradual de recuperação no próximo ano, isso poderá ter efeitos positivos sobre a Alemanha. A desaceleração na China é importante, mas menos significativa para a Alemanha do que o que ocorre com a zona do euro. É por isso que queremos que a nossa união monetária seja forte. Estamos vendo bons sinais de recuperação econômica na Europa. Na Irlanda, há um bom exemplo sobre reformas estruturais. Portugal, Espanha e Itália estão registrando progressos”.

O Estadão tentou dá uma estocada no Governo Dilma ( Fazenda e BC) quanto à intervenção no mercado de câmbio e juros, recebeu um balaço de volta, que exprime bem o atual momento: As autoridades podem adotar medidas para preservar a estabilidade financeira e conter operações que valorizam suas moedas. Não excluímos a adoção de controles de capital, mas apenas como último recurso”. Chega a ser vergonhoso nossos “Velhos e Novos Liberais” que não acordam para a vida real, se movem apenas por ideologia tacanha, não é atoa que PERDEM todas e dão vexame até numa entrevista.

É um discurso bem diferente daquele de meses atrás que o BC Alemão culpava o restante dos países pela sua desgraça, se eximindo de qualquer responsabilidade, parece, que a balança comercial em queda, começou a ajustar uma certa racionalidade. Há um rápido caminho rumo à um consenso sobre a Crise, graças a mudança de posição da Alemanha.

Aguardemos, investiguemos, principalmente fiquemos atentos, se não é apenas mais uma manobra, fruto do “espírito Natalino”!!!

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