Crise 2.0: Brasil Está Em Crise?

 

 

 

 

A  Crise 2.0 atingiu o Brasil? Esta é a questão fundamental que devemos fazer e, se possível, tentar responder com alguma sobriedade, sem se envolver com paixão ou desejo. Quem acompanha este esforço de analisar a Economia Mundial, percebe que tenho procurado me afastar de debates conjunturais, apaixonados, que atrapalham, sem dúvida, uma correta resposta para questão acima formulada. O  Crise 2.0, não é um trabalho de um grupo ou tendência, então não me preocupo se vai agradar a qualquer  um.

Vamos entender a dinâmica geral da crise, para responder com alguma convicção a questão. Escrevi dois textos que faço uma definição geral sobre o que é a Crise :

  1. Crise 2.0: Marx e a Crise
  2. Crise 2.0: Quando surge a Crise?
Como definição geral teremos: “A crise de superprodução, ao contrário do que se supõe, não está relacionada a escassez de produção, ou de crise agrícola, esta fase foi superada há mais de 150 anos. As crises são fundamentalmente concentradas no coração do capital, e refletem as relações econômicas dadas em determinado momento do ciclo amplo de produção, sempre no pico, jamais no vale da curva senoidal”. (  Crise 2.0: Marx e a Crise ).
Com este conceito geral de Crise, passamos a analisar o desdobramento da atual Crise. Ela se inicia no coração do sistema de produção capitalista, os EUA, em 2005, com o mais alto pico de preços e salários, no final do 2º trimestre daquele ano, a queda vai se dando paulatinamente até a explosão da quebra do Lehman Brothers, três anos depois. A Europa terá seu ciclo encerrado por volta do último trimestre de 2007, mas sua queda, visível só se dará em 2010. Um roteiro clássico, tão bem analisado por Marx, que apenas atualizamos. Assim escrevemos: O ambiente geral é complicado, se em 2007/2008 os EUA caíram economicamente, mas a Zona do Euro se manteve, com um detalhe a mais, a Zona do Euro é a maior financiadora da China, cerca de 25% do investimentos gerais, 15% do Brasil. Com a Crise de 2011 houve um fechamento de torneiras dos financiamentos externos, tão essenciais a estes países, devido a baixa poupança interna. Além disto, as importações da UE da China caíram 7% em 2012. O mesmo se deve repetir com o Brasil.
Os dados da evolução do PIB do Brasil nos últimos dez anos, também vai nos ajudar a entender como a crise geral se expressará aqui:
Olhando detidamente estes números percebemos que houve um ciclo vicioso que vai de 2004 a 2008, cinco anos de intenso crescimento, que se interrompeu apenas em 2009 com o momento mais crítico da economia dos EUA e UE, que fecharam suas torneiras, o que ameaçou o mundo inteiro.
Diante da possibilidade de queda geral, Lula, teve papel fundamental em segurar firme as rédeas do Brasil, com um acordo, ainda precário, com os BRICS, impulsionou o G20, que acabou substituindo o G7, ampliando assim a capacidade política e de intervenção no debate. Para isto, a equipe econômica do governo Lula ousou muito, soltou alguns freios, apostou firme em investir em plena crise. A resposta foi imediata, em 2010 e 2011 a economia cresceu alto e se manteve em bom patamar, no ano seguinte.
A aposta de Lula, seguida por Dilma era de que ou EUA ou UE superariam a crise em 3 ou 4 anos, o que parecia plausível, naquele distante novembro de 2008, então o Brasil, soltou às amarras da economia para crescer e aguardar que um novo ciclo se iniciasse. O que percebemos é que o auge deste processo se deu até julho de 2010, o ciclo vicioso começava a ter problemas, nomeadamente a paralisia do mercado mundial e a inflação que ameaçava os crescimento interno.
Em agosto de 2010 começa um lento processo de ajuste, uma tentativa de acomodação “suave” do Brasil diante da Crise, se percebe que a duração da crise econômica mundial seria mais longo, nem os EUA e muitos menos a Europa deu sinal de que retomaria um ciclo virtuoso. Ao contrário, os constantes QE( expansão da base monetária) exportava a inflação do centro para o mundo, o que dificulta em muito os ajustes locais.
Dilma recebe o governo bem melhor do que Lula recebeu de FHC, mas numa turbulência mundial muito maior, a crise, na Europa, por exemplo, ameaça se tornar um cenário de recessão longa. O EUA têm uma tímida retomada, que passa a ser ameaçada pela Zona do Euro, conforme falamos no artigo Crise 2.0: Cenários Graves da OCDE . São dois anos de voo baixo, lutando a duras penas para não pousa de vez, com resultados ainda significativos, como o mercado de trabalho em expansão.

Quem apenas ler as manchetes dos jornais do Brasil, entra me pânico, afinal o FMI  e a OCDE diz que o PIB brasileiro vai crescer “apenas” 1,5% em 2012. Parece regra geral da grande mídia local “assustar” e criar um clima de desespero geral, deixando para matérias internas alguma verdade, que inclusive negam a manchete principal. Mas não são apenas a grande mídia que acossa o governo, do lado de cá a pressão é a mesma ou maior, grande parte de nós não consegue refletir o exato momento que o país atravessa, claro que há um erro grave de comunicação do governo, mas também não há esforço em entender o que se passa.

A terceira eleição Petista, num ambiente de crescimento interno, mas que externamente, a crise só recrudescia, levou objetivamente a uma mudança de rumos, recuos necessários e claros, para um longa transição econômica local, quase que isolada por um mundo em queda. Esquecer este “pequeno” detalhe é imperdoável para qualquer posicionamento sério. Dilma recebeu um país infinitamente melhor do que Lula recebera, mas os desafios colocados são bem mais complexos, o mundo inteiramente interligado facilitou uma ampla expansão de exportações com Lula, mas agora se restringe com a Crise.

A economia é a centralidade do governo, não é economicismo, é a realidade, renegar isto, ou partir para “aventuras” pode nos levar de volta ao passado, basta ver o nosso vizinho-irmão, a Argentina, não adianta fazer estripulias, depois o país não ter saída. O Brasil hoje é a sexta maior economia, tem mais responsabilidades, é uma economia muito mais complexa, que enfrenta uma crise externa terrível, que me ler no Crise 2.0, sabe bem do que se trata. Aqui, não é absolver o modo Dilma de governar, mas entender o que se passa, o que se pode fazer neste momento.

A resposta agora parece clara, sim, a Crise 2.0 chegou aqui, por volta de agosto de 2010, mas o Brasil não vergou, o que é muito, muitíssimo. Mesmo num cenário pessimista da OCDE, o Brasil não recuará mais, mas o nível de compreensão e apoio terá que ser maior, muito maior.

0 thoughts on “Crise 2.0: Brasil Está Em Crise?”

  1. Grande Arnóbio, emocionada com seu apelo à compreensão maior do governo Dilma. Estamos resistindo, mantendo o emprego, apesar desta classe empresarial covarde que ao menor sintoma de crise “arrecua os harfes”.

  2. Papo furado, todos esses índices maquiados e todas essa instituições corruptas tentam esconder a verdade!
    Sim eu sei a verdade!
    Todos sabem o rumo do brazil, basta olhara crise eua e ver o que o crédito fez de estragos!
    O Brazil irá passa por uma crise muito muito séria, aliás uma catástrofe séria em seu sitema financeiro, e sua recuperação e de outros países só acontecerá com a total unificação do sistema financeiro mundial, esse sistema vai passar por cima de tudo, e democracia só será uma palavra!
    Tudo que acontece está em um script feito pelos mesmos que criaram o fed no incio do século passado!

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