J. Edgar – O Filme

 

Filme sobre os bastidores do Poder e FBI

O mestre Clint Eastwood fez mais um grande filme que acabei de ver este fim de semana, em DVD, J. Edgar, a trajetória do poderoso criador do FBI e seu longo reinado na Agência, talvez o maior período que um burocrata permaneceu num órgão nos EUA, quem sabe no mundo. Que não se espere ação, drama é intimista, tratando com rigor o personagem, as imensas contradições e paranoias, tão em linha com o pensamento do povo dos EUA.

 

A construção de uma Agência Federal que investigasse, reprimisse crimes considerados “federais”, foi uma inovação num país em que a força polícia é extremamente dividida a uma fração de cidade ou distritos, com diferenças de ação e métodos, com o desejo de “soberania” local. O jovem J. Edgar Hoover é levado a um bureau junto ao Procurador Geral, para auxiliá-lo nas análises de crimes, em particular os “políticos”.

 

O ano era 1919, a esquerda comunista e anarquista, crescia e fazia muito barulho, no meio sindical e intelectual, a “agitação” em sua maioria era liderada por “estrangeiros”, J. Edgar se firma quando propõe combater estas ameaça não pela força direta, mas expulsando-os dos EUA. A Agência é criada e ele, mesmo sem qualquer experiência policial, ou investigativa, com apenas 25 anos, é nomeado seu Diretor. Suas regras eram claras, só obedeceria ao Procurador Geral, não podia ter indicação política, os recrutas ao grupo teria que ter no mínimo nível superior e passar por um sofisticado exame de ingresso.

 

A trajetória de sucesso do FBI, em particular do seu diretor intocável, nas imagens de Clint se deve em parte pela habilidade dele, com uma intensa busca de qualificação dos quadros, usando métodos científicos e grandes especialistas. Mas também mostra a força “extra” de Hoover, era seu domínio dos dossiês sobre os bastidores da Casa Branca, os presidentes, das mais variadas matizes, eram devidamente apresentados aos métodos de Hoover, que por 48 anos dirigiu o FBI.

 

O lado B, de Hoover, naquele meio conservador, nomeadamente de direita, escondia um cidadão dominado por uma mãe autoritária, ambiciosa que projetou no filho uma carreira brilhante, reprimindo-o, inclusive na sua sexualidade. As relações de Hoover com seu imediato Clyde Tolson, um advogado assim como ele, levando ao FBI por ele e tornado seu vice, viviam uma intensa relação íntima, de almoços, jantares e férias juntos, ambos solteirões, sem histórico de namoros ou relações com mulheres.

 

Leonardo de Caprio, mais uma vez, em grande performance faz o papel de J. Edgar, dando credibilidade e intensidade ao papel, Judi Dench, como sua mãe e Naomi Wats como Helen Gandy e Armie Hammer como Clyde Tolson completam o excelente elenco, a direção de Clint é sensível e muito competente, um cara que sabe filmar/ contar uma história. Mais um excelente filme.

0 thoughts on “J. Edgar – O Filme”

  1. Maravilhosa atuação de Di Caprio que com a sensibilidade de Clint como diretor soube apresentar-nos J. Edgar como ser humano que luta para domar suas fraquezas por um ideal em que acredita.

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