Crise 2.0: A Reação Popular na UE

 

Portugal - Povo nas ruas e repressão - foto: Tiago Petinga (Efe)

A Troika exige mais cortes, em todos os países que ela tutela a economia, bovinamente são atendidos, Portugal, Grécia, Irlanda, sacrificam o povo para atingir metas cada vez mais distantes. A Espanha, mesmo sem ter pedido o resgate total, já cumpre um cronograma de cortes dos mais absurdos. Estes países enfrentam uma crise mais dura do que os demais e são castigados em dobro. Seus governos não têm autonomia para que intentem uma política alternativa à imposta pela Troika, como estamos dizendo aqui, na série sobre a Crise 2. 0, desde o ano passado.

 

A troca de comando, em cada um deles, com a aceitação das imposições dos seus verdugos, fez com que a vida se tornasse insuportável, milhares de pessoas deixam continuamente Espanha, Portugal e Grécia, migrando para outros países da Europa, notadamente Alemanha, ou rumo à América( Eua, Brasil principalmente), buscando novas oportunidades. A maioria dos que se vão têm ótima escolaridade, o que aprofunda a crise interna dos países, por exemplo, na Grécia 11% dos médicos foram embora, com os cortes na saúde, os programas de combate à AIDS foram abandonados, em dois anos houve um aumento de mais de 1400% dos novos casos. Na Espanha, os imigrantes “ilegais” não podem mais usar gratuitamente o sistema de saúde.

 

Mas, não satisfeitos, a troika sempre pede mais, sendo fielmente atendidos, na Espanha houve demissão de 50 mil profissionais da Educação básica, apenas no governo central, mas com os ajustes nas províncias este número duplicará. A situação é tão grave que 2 milhões de jovens espanhóis não trabalham e nem estudam, sendo o país com a pior qualificação da mão de obra da Europa, junto com a Turquia. No momento que o governo espanhol diz a seus cidadãos e ao mundo, que os cortes são para ter mais competitividade, entra em contradição a baixa formação escolar e os cortes na Educação apenas pioram o quadro. Até países  considerados com sistema educacional forte, como Itália, na crise se revela, que é mais mito que realidade.

 

Neste quadro de crise, com as desastrosas políticas de combate a ela pelos governos, que jogou apenas mais miséria e desesperança aos trabalhadores e ao povo em geral, é preciso reagir, resistir de forma firme em busca de outra saída. O caminho da luta é o único que o povo encontra para mudar seu destino. No início desta semana gigantescas manifestações na Grécia, e ontem em Portugal e Espanha. As ruas lotadas de indignação. Segundo site Euronews, em Portugal o “O apelo para a manifestação “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” surgiu na Internet por iniciativa de algumas pessoas da capital, mas acabou por conduzir a protestos em todo o país”.

 

As manifestações atingiram as comunidades portuguesas não só no país, mas em várias partes do mundo, segundo o Euronews ” manifestação também foi correspondido em Fortaleza (Brasil), Berlim, Barcelona, Bruxelas, Paris e Londres. Ainda em Lisboa, manifestantes arremessaram tomates, petardos e garrafas de cerveja contra a porta do edifício onde o FMI tem escritório” . Mesmo na crise, não falta dinheiro para repressão, efeito do Estado Gotham City, “Rodeadas por um forte dispositivo policial, milhares de pessoas concentraram-se em frente da Assembleia da República, gritando palavras de ordem contra deputados e governantes. Este governo tem falhado redondamente em tudo que promete e acima de tudo temos visto que os sacrifícios são sempre para os mesmos. Nesse sentido acho que é importante movimentos como este, para de uma forma conjunta dizer que não aguentamos mais e que isto tem de mudar realmente”, disse um dos manifestantes.

 

Na Espanha, dia 25 de Setembro prometem uma revolução, mas ontem houve o 15S com amplas manifestações por todo o país: “Dezenas de milhares de pessoas concentraram-se na Praça Colon, centro de Madrid, onde confluíram várias marés de protesto associadas à “Marcha sobre Madrid”, iniciativa da Cimeira Social, plataforma que reúne mais de 150 organizações e exige que o Governo espanhol referende as medidas de austeridade. “Rajoy conseguiu o que nunca ninguém foi capaz: unir todos os espanhóis…contra ele claro”, disse uma das manifestantes”. Continua a reportagem do Euronews:”No centro de todas as críticas está a Alemanha, principal credor dos países em dificuldade da Zona Euro: “O que não podemos é aceitar este tipo de pressões, sobretudo por parte da Alemanha. Os países neste eixo, como a Grécia, a Espanha e a Itália têm de unir-se e marcar uma posição perante a Europa, dizer que aceitamos pagar a dívida, sim, mas não nestas condições de escravatura”, diz uma manifestante”.

 

Finalmente há reação popular, pois não há limites aos desejos da Troika, os governos locais aceitam e sacrificam seus povos, agora a solução virá das ruas, assim, esperamos

0 thoughts on “Crise 2.0: A Reação Popular na UE”

  1. “Seus governos não têm autonomia para que intentem uma política alternativa à imposta pela Troika”. Nem os demais países detem autonomia. É só um simulacro. Quem manda mesmo é o mercado, leia-se Wall Street.

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