O Legado Bourne, Estado Repressão

 

 

Ir ao cinema ainda continua uma emoção constante da vida, o apagar das luzes, o som, o conforto da poltrona, tudo faz parte de um ritual que tanto me apraz. Fui assistir mais um filme da série Bourne, sem que o personagem principal, o que parecia temerário, pois nem Matt Damon, nem o Diretor Paul Greengrass, fazem parte da produção. Mas, no sábado, filhas indo ver filme de desenho, resolvi arriscar. Foi uma ótima decisão.

 

O cinema, da rede cinemark, na sala XD, é uma experiência espetacular, a tela é imensa, o som perfeito, filme de ação encontra o ambiente ideal. Mesmo não sendo em 3D, o efeito do tipo de sala/projeção é maravilhoso. Foi o primeiro ponto positivo. A imagem inicial do personagem principal, Aaron Cross (Jeremy Renner), no Alaska naquela tela gigante é de tirar o fôlego, muito detalhes em alta definição, já vale o ingresso. O filme em si, só é totalmente compreendido para que viu pelo menos o episódio três da série Bourne, O Ultimato Bourne, pois a trama se passa em paralelo aos fatos do outro filme.

 

Se no último Batman, especulamos, de  que se trata de um novo modelo de Estado, que foi deteriorado pelo 11 de setembro, que chamamos de “Estado Gotham City” ( ver Batman: Capitalismo ou Barbárie? ). Agora, no filme o Legado Bourne,  temos a confirmação deste modelo, mais precisamente suas relações intestinais, dos agentes de segurança e inteligência. O método como são preparados ou eliminados, para que nada, nenhuma sombra, da atuação repressiva, se torne pública. Ademais, neste “novo” Estado, não há limites orçamentários para gastar nas forças de repressão. Os caríssimos e sofisticados programas e experimentos tecnológicos são comprados e usados sem parcimônia.

 

O modelo de Estado, entregue aos agentes autônomas, sem controle, mas que agem segundo uma ideologia de Estado, não importando a que partido governe o país, é o sonho de qualquer neoliberal. O barnabé, não tem compromisso com os programas, apenas, em tese, com o programa/modelo do Estado, reforça um padrão que congela a administração pública, que se presta a um propósito de Estado que não admite mudanças. Os burocratas do filme, no máximo vão “enrolar” uma comissão do congresso, mas o discurso do medo, do perigo ao país, justifica qualquer ação, o que é bem apropriado ao Estado depois do 11 de Setembro ou que enfrenta a Crise 2.0.

 

Os programas para criar superagentes, que aparentemente seria ficção, são levados à tela desde muito tempo, o exemplo maior é a série James Bond, o modelo MI5, inglês. Com  Jason Bourne, a CIA ganhou seu “homem”, mas de uma forma mais inusitada e interessante, o programa que criou Bourne é ameaçado por ele, quando a agência perde o controle sobre ele. Ou seja, Bourne é o melhor produto da CIA, mas por uma falha no sistema, passa a agir por conta própria, mesmo sem saber porque assim o faz. Passa a ser uma ameaça real a todos os programas secretos das várias agências dos EUA.

 

O legado Bourne, tem uma missão difícil, a de levar uma trama paralela ao filme principal, além de mostrar como a perda do controle sobre um superagente, pode ameaçar os demais programas. Sem menor problema de consciência, estes homens especiais são eliminados, sem nenhuma necessidade de explicação. O panorama mostrado dentro da CIA de como agem os burocratas, bem representados pelo Coronel Eric Byer ( Edward Norton) ou como caçam as pessoas, principalmente, como as controla,  fará o deleite dos fãs das teorias de conspirações. São tantos elementos, reais ou imaginários que aguçam o sentimento de que não estamos “sós”, que eles nos observam, até quando escrevemos um post “cultural”. Até os efeitos colaterais da guerra que recairá sobre a médica, pesquisadora, vivida por Rachel Weiz, de que ninguém escapa impune neste meio cruel.

 

A relação “política” do filme não é nada sutil, o que em parte é muito positiva, pois desnuda o Estado, o modelo atual, que os ideólogos teimam em tornar permanente, mas os conflitos humanos, sociais batem de frente, pode ser, apenas, em mais um agente fora do controle ou na teimosia de não se submeter aos seus controles.

 

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