Crise 2.0: Como Combater a Crise? UE/EUA x BRICS

 

Manifestações na Grécia contra a Troika - Foto: Sotires Barbarousis (EFE)

A grande Crise que apavora o mundo desde 2008, como disse aqui, na série sobre a Crise 2.0, iniciada com a Superprodução de Capital, cujo pico se deu em meados de 2005 nos EUA, com a combinação de altos salários, baixo desemprego e mais alto preço dos imóveis. Fenômeno idêntico ao ocorrido na Europa, com seu ápice, em meados de 2007. Com a explosão “pública” dos bancos nos EUA e a da crise das dívidas na Europa, o mundo mudou radicalmente nos últimos 5 anos. Um novo ator emergiu neste cenário: Os BRICS.

 

 

O que fazem EUA e UE para combater a Crise?

 

 

As políticas tradicionais foram varridas, os 25 anos de domínio absoluto do EUA com o novo liberalismo (Neoliberalismo), ruiu definitivamente, uma série de medidas estatizantes foram tomadas para salvar banqueiros e empresas, a fina flor do pensamento anti-Estado, fazia fila na porta do FED e do Tesouro dos EUA, clamando por dinheiro. Nada menos de 5 trilhões de dólares de dinheiro público foi usado para salvar os bancos e as empresas no país. Toda a ideologia morreu. Mesmo com tudo isto, houve um aumento no número no clube dos bilionários, pois estes foram protegidos na crise.

 

Os efeitos nocivos da crise sobre os trabalhadores e sobre a classe média dos EUA, foi brutal, o desemprego alcançou 9,2%, antes 4,9%(2005), os imóveis sofreram uma desvalorização de mais de 35%, as famílias tiveram seus rendimentos médios decrescido em 40%. A pobreza avançou de forma generalizada, em setembro de 2011, 42 milhões de norte-americanos dependiam dos Food Stamps(uma espécie de Bolsa Família), cidades inteiras foram paralisadas, seus bairros mais pobres abandonados pelas administrações públicas falidas, explodiram em violência. As mazelas do modelo se tornaram expostas, em particular na saúde, totalmente privada, milhões de pessoas sem acesso.

 

Apenas em 2011, o PIB dos EUA, descontada a inflação, foi positivo, voltando ao patamar de 2005, ou seja 6 anos perdidos. Do outro lado do atlântico, quando estourou a crise nos EUA, parecia que o Euro iria ocupar o lugar histórico do Dólar, e que a UE seria a substituta natural do gigante americano. Ledo engano, o desastre americano, a intensa relação entre os gigantes, a integração dos bancos, levou o velho continente ao colapso, se bem que de forma desigual. O norte, rico, dominado pela Alemanha, que fez vampirismo do sul, pobre, não sentiu os efeitos totais da crise, mas viu seu mercado cativo cair.

 

Os “tigres” da Zona do Euro, Irlanda, Portugal e Espanha faliram, a problemática Grécia, ameaça sumir do mapa como economia, a política do Euro, levada a cabo pelos banqueiros Alemães e Franceses, de exportar capitais, com empréstimos infinitos a estes países, em troca da compra de mercadorias prontas do norte, que parecia enricar o sul, se tornou perniciosa. Os empréstimos massivos levaram a um endividamento dos Estados e das famílias, redundando numa crise muito similar à da dívida externa da América Latina, nos anos 80 (Crise 2.0: 30 anos da Crise das Dívidas da América Latina).

 

A ação de um novo organismo, formado por FMI, BCE e Comissão UE, conhecido como Troika, piorou de vez a situação do Sul Europeu. A influência da Alemanha sobre a Troika leva a pesadas imposições aos seus parceiros do sul, exigindo constantes sacrifícios, naquilo que se denomina Política de Austeridade, nada muito diferente do que o FMI impôs à América Latina nos anos 80. Estas políticas que visam economizar todo e qualquer gasto estatal, com cortes nos salários, funcionalismo, pensões, saúde e educação, leva ao povo e aos trabalhadores uma vida cheia de privações e miséria.

 

Os seguidos planos feitos para estes países, em particular os que pediram resgate (Irlanda, Portugal, Grécia e parcialmente Espanha), não conseguiu nenhuma melhoria da economia, ao contrário, os números apenas pioram, em particular na questão do desemprego explosivo em cada um deles. Mas, mesmo diante do fracasso, a ordem é exigir mais ajustes e cortes. Como os anunciados em Portugal na última sexta ( Crise 2.0: Portugal Castiga os Trabalhadores ) e os de França e Espanha ( Crise 2.0: UE – Mais Austeridade). Parece, que não sobrou outra política, a não ser, a do sofrimento extremo aos mais pobres. Com todos os cortes, sobrou dinheiro para salvar bancos e aumentar o orçamento do aparato repressivo na Espanha (30% a mais nos gastos em 2012).

 

 

O Que fazem os BRICS diante da Crise?

 

 

Diante das duas crises, que faz parte um mesmo movimento do Capital, a força que surge deste quadro é bloco econômico, informal, denominado de BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), tem se caracterizado por buscar alternativas diferentes da optada pelos EUA e pela UE para combater a crise. Desde 2008 buscam mais integração comercial e principalmente enfrentar a crise de forma comum, com incentivo ao emprego, grandes obras públicas, fortalecimento do mercado interno e a alternativa de financiamento produtivo.

 

O ambiente geral é complicado, se em 2007/2008 os EUA caíram economicamente, mas a Zona do Euro se manteve, com um detalhe a mais, a Zona do Euro é a maior financiadora da China, cerca de 25% do investimentos gerais, 15% do Brasil. Com a Crise de 2011 houve um fechamento de torneiras dos financiamentos externos, tão essenciais a estes países, devido a baixa poupança interna. Além disto, as importações da UE da China caíram 7% em 2012. O mesmo se deve repetir com o Brasil.

 

Os BRICS têm sido aguerridos  e por mais que tenham sobrevivido a atual crise, não estão imunes, recentemente se reuniram na Índia, buscando uma maior convergência de ações e intercâmbio, para que possam, de forma mais efetiva, protegerem suas economias e manter o crescimento econômico dos últimos anos. As duas políticas acertadas neste recente encontro são: 1) No comércio entre os BRICS, usar as próprias moedas; 2) Criar um banco de investimento do grupo; São medidas que dinamizam o comércio entre estes países, pois em parte não se precisa usar Dólar/Euro nas transações. O banco comum ajuda na questão de financiamento, diminuindo a dependência e do humor
do mercado mundial.

 

Mais ainda, os BRICS se unem contra a chuva de trilhões imposta pelos EUA(FED) e UE(BCE), mais duas QE ( emissão massiva de moedas) que incentiva a especulação com as moedas locais, impondo sua valorização, causando um desequilíbrio das contas e tornando os produtos destes países mais “baratos” diante da produção local. O fluxo de capital com caráter especulativo desarruma as contas públicas de países como o Brasil.

 

O quadro se agrava, mas tanto Brasil, como China se mexem de forma sólida, dão a dinâmica aos demais, a Índia enfrenta com mais dificuldades a crise. Esta última semana a China lançou mais um pacote, a exemplo do PAC, aqui do Brasil, lá, segundo a Reuters  “A China aprovou mais de US$ 150 bilhões em 60 projetos de infraestrutura para estimular a economia diante do maior desaquecimento em três anos, o que aumenta as esperanças de que o motor do crescimento mundial talvez tenha uma melhora a partir do quarto trimestre. Ações e futuros de aço saltaram diante do plano – um dos mais ambiciosos que a China revelou neste ano – de construir estradas, portos e pistas de aeroportos”.

 

A Saída apontada pelos BRICS é totalmente diferente das implementadas nos EUA e UE, mostrando que há sim, alternativas para combater a crise. O que falta na Europa, principalmente nos países mais afetados pela crise, são forças políticas para seguir este modelo, romper com o Euro e a Troika.

0 thoughts on “Crise 2.0: Como Combater a Crise? UE/EUA x BRICS”

  1. Tomara que os BRICSs consigam resistir. Quisera conhecer estas línguas. Tenho curiosidade enorme em saber se lá tem PIG, se a imprensa deles joga contra o país…

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