Não Olhe Para Trás

 

 

A frase continua martelando na minha cabeça: “Não olhe para trás”, o interdito imposto por Hades ao Herói Orfeu, conforme falamos no post Orfeu, de que ele vai sair do Infernum, desde que não se voltasse para trás, pois sua amada Eurídice, o seguia, mas não lhe era permitido desconfiar de estava atrás dele. Uma prova terrível, que era vencida com certa facilidade, mas a dúvida lhe assaltou, será que ela o seguia mesmo? Ele que enfrentara tantos riscos de ir até aquele lugar, o mundo das sombras, mas qual a certeza que Hades realmente lhe devolveu Eurídice. Já quase na saída, ele fraqueja e se volta.

 

A questão se torna maior, pois é o dilema terrível que nos persegue, o não olhar para trás, mais que a prova, a proibição que nos é imposta, para não ficarmos no eterno retorno de se voltar ao passado, preso à fatos ou momentos da vida, que na maioria das vezes não nos deixa a seguir em frente. Mesmo os problemas, cujas soluções não nos pareceu adequados, para o instante, não pode ter o peso de nos paralisar e continuar a viver, o desapego, ou melhor, o entendimento correto de que a vida em toda sua complexidade, segue, portanto o passado já não nos pertence, virou história, boa ou má.

 

A crueza da afirmação acima, é uma nota mental, hoje em especial, pois nesta data, um ano atrás perdi um sobrinho muito querido, com menos de 18 anos, uma tragédia terrível, um sofrimento atroz aos pais, aos familiares, uma violência que tornou menos doce nossas vidas(A vida segue, mas nem sempre). Recuando mais um ano, neste mesmo dia, a pequena Lelê, voltou a ser internada, tinha passado 75 dias, ficou 4 em casa e voltou a se internar por mais uma semana, o longo tratamento que ela se encontra, que caminha para seu final, assim esperamos ansiosos, no ensinou o valor de viver cada dia presente, com esperança de sempre um dia seguinte melhor.

 

Agora, as reflexões que fazemos, os nossos pesares, as dores que vivenciamos, o duro reconstruir e como nos readaptamos a cada situação, para manter fé na vida, nas pessoas, de que o dia de amanhã será melhor, não é simples, estas marcas estão na nossa pele, nos envelheceu, nos fez mais contidos, mais reticentes. Muitos valores tolos, se foram, o que é bom, mas o frescor de sonhos de uma primavera, já não é o mesmo. O tempo nos cura, ainda não sei se completamente, mas a sentença será sempre a mesma, com seu sentido psicológico e filosófico: Não olhe para trás.

 

 

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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