Crise 2.0: A Finlândia contra o acordo do Euro

O Primeiro-Ministro finlandês Jyrki Katainen, se opõe ao acordo / GEORGES GOBET (AFP)

Ontem começamos a analisar o dia seguinte do surpreendente acordo da Zona do Euro, aqui na série sobre a Crise 2.0, escrevi um artigo, Crise 2.0:Euro – O Dia Seguinte, em que apontava algumas contradições sobre como cada país viu o que foi acertado. Nas palavras de um alto funcionário, que dizia ter um acordo, mas o diabo se escondia nos detalhes, indicando que há vários pormenores a ser explicitado. Hoje a Finlândia externou sua oposição ao acordo de sexta.

 

O ponto central da discórdia  é o uso do novo mecanismo de defesa da Estabilidade do Euro, o ESM, para recomprar dívidas e frear especulações com os títulos das dívidas públicas dos países mais afetados. A Finlândia se opõe, inclusive na mensagem ao parlamento do país a recomendação do primeiro ministro Jyrki Katainen, foi a não aprovação, com a indicação de que lutará pelo veto, buscando mais parceiros para sua posição, como primeiro ministro da Holanda, que se pronunciou contra, mas não se opôs no seu parlamento.

 

O reflexo desta resistência finlandesa é que a euforia das bolsas de sexta, dão lugar, hoje, a uma certa cautela, principalmente com o anúncio de que o governo da Finlândia, de extrema-Direita, vai se opor aos termos do acordo. Segundo o El País: “O anúncio do Governo finlandês, que tenta bloquear um dos pontos-chave do acordo alcançado entre os 17 países do euro para tentar superar a crise foi uma ducha fria para a dívida da Espanha, que tem uma visível melhora moderada após a notícia”. Parece claro que haverá uma resistência, provável que seja a Finlândia uma ponta-de-lança da Alemanha.

 

O recuo do prêmio de risco espanhol, que foi significativo na sexta, hoje volta a preocupar, esta resistência da Finlândia foi uma ducha de água fria, mas não só ela, há resistência na Alemanha, meu amigo Sergio Rauber me informa que algumas ações foram impetradas no Karlsuhe( o STF alemão) contra os termos do acordo. Na verdade desde de quinta tem um debate no país de que qualquer novo acordo, não pode o Bundestag (Parlamento) aprovar, pois modifica essencialmente os termos de adesão ao Euro.

 

A batalha é política e jurídica, Angela Merkel e sua equipe, entendem que a aprovação por 2/3 do Parlamento, seria suficiente para validar novos acordos, esta foi a tese que o Karlsuhe adotou quando da criação do antigo fundo europeu, pode ser que agora interprete de forma diferente, ainda hoje, publicarei um artigo de Charles Hawley, sub editor de assuntos internacionais da  Der Spiegel, que aponta o caminho do referendo como saída para novos acordos, que Merkel já trabalha com ele, como a possibilidade maior.

 

É preciso dizer que Merkel, apesar dos recuos, na última semana, cresceu em popularidade no país, o que parece natural, pois diante de uma crise terrível, os efeitos desta crise não atingiram a sociedade alemã como um todo, pelo menos ainda. A condução dela é avaliada como positiva por 85% dos alemães e seu desempenho geral em 64%. Próximo ano terá novas eleições, mesmo com o avanço dos Sociais Democratas, Merkel continua favorita à reeleição, a diferença é que não teria, se fosse hoje as eleições, a maioria estrondosa.

 

A reação da Finlândia, depois da Holanda perante o acordo, terá novo embate na próxima reunião do BCE, nesta quinta feira, que de acordo com o El País, será decisiva: “Próximo ao acordo europeu, os investidores também estão apostando suas compras com foco na reunião de quinta do BCE. Nele, o Banco Central do euro poderia decidir, entre outras coisas, colocar a taxa de juro de referência na zona do euro para abaixo de 1%, desconhecido até o momento. Ao baixar o  custo do dinheiro, o BCE, presidido por Mario Draghi  visa promover a recuperação econômica e lidar com uma recessão em alguns países como a Espanha e como reconheceu ontem o ministro da Economia, Luis de Guindos, está sendo pior que o esperado”.

 

Muita água ainda vai rolar, muitas emoções nos esperam, acompanhemos!!!

 

0 thoughts on “Crise 2.0: A Finlândia contra o acordo do Euro”

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: