Novelos e Fios - Ligar, Religar, Labirintos da Alma

Novelos e Fios – Ligar, Religar, Labirintos da Alma

"mais tarde, todavia, ele deverá sofrer tudo quanto
 AÎSA fiou para ele, desde o dia em que sua mãe o deu à luz". 
(Ilíada, Homero, Canto XX, 125-128) 

Nunca quebrei um braço ou perna, ou tive qualquer doença mais grave, nada ou algo que deixasse feridas, que possam ser reabertas, uma vida, até pouco tempo, incólume. Mesmo as feridas da alma, estive livre, sem que pudesse revelar traumas ou angustias, não era um conto de fadas, muito menos um calvário. Uma simples passagem, sem dores ou marcas, físicas ou psicológicas, mais feliz que infeliz. Estranhamente calma, invisível, ou pouco visível. Olhando daqui, ótimos e maravilhosos períodos, outros nem tanto.

Mas quando “quebrei”, não podia ser qualquer coisa, produziu uma “fratura exposta” a soma de todo e qualquer mal, recaiu cobre mim, de forma inequívoco, a perguntar sempre: Do que você é feito?  a cratera se abriu, uma parte de mim vive, outra, apenas sobrevive. Todas as dores eu senti, nasci e morri, várias vezes renasci, as idas e vindas, daquilo que não produziu uma ferida aberta, posto que o invisível é mais dolorido.

Sem saber passei a viver várias vida, na mesma, sem sair ou voltar a primeira, daquele continuo e estável modo de ser, há esperança que acorde, perceba que tudo não passou de um longo sonho/pesadelo. Mas, com certeza, a dor da ferida, da “fratura exposta” só será curada, quando acordar e olhar mais uma vez para trás. Tudo o que se passa, hoje(sic), é estranho e desconexo, nada se parece comigo, ou com o que sou/fui, mas vamos levando em frente.

As coisas que tinham valor, peso, força, parecem tão pequenas, leves, nem sei mais o por que da antiga importância, agora reaprendendo a ler o mundo, se é possível. A confusão de tudo, pode me fazer melhor, ou não. No meio desta experiência, lá de longe, começo a pelo menos negar as coisas que não preciso mais, nem quero mais ter, parece um bom caminho para seguir, Negar. Quando souber o Sim, abandono o Não, aqui direi.

De tudo que me leem, separem o real, da fantasia, aproveitem apenas o o que lhe sirvam, joguem fora o que não tem valor para si.