Antes de Partir

 

 

Jack Nicholson e Morgan Freeman

 

Ontem revi, quase todo, o grande filme “Antes de partir”( The Bucket List), na TNT, infelizmente um canal a cabo que teima em cortar o filme de instante em instante, um absurdo. Mas, como o filme é excelente, resisti. Para variar, chorei de emoção várias vezes, o tema doença grave, hospital, entrou em minha vida não faz muito tempo, então procuro não ver filmes, para não reviver os momentos mais dolorosos do tratamento da minha filha(600 dias depois). Mas, enfim, a história de ontem valia a pena.

 

Edward Cole( Jack Nicholson) é um milionário do ramo hospitalar, mas especificamente, um investidor privado que compra hospitais públicos que são privatizados, administrando-os de forma leonina. Começando por um conceito, que ele faz questão de ressaltar: “Para cada quarto, dois leitos”. Por azar do destino, Edward sente umas dores e é internado, diagnóstico: Câncer, pior, espalhado pelo corpo, já tendo atingido o cérebro. Cirurgia de urgência.

 

Ao sair da cirurgia tem que dividir o quarto, conforme seu preceito, com outro paciente, também com câncer terminal. A primeira revolta, reclama com o aspone , por que divide o quarto? ele que privacidade. O Aspone, responde: “Mas o senhor defendeu nas TVs quarto duplo, como ficaria para empresa,se exigir ficar sozinho? “. Ele retruca: “porra, eu nunca fui doente”. Ao acordar dá de cara com seu “colega”de quarto: Carter Chambers(Morgan Freeman), negro, pobre, que está num bom hospital apenas porque se submete a um tratamento experimental.

 

A relação começa conflituosa, própria do espírito de cada um, mesmo dividindo o mesmo quarto Edward tem médico exclusivo, comida especial, entre outras coisas. porém, Carter, tem visita de esposa e filhos, além de lidar melhor com o dilema da morte. Os diálogos são cortantes, que acaba quebrando a distância, no extremo da vida, pobre ou rico, acabam por refletir sobre o que fazem ali, se expondo a tratamentos radicais. As fraquezas do corpo e da alma são colocadas à prova, assim como a própria dignidade humana.

 

Carter recebe seu diagnóstico definitivo, seu tratamento só lhe dará um ano de vida, no máximo. Ele rabisca as coisas que faria, se fosse possível, antes de partir. Edward acha a lista e, para variar, zomba da lista, eles discutem, mas chegam a um acordo, de que podem melhorar a lista. Edward propõe que ambos cumpram os itens juntos, pois estão mesmo no corredor da morte, deveria enfrentar aquilo juntos, o destino os colocou naquele quarto, nada melhor que ter um fim mais digno.

 

Carter se empolga, mas entra em conflito com a esposa, juntos há 46 anos, três filhos, uma vida construída com o óleo e graxa de carros, enquanto ela era enfermeira de hospitais. Os filhos todos bem criados, uma vitória sem dúvida, apesar da árdua vida de ambos. Mas quando a filha mais nova vai embora, a vida se torna vazia, advém a doença, agora o tempo curto. Mas, Carter, quer fazer algumas coisas que não teve como pela luta de trabalhar sempre sem nada sobrar, a proposta do amigo é tentadora. Ele aceita, mesmo com a esposa contrariada.

 

Eles partem para uma aventura, Edward com 69 anos, rico, milionário, quatro casamentos, mas confessa que o único que deu certo foi com trabalho e o dinheiro, desde os 16 anos viu nestas duas coisas a motivação de viver. Carter, 66 anos, construiu uma vida de trabalho simples, mas que criou muito bem os filhos, no entanto os sonhos de virar professor de história, intelectual foram perdidos no tempo e na luta pela sobrevivência. Agora estão ali, pulando de paraquedas, dirigindo carros em alta velocidade, no meio de um safari, ou num hotel de luxo em Paris.

 

A amizade, o respeito entre eles cresce, as falas são excelentes, os debates sobre vida, deus, a morte. Duas cenas são as mais intensas, para mim, quando jantam num restaurante chique em Paris, ao fundo toca Piaf. Edward diz que vem sempre aquele restaurante, mas é a primeira vez com um homem, fala das ex-mulheres, de uma filha, sobre deus, crença. A outra cena marcante, ambos admirando as pirâmides, Carter fala que os egípcios acreditavam que ao morrer chegavam na mundo dos mortos e tinham que responder a duas pergunta: 1)” Eu encontrei alegria em minha vida?”
2) “Minha vida trouxe alegria a outras pessoas?”. As questões são respondidas por Edward.

 

O filme é instigante, dois craques, atores maravilhosos, papeis fortes, um texto inteligente, cheio de ótimos diálogos e reflexões sobre o sentido da vida, quem não vi, vale ver, se der sem pela TNT, perde muito, com os cortes, pelo comerciais.

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

 

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