Crise 2.0: Mercados – o oráculo moderno

 

 

“Tudo o que se procura, será descoberto;  e aquilo de que descuramos, nos escapa”.

(Édipo Rei – Sófocles)


O fim de ano se aproxima com ele o frio inverno europeu, o natal promete ser um dos mais tristes dos últimos trinta anos, as perspectivas futuras cada vez mais indefinidas e, em alguns casos, piores do que deste ano que se acaba. A Crise 2. 0, como estamos denominando a atual crise de superprodução de Capital, parece que não dará trégua alguma aos trabalhadores, que em última analise é quem pagará mais caro por ela.

Mas, mesmo no lado do capital, a coisa não está muito fácil. O rolo compressor da aliança franco-alemã começa enfrentar dificuldades, a estratégia de passar por cima de todos, e em muitos casos tirando proveito da debilidade de alguns países, enfrenta as primeiras críticas mais pesadas, em seus próprios países.

 

O Deus Mercado – e seus intérpretes

 

(Tirésias – o Adivinho)

Um longo artigo da revista Alemã Der Spiegel, publicado hoje pelo Estadão ( Por que o triunfo de Merkel sairá caro) é devastador para a imagem triunfante da Chanceler Alemã. A revista dar um panorama de como foram os bastidores da última cúpula, de como os dois, Merkel e Sarkozy, impuseram à força todos os acordos, inclusive impondo mudanças que a constituição veda.

O gosto pela força, quase de guerra, amedronta os demais membros da UE, os acordos são impostos de forma implacável, mas deixam marcas profundas, nas palavras do Presidente de Chipre, Dimitris Christofias:

“Na verdade, teríamos que armar uma revolução contra Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, mas todos nós necessitamos dos dois para alguma coisa”

A Grã-Bretanha foi praticamente expulsa, criando uma hierarquia bem clara: 1) Membros do Euro; 2) Membros do bloco UE, que devem aderir ao Euro; 3) Od demais que podem perder o status de membro da UE. Foi esta situação de levar ao limites as negociações com Cameron, feitas apenas por Merke e Sarkozy que dá um ar de terror nas relações na Europa.

Para além da política de salão, a Der Spiegel deixa escapar o que realmente interessa a nós, que fazemos uma leitura à Esquerda, e a eles o Capital:

“Mas, em primeiro lugar, os investidores terão que estar convencidos de que as medidas serão aprovadas são de fato suficientes para salvar o Euro. O chefe do Fundo de Estabilização Financeira, o economista alemão Klaus Regling, diz ter observado um certo ceticismo quando conversou com investidores pelo telefone na noite da cúpula. Ele lhe disseram que querem reduzir a Exposição”.

O Sr Klaus Reglinga, como se fosse Tirésias modernos, o que me lembra os adivinhos antigos, que ao consultar os oráculos dos deuses (os investidores, os mercados), interpreta as respostas aos seus governantes de como agir diante da vontade das divindades. Só assim a sorte benfazeja pode ser propícia ao país.

As cortinas se fecham mais uma vez..

 

0 thoughts on “Crise 2.0: Mercados – o oráculo moderno”

  1. Minha nossa! O deus-mercado o salvador? Seria o suprassumo do clímax da ironia de nossos tempos!!!!!!

    ED o cidadão cipriota, hein? Que melancólico…

    1. Mari,

      Nem mencionei os “esporros” que Merkel deu em Durão(molão) Barroso e no Presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompoury (este,segundo relato da Der Spiegel, implorou para que Merkel aliviasse o pacote).
      Alemanha, como CEO da Europa, na pessoa de Merkel, ainda não precisou de tanques…

      Arnobio

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