Henrique IV:Parte I – Falstaff

 

“Uma coisa te peço, meu querido, quando fores rei — conserve Deus tua graça — majestade, queria dizer, porque o certo é que isso de graça nunca terás nenhuma.”

 

(Falstaff)

Tema: Drama Histórico, luta pelo poder e comédia mordaz

Resumo: O jovem príncipe Harry, vive na farra, com seu amigo Falstaff, pouco se importando pelo o que se passa no castelo e a luta pelo poder, mesmo sendo o principal herdeiro do trono inglês.

 

Passado Anterior

 

O Rei Ricardo II assume o reinado inglês, cercando-se de corruptos, exila por 4 anos seu primo Bolinbroke, um potencial rival ao trono. João de Gaunt, tio de Ricardo II e pai de Henrique Bolinbroke, morre, porém sua fortuna é expropriada pelo Rei, aconselhado pelos conselheiros corruptos.

No exílio Bolinbroke é informado de que sua herança fora surrupiada pelo Rei, ajudado pelo duque de Northumbeland e seu Filho Hotspur (Henrique Percy) lidera uma rebelião contra os atos de tirania de Ricardo II. Durante o combate o Rei é derrotado, renunciando ao trono. Bolinbroke sobe ao trono com o nome de Henrique IV, o primeiro Rei da casa de Lancaster.

 

O Livro


 

 

Henrique IV chega ao trono, substituindo Ricardo II, mas enfrenta uma rebelião de Gales e Escócia, suas tropas comandadas por Henrique Percys vão ao campo de batalha para reconquistar os dois países rebeldes.

Henrique Percy, conhecido como Hotspur, vence mais uma vez as batalhas campais, mas se recusa a entregar ao Rei os líderes ingleses, Montmer e Glendower que se juntaram aos rebelados. Montmer era cunhado de Hotspur, além de ser um herdeiro do trono, pois quando Ricardo II abdicou ele era seu sucessor.

Hotspur revolta-se contra a autoridade de Henrique IV, foge de Londres e passa a liderar a oposição, que quer nomear Montmer Rei, pois alegam que este foi obrigado por Henrique IV a nomeá-lo, sem respeitar seu direito ao trono. Hotspur se une aos escoceses e galeses em nova rebelião pelo trono.

 

Alheio a tudo que se passa na casa real, o jovem Henrique Monmouth, vive na farra, se junta a uma trupe de pequenos golpistas e beberrões liderado por Falstaff, conhecido arruaceiro.

FALSTAFF — Mas dize-me uma coisa, delicioso pândego, quando fores rei, ficará de pé alguma forca na Inglaterra? E será a resolução maltratada como hoje em dia, pelo freio enferrujado dessa antiqualha que se chama lei? Não enforques nenhum ladrão, quando fores rei.

PRÍNCIPE — Não; tu o farás.

FALSTAFF — Verdade? Oh boniteza! Por Deus, vou dar um juiz admirável.

PRÍNCIPE — Começas julgando mal; o que eu quis dizer é que tu próprio enforcarás os ladrões, tornando-te, assim, excelente carrasco.

 

A amizade desta dupla improvável rende aventuras engraçadas e uma péssima fama ao jovem príncipe. Enquanto o trono está em perigo ele se diverte com Falstaff e trupe, aplicando golpes e provocando brigas nas tavernas mais sujas londrinas.

 

Convocado ao palácio, pois seu pai já não tinha boa saúde, Monmouth, é cobrado para assumir seu lugar no palácio:

REI HENRIQUE — Não sei se Deus assim quis que se desse em seu desígnio oculto, por alguma falta de minha parte, que a um só tempo me nascesse do sangue a pena e o açoite. Mas em todo o decurso de tua vida fazes-me crer que estás assinalado para a vingança ardente e atroz vergasta de minhas transgressões. Se não, responde, como paixões tão baixas e selvagens, ações de tal vileza, impuras e ínfimas, tão estéreis prazeres, sociedade tão soez como aquela que freqüentas, a nobreza do sangue te acompanham e ao teu sentir de príncipe se igualam?

PRÍNCIPE — Se Vossa Majestade consentisse, desejara poder justificar-me de minhas faltas todas como tenho certeza de apagar muitas de quantas se me atribuem. Por isso vos imploro que depois de eu destruir muitas das fábulas que chegam ao ouvido da grandeza por vis novidadeiros e risonhos bajuladores, venha a ser perdoado graças à confissão de alguns deslizes que não nego e em que a minha mocidade mal dirigida e irregular, se tenha porventura extraviado.

REI HENRIQUE — Deus te perdoe. Contudo, Henrique, admiro-me de tuas afeições, que em direção contrária o vôo soltam à de todos os teus antepassados. Já perdeste teu lugar no Conselho, ora ocupado por teu irmão mais moço, e te tornaste estranho a toda a corte e mesmo aos príncipes de meu sangue; a esperança e expectativa de teu futuro se acham arruinadas, não havendo ninguém que na alma deixe de prever tua queda inevitável.

Diante da crise de sucessão, se junta ao irmão, João de Lancaster, vão ao campo de batalha enfrentar as forças do grande guerreiro Hotspur. Com estrondoso sucesso na batalha volta já feito homem ao lar.

 

Comentário sobre o Livro

 

 

A figura, fictícia, de Falstaff, já vale a leitura deste livro, os diálogos entre ele e o príncipe são cheio de humor e verdades mordazes. Falstaff talvez seja a maior criação original de Shakespeare, alguns opinam que a construção deste personagem é superior à Hamlet.

Nos dramas históricos de Shakespeare não há qualquer paralelo de personagem criado para demonstrar a vida de fanfarrão do jovem príncipe, porém ele cresce se torna tão grande quanto sua gordura e, nesta parte I, é o centro do livro, sem dúvida. Aqui também cabe ver a mudança de comportamento de Henrique Monmouth, do jovem meigo e brincalhão ao Rei forte e ambicioso que luta sem escrúpulos para manter o trono. ( será que lembra alguns políticos de Hoje?)

 

http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/henry4.html

 

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