FHC: A Democracia sem Povão

O mais novo deboche que FHC fez ao povo brasileiro foi inaugurar uma nova fase na cultura política de seu partido: A Democracia sem Povo, ou em suas palavras – Povão – esta massa ignara que tem pouco ou nenhum discernimento político que é a presa fácil para partidos de esquerda. (ver Blog do Nassif – FHC: o político à procura de um discurso ). A Folha de S  Paulo lhe deu amplo destaque, pois , é a preparação de FHC lançar seu Portal de Política – ou seja – vai ensinar a fazer : Política sem Povo.

Por este raciocínio faz todo sentido, prescinde-se de “povão”, o ideal é concentrar esforços na elite, nas classes médias gerenciais, a partir delas se deve apenas indicar os números nas urnas eletrônicas que esta massa inculta votará. Por esta lógica para que eleição? Ou para que ir votar, libera-se e incute-se nas cabeças que a democracia não faz sentido algum, pois os ignorantes não a entendem.

Num clássico rompimento com as conquistas elementares de representação popular o príncipe da sociologia brasileira faz sua melhor reflexão, expondo a nu todo seu elitismo, sua visão autoritária e aristocrática de condução de uma nação. Os laços, até liberais, dos ideais da revolução francesa, são quebrados no novo modelo partidário e de conquista do poder. Ao escolher o caminho da “democracia” sem “povão” se despreza o sujeito social que é fim último de qualquer democracia real ou formal.

Ler mais um conjunto de obviedades, trasvestidas de pompa de intelectual pobre e burlesca, parecem um último suspiro do combalido PSDB e de seu maior representante. Mesmo na loucura, ele revela um método, nos diz Shakespeare, que é a busca diuturna para se criar uma casta, uma elite – política, intelectual e gerencial – que prescinda do Povão, foi assim em todo seu governo, em particular no desastrado segundo mandato, assacado na ameaça da desvalorização do real e medo de que Lula poria fogo no Brasil.

Rupturas no PSDB


Em significativa entrevista de rompimento com o PSDB, Bresser Pereira,( via Blog do Nassif Bresser-Pereira deixa o PSDB) fundador e um de seus maiores intelectuais, diz claramente qual a opção política e intelectual que norteou o governo FHC e seus desdobramentos sinistros com a perda da identidade nacional, era uma apologia cega ao mercado, uma certeza inútil de que a globalização no abriria o mundo.

Os primeiros anos dourados do Real deram lugar à crueza das crises dos tigres asiáticos e posterior crise russa, que abalou definitivamente a fé no mercado, com um agravante, os instrumentos de estado, tinham sido completamente destruídos, levou o Brasil a passar 4 anos de profunda agonia (Janeiro de 1999 a Setembro de 2003).

A herança maldita, a que Lula se referia, era uma combinação de estado desmobilizado com uma profunda crise econômica. Dívida pública astronômica, déficit publico, exportações engessadas e falta de iniciativa de buscar novos mercados. Setores inteiros completamente destruídos, como setor elétrico, com apagão e pouca expectativa de melhoria.

O artigo vai à contramão das maiores conquistas dos últimos anos, que foi a ampla incorporação de parcela significativa dos trabalhadores que vivia à margem do mercado, sem renda ou cidadania. Este “povão”, que FHC despreza, é que hoje faz a diferença do Brasil no mundo, é o legado de Lula.

A busca do discurso pela oposição já gerou seu primeiro fiasco, apesar do amplo destaque que a mídia dócil ao ex-presidente, afasta mais ainda a oposição da vida real da maioria da população brasileira. Continuam fazendo, agora assumidamente, política sem Povão, para uma elite bem determinada. Enfraquece a democracia de qualquer maneira a falta de maior qualificação do debate e do embate político e programático.

 

0 thoughts on “FHC: A Democracia sem Povão”

  1. É só o que tenho a dizer à torcida do jacaré:

    ” Este “povão”, que FHC despreza, é que hoje faz a diferença do Brasil no mundo, é o legado de Lula.”

    Li a matéria Lula e Bono. Fiquei emocionada, também.

    Claro que há muiiiiiito a ser feito. Mas já estamos no
    caminho.
    E somos mais. De nada adiantará a torcida do jacaré emitir
    energias negativas para cima do ideal do povo.
    Somos maioria esmagadora! Nossa energia é muito mais
    forte.
    E o que é melhor : sabemos as táticas dos adversários do
    Brasil e, isto, para Sun Tzu em A Arte da Guerra, é meio
    caminho andado.
    Na verdade temos bem mais que meia guerra ganha, pois
    confiamos no Governante do Brasil.

  2. Arnóbio, este sujeitinho é pedantemente ridículo, ou ridiculamente pedante, não sei qual seria a ordem certa destes adjetivos pejorativos no caso dele. Eu me sinto uma tonta, pois nos meus idos tempos de faculdade de economia(antes da guerra!!!) eu cheguei a fazer alguns cursos curtos de extensão com ele: era ele vir a BH e a tonta estava lá, torrando dinheiro para ver este sujeitinho falando.Só que, então, ele não tinha engolido o rei, ainda. Era mais simpático, mais simples, simulando ser de esquerda. No dia em que, solenemente, anunciou(depois de eleito presidente) “esqueçam tudo o que falei”, percebi que eu havia “rasgado dinheiro”, como fariam os loucos, a cada vez que assisti a cursos ou palestras proferidas por ele. Hoje, para mim, ele é mais um palhaço no cenário político, travestido de professor Emérito. Não vale a pena perder tempo com os delírios de sua cabeça malsã e senil.

  3. Revisitando Lavareda e a formação do Democratas. Não faz muito tempo, o antigo PFL pediu ao Antonio Lavareda um estudo sobre o sobre o eleitorado brasileiro e o perfil político programático do PFL. O resultado, todos sabem, foi a criação do Democratas. Um partido sem “povão”, dirigido para a classe média que míngua nas urnas a cada eleição.
    Gente deixa o FHC fazer o seu trabalho. As novas gerações agradecem.

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