Mundo Novo x Velhos Conflitos

 

 

Conflitos externos dos EUA: a tensão necessária

 

Este texto tenta apenas elencar elementos para entendimento da crescente onda de conflitos e tensões no mundo. Este fato é fundamental para vermos onde o Brasil se localiza na atual conjuntura e que política pode aplicar para este momento. As questões que desejo pontuar são:

1)    Quem realmente manda no Governo Americano Obama ou Hillary?

2)    Quais os desacordos entre eles?

3)    Qual a importância da indústria bélica americana para alavancar o crescimento do país?

4)    Por que é importante manter o tensionamento externo, em particular com o Irã?

5)    Qual papel do Brasil?

Pequeno recuo histórico


1)    Reagan e a vitória neoliberal


O ciclo neoliberal mais forte e ideológico americano deu-se durante o duro governo Reagan, que foi amplamente vitorioso na luta ideológico ao império soviético, como diz  Macbeth depois das revelações das bruxas”tudo que nos parecia sólido sumiu ao ventos como nossos anelos”.

Reagan conseguiu eleger seu vice, Bush Pai, respaldado pela vitória anti-comunista, sem inimigos claros no mundo. A base da economia americana no pós-guerra era a indústria bélica, bilhões de orçamento público era gasto para deter o inimigo vermelho, com seu fim ela em si perderia a razão lógica de existir. Se não havia contraponto no mundo para que manter algo surreal como ela?

Ledo engano, a pretexto de proteger suas posições no Golfo Pérsico, em 1991, Bush invadi o Iraque, seus leiais aliados de combate anti-iraniano. A mal sucedida invasão, do ponto de vista militar, pois não derrubou Sadam Hussein, reanimou a economia, não o suficiente para garantir um segundo mandato a Bush.

2)    Clinton e os anos dourados do neoliberalismo


Uma surpresa total para EUA foi a vitória de Clinton, ex-governador de Arkansas, estado pequeno e secundário nos EUA. Com uma trajetória de militância política em causas sociais, Clinton chega a Casa Branca e lidera por 8 longos anos um dos maiores crescimentos da economia americana, sem que houvesse um grande conflito externo. Favorecido pela liderança única americana no cenário mundial impôs uma política de expansão das empresas e influência americana baseada no dólar e no mercado financeiro.

Caminhava para garantir um terceiro mandato com Al Gore, seu vice, mas foi atingindo pelo escândalos sexuais, a direita americana pudica até uma tentativa de impedimento cogitou, safando-se por muito pouco. Esta perda de confiança fez com que não tivesse a coragem suficiente de enfrentar a fraude da família Bush na Flórida.

3)    Bush Filho a volta dos senhores da guerra


O episódio de vencer, sem ganhar, levou a uma mudança completa de atitude do Governo Americano, que experimentou uma defensiva externa, questionamento e foi atacado pela primeira vez em seu solo. Os episódios do 11 de Setembro de 2001 foi uma dura resposta tardia a presença americana no oriente médio.

Novo recrudescimento interno e externo deu uma nova guerra ao Iraque a família Bush, detentora de petróleo e amplamente financiada pelos lobbies da indústria bélica. O medo extremo imposto ao estilo de vida americano deu ao Bush Filho seu segundo mandato. Este porém foi um fiasco total, atolados numa guerra sem saída, a economia sem responder, foram 4 anos penosos, um novo “inimigo” crescendo silenciosamente(China) a financiar seu crescente déficit fiscal, culmina com um novo quase 11 de Setembro, 15/09, a quebra de todo o sistema financeiro americano.

4)    Obama o herdeiro do império

Obama surge do nada, ganha da favorita Hillary a indicação do Partido Democrata. Uma hipótese pouco cogitada leva um negro à presidência. Vitória de um outsider total. Sem um pé na máquina partidária, dominada pelos Clintons, Obama faz um acordo cruel, entrega a Secretária de Estado, ministério mais importante americano, a sua adversária Hillary.

Enfrentando uma crise sem precedentes, Obama mais ou menos dividiu seu Governo em dois, no front interno liderado por ele, tenta aprovar reformas na saúde e recompor a economia em frangalhos. No front externo entregue a Hillary e os falcões mais reacionários, como boa conhecedora da máquina de guerra, Hillary tem seu desempenho facilitada pelos crescentes conflitos advindo da ampla crise financeira mundial.

A dura visão do Departamento de Estado, dominado pela Direita dos democratas, escolhe seus “inimigos”, o principal deles o Irã, mesmo com o refluxo no Iraque a aventura no oriente médio ainda é prioritária, atende a demanda da indústria bélica, do setor petrolífero, do militares e dos falcões de Israel.

5)    Os novos atores


A crise mundial atingiu em cheio o coração das economias centrais, numa proporção ainda não medida totalmente, o fantasma de que a crise não passou e ameaça mais fica evidente com a quebra seqüencial de Grécia, provavelmente Espanha, Portugal e Irlanda. A Zona do Euro enfraquecia, abriu uma janela para que país como o Brasil com uma política externa agressiva brilhe no cenário mundial.

O mundo mudou rapidamente nestes dois anos, era inimaginável que um país absolutamente secundário no tabuleiro internacional como o Brasil, agora tenha um papel de protagonista, virou uma espécie de terceira via, diante de EUA, com sua visível débâcle e a China de amplo crescimento, sustentáculo da produção de base mundial.

Esta busca por um pólo democrático longe dos impérios pode e deve ser aproveitado pelo Brasil, até o momento tem sido muito bem ocupado este espaço, aparecendo na questão do Irã e sendo referência nas relações com seus parceiros mais pobres tanto na América Latina como na África.

6)    O que pode vir?


Desenha-se um conflito cada vez mais próximo, não com armas, mas com bastantes tensões entre nações como as coréias, conflitos internos fortes como na Grécia pela não aceitação dos ajustes econômicos impostos pelo Euro. A questão palestina hoje virou mais uma vez assunto devido a agressão do estado de Israel com a devida conivência americana.

Cada vez mais a presença destes novos atores ganhará importância se eles efetivamente apresentarem solução para crise e para crescimento, não adianta apenas belas palavras, tem que ter saída econômica efetivamente, nova base de produção e troca de mercadorias.

Engana-se quem acha que só o campo diplomático está em jogo, o Brasil não foi ao Irã apenas pelo acordo nuclear, aproveitou e fechou parcerias econômicas com Turquia e Irã, esta deve ser a dinâmica a ser adotada pelo Brasil se realmente quiser ser ator importante no novo mundo.

0 thoughts on “Mundo Novo x Velhos Conflitos”

    1. Stockler,

      Obrigado pelo comentário, o post foi feito graças a um debate com Altair Freitas, coisa de 30 minutos corridos, escrevi e postei para não perder o fio da meada. Precisamos debater mais e melhorar mais,

      Arnobio

  1. Prezado Arnóbio. Cada vez mais, sinto que Obama, viu, como Lula, que dirigir a nação para o rumo sonhado é difícil, e poucas vezes se chega a um porto seguro. Nos EUA as corporações mandam, e travam o timão, de modo q o capitão (presidente), de navegador passa a ser navegado. Muito difícil a alteração da rota conservadora.
    Méritos ao Celso Amorim, sério, corajoso e patriota, mostra que o BR pode.

    Abraço

  2. Quanto ao quem manda que me parece o fundamento disto,penso que prevaleceu o velho e não menos abjeto jogo da ku-kutz-Klan.
    Ingenuos os como nós que pudessemos pensar que o racismo incrustrado pudesse ceder lugar a algo mais nobre como ideologias…que nada irmão…é o lixo racista de sempre!

  3. Rapaz o papelão de Israel no domingo é memorável e mostra como os PODEROSOS ainda acham q podem tudo e que todo mundo acredita em CONTOS DE FADAS… acreditar que um dos mais treinados exércitos do mundo teve que matar 10 ‘supostos terroristas

  4. Rapaz o papelão de Israel no domingo é memorável e mostra como os PODEROSOS ainda acham q podem tudo e que todo mundo acredita em CONTOS DE FADAS… acreditar que um dos mais treinados exércitos do mundo teve que matar 10 ‘supostos terroristas’ armados de barras de ferro, madeira e uma faquinha de acampamento… é de CHORAR… Acredito q eles estavam com medo desses ‘terroristas’ começarem o 2o. Holocausto…

    Depois aproveita para falar um pouquinho sobre esse tema:’Israel’ que não assina o tratado de proliferação de armas atômicas, quis vender armas (‘que não tem’) pra África do Sul exterminar os negros na época do aparheid…

    Um abraço… tu é mesmo irmão da Bené…:)

    1. Grande Robson,

      Assunto Israel é o “quente” do momento, basta ver a posição da ONU e o pedido explicito de Hillary para que não tenha nenhuma condenação antecipada,pode?

      Abraços

      Arnobio

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