Arnobio Rocha Reflexões Ao Mestre Assis Filho

2183: Ao Mestre Assis Filho


Assis Filho, Newton, Leila, D. Argentina e Ecila, encontro de afetos, lutas e vidas.

Meu querido companheiro, camarada de lutas revolucionárias e democráticas, Assis Filho, faz a mais importante das lutas, pela sua vida. Assisinho é um guerreiro-zen, nada denuncia sua luta contra uma doença terrível, pois ao se conversar com ele nada lhe abate, ao contrário, sua enorme tranquilidade, nenhuma reclamação de dores, magoas ou aflições, nos faz ver sua grandiosidade humana.

Conheci-o nas reuniões de movimento estudantil, na segunda metade dos anos de 1980, ele presidindo o DCE da Universidade Federal do Ceará (UFCe), eu na presidência do Grêmio Livre da Escola Técnica Federal do Ceará (ETFCE). Juntos ajudamos a construir o Coletivo Gregório Bezerra (CGB), uma aguerrida organização de esquerda não petista (erro nosso, talvez).

O Camarada Assis Filho era uma liderança forte, persuasivo, extremamente inteligente e afetuoso, de caloroso abraços, que quebrava a tensão de tantas lutas, do medo de um país que passara 21 anos sob ditadura civil-militar, nós éramos da nova geração da política estudantil de Fortaleza, radicalizada e que estudava muito, nosso grupo tinha a alcunha de “ratos de livros”, um orgulho para nós.

Estivemos juntos em incontáveis manifestações políticas, a proximidade de organização e de localização geográfica entre a UFC e ETFCE, fazia que nos encontrássemos sempre, nas ruas, nos debates quentes, sectários, nas ocupações de reitoria, ou da casa do Diretor da ETFCE, em congressos, e nos embates do nosso CGB, fomos juntos para direção, viajamos para encontros e disputas políticas.

No fim dos anos de 1980, vim embora para São Paulo, pois a revolução era questão de tempo. Logo depois a queda do muro, a ruptura de nossa organização, acabamos nos afastando por mais de uma década.

Voltamos a nos encontrar no aeroporto de Congonhas, em 2004. Toda semana eu ia para Brasília representar a empresa que trabalhava nas reuniões da ANATEL, pegava o primeiro voo das quintas. Por coincidência, vi aquela figura conhecida na sala de embarque, um baita abraço e viajamos juntos, parecia que nunca tínhamos deixado de nos falar.

O agora Dr. Assis Filho já era uma sumidade na questão da água e recursos hídricos, estava indo para uma reunião na ANA (Agência Nacional de Água), depois uma reunião no Ministério do Meio Ambiente com a então ministra Marina Silva, sobre questões da água, chuva, seca no Ceará.

Desses pulos da vida, voltamos nos ver em janeiro de 2020, aqui em São Paulo, começo de seu tratamento, por intermédio da Zelinha, sua irmã. Desde então todos nossos encontros, conversas, se tornaram constantes, um rico aprendizado com um mestre, um intelectual de grande valor humano, de respeito pela vida, pela cidadania, de ideias geniais, reconhecido na academia e pela sociedade cearense.

Cada novo encontro desde então tem sido uma oportunidade, uma chance de conviver com uma figura ímpar, carinhosa e doce. Vários encontros na casa de Newton Albuquerque e Ecila Menezes, as longas rodas de conversas e de celebração da vida, nenhum sinal de tristeza, apenas de amor a vida, um exemplo para todas e todos.

Nesse momento, Assis Filho enfrenta bravamente as consequências de um tratamento pesado, cheio de idas e vindas, em que enfrenta com enorme coragem e mansidão.

A situação se agravou muito, ele precisa de nossa força, quem tem fé, reza, ora, quem acredita energia, emana, que puder pensar positivamente, ajuda. Mas também precisa de ajuda financeira, qualquer que seja, é nosso compromisso com a solidariedade e com a vida.

Beijos, meu irmão, Assis Filho!

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One thought on “2183: Ao Mestre Assis Filho”

  1. Um grande companheiro.
    Sempre muito cordial e comprometido com as lutas sociais.
    Sempre muito receptivo… sorriso largo…

    Força camarada.
    Muitas energias positivas.

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