Há Braços pelos Direitos Humanos


Advogados e advogadas nas ruas defendendo os Direitos Humanos.

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
(Tanto Mar – Chico Buarque)

Quase chegando ao fim da minha participação na Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, veio à mente tantos eventos e intervenções em que tomei parte e sinto uma sensação de que tudo valeu a pena, de que aconteceu no momento certo e mais trágico da minha vida, e, de certa forma, foi fundamental para ter gana para viver.

Claro, agora, ao olhar em retrospectiva, pensamos em que poderia ter sido feito diferente, saímos do zero, literalmente para uma construção de uma aguerrida ideia de defesa dos mais vulneráveis, sob o manto da OAB/SP e em parceria com o Sindicato dos Advogados de SP (SASP).

Pode ser que o trabalho foi incipiente, mas é fato que cada um de nós pode se sentir satisfeito (as), pois fizemos algo bom, honesto e de uma intensidade impensável para todos e todas, duvido que alguém imaginasse que chegaríamos aqui.

É importante ressaltar que houve uma gama incrível de troca de energias, ideias, vontades e mesmo depois de três anos nesse ritmo alucinante, quase sem nenhum dia de trégua, com uma pandemia no meio, que produziu centenas de milhares de mortes, milhões de sequelados (as), nos resta força e grande contentamento pelo trabalho.

As dores e frustrações dessas últimas semanas, de uma disputa eleitoral renhida, não quebraram os elos construídos, a vitória de termos convivido, aprendido, ensinado, errado e acertado, e seguir continuamente com um grupo de pessoas que passaram a ser uma família, de amigos (as), amorosos (as), briguentos (as), cheios (as) de marra e de coragem.

É uma das experiências de militância mais lindas que tive em minha vida, nenhuma outra se compara, senti o mesmo destemor e coragem de quando saí da periferia de Fortaleza e fui dirigente de Grêmio da Escola Técnica Federal do Ceará, depois a entidade de estudantes secundaristas da região metropolitana de Fortaleza, ali era apenas um garoto, de 15 aos 19 anos.

Descobrimos na prática como defender os Direitos Humanos com os problemas que se apresentavam, como atuar, o que fazer, como responder a tantas violências, violações aos Direitos Humanos, ao mesmo tempo em que a maioria de nós, lutava pelo pão de cada dia, uma realidade de empobrecimento material da advocacia, proletarização, precarização e perdas de direitos fundamentais.

Cada uma e cada um, não arredou o pé, viemos do início ao fim, não nos despeçamos com as eleições municipais, nem mesmo nas eleições internas, boa parte permaneceu e dará sua contribuição até o fim, pusemos um tijolo no muro da OAB e dos DH, e seguiremos lembrando com orgulho o nosso maior lema:

Há Braços.

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