A Subjetividade Humana vs “Novo Normal”

A liquidez da vida. uma subjetividade destruída pelo poder do Kapital

Perdido em pensamentos, na área de embarque (vazia) do aeroporto de Galeão, no Rio de Janeiro, cidade tão amada, a divagação sobre o porvir é inevitável. A fluidez das ideias e da natureza da vida, para muito além do conceito de realidade líquida.

Cheio de indagações e quase nenhuma resposta, tão típico dessa época e fruto desse tempo distópico.

Será que percebemos que em um ano apenas a vida como nós a concebíamos, já não existe e de que não há possibilidade de ficar falando de “novo normal” se não sabemos ainda o tamanho do rombo no casco desse Titanic à deriva, chamado também de nau dos desesperados.

Ainda que o conceito de “Normalidade”, mesmo de vida humana, fosse extremamente complexo e polêmico para se definir, dependia de diversos fatores, como o seu lugar na “cadeia alimentar” do Kapital, seus valores culturais (qual cultura? Ocidental?), o ambiente frequentado e a sua tribo, obviamente o país, a cidade e região em que habita e tantas outras variáveis,

Essa imensa equação e seus vetores que incluem ainda a sua cor, raça, sexualidade, religião, tudo isso vai dificultando a resolução matemática do que seria o contexto e conceito de Normalidade.

O que cabe perguntar: Existia uma Normalidade? E mais, por que se apressam tanto em criar a formulação “novo normal”, se nem sabemos o que era o “normal”?

Claro que todas essas questões e a urgência das respostas têm mais a ver com o Consumo do que propriamente dita uma nova construção subjetiva. Aliás, busca-se desesperadamente sair na frente e faturar hoje e no dia seguinte (se houver) da pós-pandemia.

Que novos comportamentos se criarão nessa relativa parada, pois, não esqueçamos, o “andar de baixo”, continua tendo que lutar pela sobrevivência de forma mais violenta, com desemprego, subemprego, precarizado, uberizado, sua mão de obra, quase sempre é “essencial”, então se arriscou todos os dias na pandemia e é/era isso ou nada, com ou sem lockdown.

A economia gerou mais bilionários e uma nova categoria, a dos trilionários, o clube está ainda mais restrito. A pandemia pôs o Estado à prova, houve uma clara divisão, mesmo no clube dos trilhões, de como conduzir o Estado, o negacionismo foi um ótimo negócio, de realização imediata, com efeitos deletérios para décadas, mas nesse grupo, ninguém se preocupa nem com a semana que vem, imagine anos, é realizar, e pronto.

A vida de toda sorte (ou azar) seguirá muito estranha, é essa a única certeza, as relações humanas, em suas várias camadas e estratos, serão mais complexas e de difícil assimilação.

Ao contrário da busca do “novo normal”, seria mais importante ter um norte de reconstrução e de ajustes de contras com a nossa totalidade, com a subjetividade destruída pela alienação e pelo fetiche da mercadoria.

É tarefa longa, caso sobrevivamos, para grandes debates.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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