#Lavajatogate: Narrativa e Fakenews, é essa a saída?

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Uma relação nada republicana.

“Ao vencedor as batatas” (Machado de Assis)

Pouco importa a verdade factual (by Mino Carta), o que interessa, não é de hoje, é a narrativa. Quem determina a versão, garante a predominância política, cultural e social. A versão pauliana de que a “verdade vos libertará”, talvez num campo religioso, esotérico, se sustenta e serve de um certo conforto do bem dormir.

Ao que vivemos, especialmente, desde a ruptura com a realidade concreta, e a líquida mensagem das redes sociais, que tanto seduziu uma parte da esquerda, percebe-se, agora, como nos fez e faz mal. O domínio dessa metalinguagem, sua apropriação e uso em larga escala nos fez refém de algo imaterial, antes a batalha era aparecer nos grandes jornais (alguns ainda se prendem a isso), no momento é estar no trending topics de notícias.

É por essa disposição, quase imbecil, que Trump e o bufão local, perdem mais tempo no Twitter do que numa reunião estratégica. A tática da comunicação de massas, sem nenhum compromisso com os fatos, é a última fronteira da barbárie.

Os processos judiciais continuam densos, petições, contestações, prazos, cheios de detalhes, sutilezas, teses, longos escritos e provas. Entretanto, depois da Lava Jato, tudo isso é secundário, o que vale é como você se articula para vazar, seletivamente, e falar fora dos autos, assim, conquistada a opinião pública, as favas os escrúpulos, tudo vale, inclusive condenar sem provas, para quê prova mesmo?

Diante do #lavajatogate, parece que a narrativa pode mudar, alguma racionalidade se impõe, pelo menos é o que esperava, não a “euforia dos corruptos”, no linguajar chulo do sofista do Andaraí, mas de que se voltasse ao Estado de Direito e a Democracia, ambos perdidos com a criminalização da política

Entretanto, os sólidos movimentos rumo à narrativa da vitoriosa máquina de fakenews das últimas eleições, foi colocado em ação, os desmentidos não são mais das frases, mas de contextos ou de que não representem os diálogos, mas o que se deve discutir, não são frases ou supostos diálogos, sim, as relações espúrias entre juiz e procuradores, essa relação de intimidade, é que destrói um processo e a noção de contraditório e de justiça.

O triângulo perfeito, de equidistância entre as partes e o juiz, sendo destruído pela proximidade e atuação conjunta, com instrução explícita do juiz para procuradores, contra os réus, em nome de quê? Agem com mandato divinal, pela Moralidade, combate à Corrupção? Assim, foi permitida a quebra da lógica do equilíbrio das forças e a imparcialidade do juiz.

Se o juiz/procurador tentam deslegitimar as denúncias, com a tática atual, típica das redes sociais, de não negar os fatos, mas construir uma narrativa paralela, disseminada nessas redes, para tornar uma “nova” verdade, a única que lhes interessa, a das fakenews, a da quebra da regras elementares do Direito.

Atenção máxima ao porvir, pipoca e olhos abertos, o espetáculo não pode parar, Sr Glen, contamos com isso!

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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