Convite: Celebrar a Vida e a Memória de Letícia.

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A doçura desse olhar, desse sorriso enorme,

“Ai mísero, sobejo hás padecido!
E a mim que te privei de extremos filhos,
Buscas sozinho? Entranhas tens de ferro.
Senta-te; ao luto agora devemos tréguas.
Viver sempre em tristeza é lote humano:
Existir sem cuidados é dos deuses.” (Ilíada – Homero)

As muitas dores se acumulam em nós, humanos, no tempo e no espaço, com os dardos adversos da sorte que não nos sorri. Essas coisas são próprias da existência de cada um de nós, com menor ou maior grau, não um único que não passe por turbulência, algumas mais violentas, outras, nem tanto, mas que podem derrubar do mesmo jeito, não há como escapar incólume.

Estar preparado é tudo, diz o poeta maior inglês, e nos açoita, porque não acontece de forma natural.

A questão que se impõe: Mas quem pode estar pronto para perder uma filha? Uma amada, querida e doce, já formada completamente, do ponto de vista intelectual e emocional, ainda que tão jovem, com toda aquela maturidade. Que ato violento é esse que se abate sobre uma mãe, um pai, irmãos quando se veem obrigados a ser privado desse convívio tão enriquecedor, que vontade ininteligível é essa?

Viver é um ato revolucionário, de profunda compreensão dos nossos limites, limitações e, principalmente, ter capacidade de se adaptar aos mais absurdos fenômenos que abreviam a nossa aventura na terra. Quase impossível manter a temperança, não cair em desgraça pessoal, sem praguejar contra D´us (aos que acreditam), ou à sorte, aos outros, como se achar um culpado, fosse aliviar a angústia.

Posso dizer que dói, machuca, martiriza, tudo parece perder o sentido, a dimensão humana, os bons pensamentos, são turvados por uma mágoa inexplicável, a fé que se perde em tudo e em todos. Nada será fácil, amanhã, depois de amanhã, quem sabe até o fim de nossos dias.

A reação, pessoal, é escrever, sem rancor, também é acreditar que devo seguir em frente, afinal o que tinha perder, já perdemos. O que podemos fazer de mais útil é honrar a memória de nossa filha, o que ela nos trouxe de felicidade, tudo que nos deu de luz, alegria, amor, sonhos e risos, só iremos retribuir o que ganhamos, se formos fieis ao que dizíamos e pregamos para ela, que era viver bem e feliz.

Pode parecer assustador, mas mantenho, nem sei como, alguma racionalidade, uma firme certeza de que não vou cair, que tenho muito para fazer, tendo a Letícia como uma luz e inspiração, para achar a felicidade, ainda que tudo conspire para tristeza.

Vamos ao sentido prático, dos próximos passos. A eterna alegria da menina que virou cristal será celebrada no próximo sábado, dia 24.11, às 18 horas na capela do Colégio Rosário na Rua Domingos de Morais, 2958, próximo ao Metro Santa Cruz.

Será uma celebração da vida, do amor, para que nos lembremos da felicidade irradiada pela seus olhos, pelo sorriso e principalmente pelas suas próprias palavras, que repetia para todos amigos em aflição: “Siga em frente e nunca pare de sorrir”.

Letícia era essa enorme figura, pois nos piores momentos, jamais desistiu de ser feliz, escreveu no seu diário uma resposta a uma questão, o que mais gostava de fazer? “A minha maior alegria é fazer alguém feliz”.

Sejam bem-vindos e juntos celebraremos essa pessoa maravilhosa, que só deu alegria ao mundo.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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