Cássio, a Arte das Defesas.

Cássio, o MONSTRO: uma defesa improvável e quase impossível

Por sorte e falta de dinheiro, fui ao jogo da quarta, 18 de julho, no setor sul, atrás do gol. Ali vi a maior defesa de um goleiro ao vivo, a poucos metros de onde estava, fiquei espantado com o que acabava de ver. Antes, Cássio, já tinha feito duas grandes intervenções, mas aquelas, foram duas em sequência mágica, aos 40 minutos do jamais vou esquecer. Mas tudo não começou na quarta.

Em 02 de maio de 2012, no Equador, o terceiro goleiro do Corinthians, Cássio, fez sua estreia, logo num jogo de oitavas da Libertadores. Quatro dias Júlio César falhara seguidamente num jogo eliminatório do Paulista e perdera a posição, mas a surpresa foi a escolha do desconhecido gigante escolhido. Aos 25 anos, tinha nascido no Grêmio e levado ao PSV da Holanda, sem se firmar, veio parar no Corinthians.

Naquele dia, nasceu, para o Corinthians, seguramente um dos maiores goleiros da história do clube, alguns já afirmam que é o maior de todos. Posso afirmar que da linhagem de Gilmar, Ado, Tobias, Carlos, Ronaldo e Dida, esses três últimos vi em campo, Cássio pode ser considerado o melhor, por suas defesas impossíveis e improváveis. Dida é o que mais se aproxima e Ronaldo pela identidade com a Fiel.

Enorme, desengonçado, feio para caramba, cabelo estranho, uma faixa na cabeça, nada lembra esses midiáticos jogadores que perambulam pelo mundo da bola. Mas a segurança que passa ao torcedor é algo inexplicável, as defesas sólidas dos últimos 10 anos, têm em Cássio o último recurso, ele raramente decepciona, ao contrário, garante resultados, especialmente em grandes jogos, os quase 2 metros, viram 4, assustando os atacantes.

A mítica defesa aos 17 do segundo tempo, nas quartas da Libertadores, Diego Souza avança sozinho rumo ao gol que acabaria mais uma vez com a obsessão alvinegra de um dia ganhar o torneio, tudo conspirava para derrota, o nervosismo dominava o Pacaembu. Tite expulso no intervalo assistia na arquibancada. Escanteio no ataque, erro de Alessandro. Diego parte, foram 8 segundos de silêncio mortal dos 42 mil torcedores.

A explosão da torcida, foi tão grande ou maior que um gol, ao verem que um milagre aconteceu, Cássio, com a ponta dos dedos evitou o desastre. Ali, o Corinthians carimbou o passaporte para Tóquio, se tudo desse errado, o goleiro garantiria, foi o que fez, parou o Santos de Neymar, campeão no ano anterior e parou o glorioso Boca Jr, o bicho-papão da Libertadores.

Cássio fez mais, ele simplesmente parou o ataque do Chelsea, cinco defesas espetaculares, mais o gol de Guerrero, fizeram do Japão uma extensão do Pacaembu. A maior de todos foi um chute cruzado de Moses, de mão trocada, o goleiro evitou o gol de forma incrível.

Voltemos à quarta, fim de jogo, escanteio para o Botafogo, cruzamento a meia altura, Cássio está mais próximo a primeira trave, desvio no primeiro pau, na risca da pequena área, novo desvio, a bola ia entrando no outro canto, Cássio se joga e tira a bola, os jogadores do Botafogo comemorando o gol, a bola sobra na pequena área para o atacante que dá um toque sútil, deitado, Cássio, estica o pé para cima e desvia mais uma vez.

Até agora revejo na cabeça e nos vídeos e não acredito, a mesma plástica de Banks, parando Pelé em 1970, ou a sequência de Rodolfo Rodrigues, das 4 defesas. Já vira coisas incríveis de Dida, do próprio Cássio, mas naquela noite, nada parecido. A torcida grita a razão de Cássio ter ido à Copa, pena que não ter sido o titular, um monstro.

Momento em que o homem se torna mito. A descomunal criatura do herói.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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