A Fadiga Intelectual

A máquina para ou não…
“Meu talento inato não pode falhar
E com a brisa do Jardim eu hei de voar.”
(Ulysses, James Joyce)

Nesse janeiro estou completando três anos de muita pancadaria em todas as frentes (Pessoal, Profissional, Política e Intelectual). Todas, nada passou impune, absolutamente, nada. São situações que qualquer um sucumbiria facilmente, afinal, somos humanos, vamos recebendo as “Pedradas e flechadas do destino feroz”, sem lhes dá um fim, apenas seguindo em frente, até quando?

É preciso ficar claro, também que, assim como Coriolano, não vou mostrar minhas feridas e cicatrizes de guerra para angariar apoios e comiseração, o orgulho não permitiria, apenas sei o que sei, como sei dos desafios para continuar na toada, sem trégua,

O maior reflexo desse momento ruim, sem dúvida, foi o abandono literal desse blog, meu bom companheiro de tantos prazeres e lamentos, que funcionou tanto como desafogo, como realização pessoal, mas que hoje mal consigo abrir e dialogar, com ele e com alguns dos poucos amigos que visitavam minhas publicações, é uma constatação dura, mas necessária.

As coisas foram caindo num ritmo alucinante, nem dava tempo de receber uma porrada, levo mais duas, isso não é metáfora, antes fosse. A sequência de microtragédias se acumulou e me fez ficar à beira do estresse total. Um desânimo completo com o rumo que a vida tomou, que nem para desabafar vale a pena. As poucas energias estão sendo gastas para renascer das cinzas, como na canção do Renaissance, de que tanto gosto, ainda.

As poucas aparições têm sido em um ou outro post nas minhas redes sociais, que também não tenho feito questão de alimentar. A inércia política (ou seria preservação contra o pior porvir?) é dado real, corre pelo meu sangue e oxigena meu cérebro o debate, a luta, a pesquisa, mas não sinto esse pulsar, parece uma ordem inconsciente (ou será consciente) de que é preciso se recolher para sofrer menos?

Uma nova profissão, recuperar 9 anos “perdidos”, movido pelo vil metal e pelas necessidades mais urgentes e emergentes, cobram um preço altíssimo, a incapacidade de pensar/elaborar/fazer, o que só é compensada com o voluntarismo de ir à luta, buscar conhecer o funcionamento, como se relacionar com esse novo mundo, o que pode se conseguir dignamente e sobreviver.

E assim, seguimos.

Ella Fitzgerald & Louis Armstrong – Isn’t This A Lovely Day

5 thoughts on “A Fadiga Intelectual”

  1. Negócio tá brabo, Arnóbio? Tá sim, meu irmão. Mas é o que temos para hoje, o prato que está sendo servido. Daí, das duas uma: ou você o come caladinho, pensando no sonrisol que vai ter que tomar depois, ou joga a bandeja longe neste refeitório de quinta categoria, xingando o cozinheiro, o gerente, e sai explicando para os demais comensais o que é uma comida decente, o que você sabe fazer muito bem. Segura o estômago e vai em frente! Um beijo, meu irmão.

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