O Carnaval que não foi Carnaval…


Momo e seu desfile carnavalesco das festas bacantes.

Quase no fim do “carnaval” que não foi carnaval, mas funcionou como sendo carnaval, pois havia bailes, festas, aglomerações, congestionamentos monstros rumos às praias ou ao interior. Ok, mas não foi carnaval. Afinal não teremos a apuração dos desfiles e os berros dos locutores com o indefectível: 10, nota 10, Deeezzzz, quesito a quesito.

Isso fará falta (?), ou não, pois parece que os desfiles viraram apenas mais um detalhe no carnaval, embora seja muito importante por ser uma força econômica, que não foi realizada, como também não houve os desfiles de trios na Bahia, os blocos de Olinda. Nesse aspecto há um prejuízo econômico, principalmente para as comunidades que vivem em função desse momento, todos os movimentos associados às escolas de samba, blocos e trios.

Amanhã haverá a quarta-feira de cinzas? Pois não houve o Carnaval.

Irônico é que Momo, o sarcasmo, a deusa pagã dos gregos e dos romanos, sua festa dará lugar ao período da quaresma, o sacrifício do jejum, antes dos judeus, absorvido pelos cristão, que é a preparação para a Páscoa, também, comum às duas religiões, a segunda, derivada da primeira, ressignificando a passagem, a fuga  da escravidão do Egito, agora vista como a Paixão, morte e ressurreição de Cristo, o profeta para uns, o filho de D’Us na terra, aquele que veio trazer a redenção.

Para um mundo ainda sob Pandemia, dois anos de milhões de mortes e incertezas, as vacinas que salvaram o mundo de uma tragédia maior, mas não debelou a doença, pois continuar a matar, a fazer adoecer, debilitar e não dá muita trégua. Esse período de festas, no Brasil, ainda que tenha sido mais contido, não parece ter despertada a consciência de que é preciso se preservar, se resguardar contra a Pandemia.

Ao mesmo tempo, a tensão de uma guerra, estúpida como todas as guerras, apontam para uma situação mais grave do que a Pandemia, por todas as questões em jogo, nesse tabuleiro de gigantes, em que a humanidade é apenas um mero detalhe. O risco real de uma ameaça atômica é mais do que real, pela região de conflito, pelos lados envolvidos e pela incapacidade ou pouca vontade de um diálogo que supere o pântano, o atoleiro que o planeta está atravessando, mais uma vez.

Ora, por essas contradições, pandemia e guerra, viver o “carnaval” parece apenas um desafogo diante do que o mundo vive e aos riscos que a humanidade passou a viver com mais intensidade.

E “quem sabe um dia a paz vence a guerra e viver é só festejar”, como diz a canção.

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