O 1º Aniversário do GOLPE.

O Golpista-mor confessa as razões do Golpe, sem nenhuma vergonha.

“Deixai toda esperança, Vós que entrais” (Inferno, Divina Comédia, Dante Alighieri)

A percepção de que vivemos num país muito pior do antes do GOLPE, pode não ser ainda tão ampla, mas com certeza vivemos num Brasil muito mais cínico, mais hipócrita e com todas as cores da canalhice reinante. Um ano após a maior manifestação de demagogia por metro quadrado da história o que os bravos paneleiros e patos têm a nos contar? Primeiro a Dilma, depois… o Caos. Todas as mentiras e o clima de histeria coletiva foram substituídos por uma vergonha escondida, uns sussurros de um falso arrependimento, pela desgraça feita.

Os golpistas se locupletaram alegremente, com as mãos livres agiram feitos lobos numa caçada selvagem aos direitos dos trabalhadores, destruindo qualquer vestígio de que um dia, por um breve momento, esse país sonhou em ser uma nação livre, que teve a pequena sensação de inclusão, de emprego digno, com o acesso às universidades públicas e privadas aos mais pobres, aos marginalizados, para aqueles que jamais pensaram um dia serem “doutores”.

A selvageria não deixa pedra sobre pedra, a primeira coisa a ser desconstruída foi a Democracia, o Brasil vive um simulacro, uma farsa de que as “instituições estão funcionando”. A incerteza de que não haverá novas eleições presidenciais em 2018, ou em que condições restritas elas se darão. Isso demonstra o tamanho do desmonte Político que o GOLPE deu ao país. O silêncio dos hipócritas com a quantidade de ministros envolvidos em corrupção, do nefasto golpista-mor, entre os principais nomes também evidenciam a “pausa democrática” atravessada.

O Estado sem governo, entregue aos interesses escusos, com amplo apoio da mídia, não consegue apagar a imagem de desastre e desolação. O desemprego que vinha em crescimento e explodiu em um ano, atingindo mais que o dobro do ultimo ano, com mais 13 milhões de pessoas sem ter a menor ideia de uma futura recolocação. As políticas sociais sofreram cortes drásticos, o que torna mais dramático o quadro de desesperança, a insensibilidade dos planilheiros e rentistas transformou a classe trabalhadora em culpada pelo CAOS.

A entrega do patrimônio público, a falta de qualquer política de indução aos novos investimentos por parte do Estado, numa vaga esperança de que as empresas privadas assim procedam, coloca na ordem do dia de que não haverá recuperação econômica, nem tímida em curto prazo. As reformas aprovadas e as que estão na ordem do dia, são uma clara tentativa de tirar os últimos centavos dos trabalhadores. Trabalho mais precário, sem direitos e sem perspectiva de um dia se aposentar.

Esse é um drama amplo, mas nos restam perguntas incômodas:

  1. Por que não houve recuperação econômica se o problema era a Dilma?
  2. Por que a corrupção perdeu as manchetes dos jornais?
  3. Por que os escândalos são silenciados?
  4. Por que nenhum membro do governo é punido ou exigido que renuncie?
  5. Por que os Patos sumiram?
  6. Por que as panelas calaram?
  7. Por que ninguém comemorou o dia de hoje?
  8. Por que a pauta moralista só atingiu o PT e ficou por isso mesmo?
  9. Por que o país não tem nenhuma credibilidade internacional?

A situação geral é de vergonha alheia, não me venham com silêncio de inocentes, pois não há inocentes, apenas manipulação grosseira e agora ninguém quer admitir a sua participação nos eventos sórdidos. Ficam impassíveis diante da confissão de Temer de que Cunha deu o GOLPE como retaliação ao PT, por este ter lhe negado votos no conselho de ética que já discutia a sua cassação. Os hipócritas se calam e fica por isso mesmo, a confissão dita como piada, galhofa, para sorriso dos jornalistas amigos leais.

O Brasil está no Limbo, pronto para seguir pelos círculos do inferno de Dante.

2 thoughts on “O 1º Aniversário do GOLPE.”

  1. Parabéns, Arnobio!

    Uma bela contribuição reflexiva que merece ser observada, pois realmente a capacidade de indignação dos que bateram panela e da grande midia de nosso país, parece estar limitada ao PT, com uma seletividade nunca antes vista na história desse país.

  2. Arnóbio, foi você que nalgum texto citou certo autor para quem o Brasil não seria uma nação, mas apenas um mercado? Em caso afirmativo, eu gostaria que você me dissesse que autor é esse e qual o texto no qual ele faz essa afirmação. Desde já, obrigado.

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