Sexo – Um Fantasma que Assusta a Direita

Adão e Eva, por Ticiano.
“Do homem primeiro canta, empírea Musa,
A rebeldia — e o fruto, que, vedado,
Com seu mortal sabor nos trouxe ao Mundo
A morte e todo o mal na perda do Éden”
(Paraíso Perdido, John Milton)

Por volta de outubro de 2015 escrevi o texto que volto a reproduzir com alguns adendos, ainda incrédulo com o Projeto de Lei da proibição da Masturbação do Deputado evangélico, Marcelo Aguiar (DEM-SP), que sinteticamente quer proibir a troca de mensagens com conteúdo sexual, nudes, vídeos, para evitar “pornografia e a masturbação entres os jovens”.

Esse congresso reacionário sob o reinado machista do evangélico Eduardo Cunha continuado por Rodrigo Maia, aproveitou a onda conservadora que arruinou o Brasil, não apenas politicamente, destruindo a democracia, mas também para atacar os costumes e uma volta estúpida à idade média.

Vamos ao texto: Sexo – O Pecado Que Assombra os Cunhas.

“Ando tão desconfiado de tudo ultimamente, particularmente das pessoas que não têm pecados, pois assim me pergunto: O que fazem elas nas horas vagas (propícias ao pecado)? Essa dúvida me assalta ao ver um bando de demagogos, comandados por um fanático, pretensamente religioso, criar novos interditos morais, como se fosse restaurar qualquer fé perdida no mundo “moderno”.

Essa excrecência pudica que abala o congresso, que se reflete na sociedade, hoje se revela no todo com o tal “Estatuto da Família”, ou no projeto que dificulta e criminaliza ainda mais o aborto, inclusive aquele fruto da prática da violência sexual e estupro. O que me parece é que, no fundo, é o velho pecador querendo esconder seus “Pecados“.

São as trevas da idade média que estão escurecendo o mundo, em pleno Século XXI. Há um contexto e um ritual macabra sendo ensaiado no planeta, o Brasil não ficaria fora, dessa turnê do atraso”.

Ainda disse mais que: “Uma coalizão de oportunistas políticos que se somou aos fanáticos religiosos, em especial os pentecostais, numa reprodução canhestra da Direita Religiosa dos EUA, em terras locais, hoje domina o parlamente. Os versos de liberdade do poeta, parecem esquecidos, afinal “Não existe pecado do lado de baixo do Equador” , mas um novo moralismo quer se impor, aproveitando-se das condições políticas e do momento conturbado da conjuntura local.

A repressão sexual recairá sobre as mulheres, sempre elas, desde a primeira Eva, a punição é que elas não poderão JAMAIS pensar em ter sexo ou prazer. Mas também afetará aos “machos predadores” (lembram do Deputado Religioso?), que terão que conter sua compulsão sexual, pois tudo, não será mais permitido. A moral e os bons costumes, aparentes, virarão símbolo da hipocrisia institucional. Adeus, desejos mundanos.

Vamos instituir que é proibido Sexo, dentro ou fora do casamento, exceto os feitos com fins à procriação, nem que para isso seja necessário uso da força pelo Estado, aqui uma doce ironia, os mesmos falastrões que são contra o Estado, exigem sua Força repressiva). Até quando essa repressão se sustentará numa época tão distinta da idade média?

Os cunhas, malafaias e muitos outros inominados, duvido que conheçam os versos de Milton, mas os ecoam, sem jamais os entender:

“No mais senhores do universo Mundo:
Quem lhes urdiu a sedução malvada
Que os lançou em tão feia rebeldia?
O Dragão infernal. Com torpe engano,
Por inveja e vinganças instigado,
Ele iludiu a mãe da humana prole,
Lá depois que seu ímpeto soberbo
O expulsara dos Céus coa imensa turba
Dos rebelados anjos, seus consócios”.

Assim, ficamos nós, reféns dessa gente sem luz, contando os nossos pecados, enxergando desvios “marxistas”, “comunistas”, numa prova de ENEM, que traz o “feminismo pecador para corromper nossa juventude”. O fruto dessa paranoia nos levará ao gueto, em tão breve tempo, se não houver uma reação civilizatória urgente.

A sociedade não pode ficar à mercê desses “fiscais do pecado”, para que pratiquem suas vilanias na sombra.

Ainda dá tempo de reagir”.

Infelizmente não deu tempo, eles desceram com o caminhão ladeira abaixo. O projeto do deputado anti-masturbação se insere nessa lógica burra de reprimir, proibir, domar até as forças mais poderosas da humanidade, seus desejos e suas fantasias, tão naturais, quanto biológicas.

Fiscais de costumes, repressores machistas, homofóbicos, moralistas canalhas, de tão ridículos não será surpresa se em breve não vão decretar o fim da lei da gravidade, Newton não perde por esperar.

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