Marcatismo atacou a todos: Esquerda, liberais, intelectuais, artistas.

Marcatismo atacou a todos: esquerda, liberais, intelectuais, artistas.

“Se contar é doloroso, calar também me dói; de qualquer lado, desdita”. (Prometeu Acorrentado – Ésquilo)

No começo dos anos de 1950, nos EUA, o medíocre Senador republicano Joseph McCarthy, do Wisconsin, simbolizou a campanha conta a “onda comunista” em solo americano, como pano de fundo da Guerra Fria. Uma histeria coletiva de delações e listas de artistas, intelectuais que exerciam atividades “antiamericanas”, produziu perseguições, prisões, deportações e destruição de carreiras e vidas.

O Macartismo virou uma chaga na história dos EUA, mas vive se reproduzindo no mundo em escalas diferentes e em épocas bem determinadas. O alvo inicial sempre são os “Vermelhos”, os comunistas (por mais nonsense que possa parecer). O Brasil de vez em quando caí na mesma tentação desse comportamento canalha, francamente fascista.

Desde 2013 a horda fascista tem nos empurrado para o gueto tentam nos constranger publicamente e criminalizar nossas ideias. Essa onda destruidora conseguiu rapidamente a cassação de Dilma, a despeito de não haver qualquer crime de responsabilidade. Ela se consolida especialmente no judiciário, em maior relevo na condução fascista da lava jato que visa destruir uma corrente de pensamento político.

Pode não ser mera coincidência que a a base dessa loucura seja feita por delações e sempre seletivas e direcionadas a um único objetivo, nem há mais disfarce quanto ao que perseguem, o juiz-justiceiro disse com todas as letras: “Estamos em tempos excepcionais (…) De maneira nenhuma eu defendo qualquer excepcionalidade”. (Uol, 04/06/2016)

O governo golpista de Temer-Serra, com baixa popularidade e baixa credibilidade, lançou uma ampla campanha institucional com o lema: “Tirar o pais do Vermelho”. É um ato de provocação, de desrespeito político e perseguição generalizada a qualquer um que se identifique com as ideias de esquerda, que é simbolizada no Vermelho. Calar a todos, eliminar os focos de resistência e, assim, poder entregar o país ao FMI e às empresas estrangeiras.

Estamos à beira de uma ruptura violenta do que sobrou de democracia no Brasil e seremos nós (os Vermelhos) usados como desculpa para o ataque selvagem.

A repressão começa seletivamente, depois se ampliará a toda sociedade e aos comportamentos diferentes (sexuais, religiosos, sociais), que serão proibidos e perseguidos, diretamente, ou sutilmente, silenciar quem pensa diferente nas escolas (sem partido), no trabalho (demissões por ideologia) e no convívio social (isolar que é de esquerda). 

A questão é que esse ódio e a fome produzida por esse ambiente fascista não se contentará com os “vermelhos”, atacará todos diferentes.

Muito em breve qualquer opinião crítica será levada aos tribunais e sujeita à multa ou privação de liberdade. Recentemente Gilmar Mendes venceu duas ações francamente persecutória aos seus críticos, a ironia é que foi esse mesmo que acusou o PT de criar um “estado policial”. Vejamos: Tudo aquilo que diziam sobre os vermelhos que controlariam a imprensa e fariam um estado policial, eles fazem e farão violentamente.

Ontem fui acusado de fatalista, infelizmente só espero que esteja errado, mas não parece que esteja. Bem, agora chega, isso aqui não é muro de lamentações e também todos estão surdos, não adianta bradar mais.

Melhor calar e esquecer.