Meus amados pais e sues sorrisos.

Meus amados pais e sues sorrisos.

E hoje vamos encerrar nosso luto, não a saudade de nosso amado pai, a missa de um mês de sua morte que, na tradição cristã, herdada dos judeus, seria uma referência ao mês de luto que Israel guardou pela morte de Moisés. Purgada as culpas menores, a alegre recepção no campo dos eleitos, prêmio de uma vida marcada pelo amor e paz com a sociedade.

Muitos de nós têm em seu pai a figura mítica do Herói, o pai-herói, em especial no patriarcado e na sociedade machista. O pai (obviamente a mãe) é aquele que te deu a vida, que cuidou, lutou para que cada um dos filhos tivesse alimento, educação e saúde. Assumindo a posição de força, poder e proteção.

O meu pai, para mim, não foi um herói, na verdade eu vejo como humano e uma figura ímpar em minha vida. Nossa relação sempre foi de amor, alguns conflitos na juventude, admiração mútua e profundo respeito. Via nele um grande companheiro da minha mãe, um ótimo pai e amigo, nosso e de todos os que o cercava.

Desfilava seu humor, graça, causos, piadas, malícias e a sedução de suas histórias (estórias), era impossível ficar indiferente diante daquele matuto sabido. Intelectuais, mestres e doutores, que frequentavam nossa casa, ouviam-no com admiração e respeito, pelas suas palavras sempre cheia de espirituosidade e perspicácia, tão entremeadas de parênteses. Era encantador saborear as repetidas conversas, como se não as conhecêssemos, mas sempre parecendo tão novas. 

Mas devo dizer que ele se transformou enormemente como avô, concedo que a conversão, foi mítica. A dedicação aos nossos filhos era comovente, a incrível paciência, carinho que dispensava a cada um deles, que, politicamente, dizia que amava igualmente.

Era emocionante vê-lo contar aos netos sobre os tempos passados de seus familiares, da fazenda e sobre os valores da vida. Ensinar os netos a arte de dirigir um carro, para desespero dos pais, o ouvido apurado para cantar as marchas, como conduzir de forma leve e segura a direção. Ensinava a fazer queijo, coalhada e a detestar jaca, nenhum de nós comia por conta dele.

O merecido descanso do guerreiro, de uma vida cheia de arte, de problemas enfrentados com coragem e firmeza, pontuada de tanto amor, nos faz feliz e abrir um longo sorriso, pois era isso que ele sempre buscou, um sorriso de quem estava por perto. A saudade é grande, mas a memória não apagará todos os instantes de sorrisos.

Obrigado meu velho, valeu cada momento. As lágrimas rola sobre o teclado, mas o coração segue em paz, o Senhor Venceu.