Brasil: Um país em desconstrução.

Brasil: Um país em desconstrução.

“A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar!”  (Canção do Tamoio – Gonçalves Dias)

O Brasil é um país historicamente assíncrono em relação ao resto do mundo, isso o torna um caso muito particular, não cabendo análise muito simplista para explicar eventos e fenômenos tipicamente locais. Todas as vezes quando se enquadra o país num panorama muito amplo, a análise se desconstrói, o que dificulta um melhor entendimento do que realmente é o Brasil, seu povo e a noção de nação.

Talvez nossas raízes históricas possam explicar, um pouco, algumas dessas questões. Desde a invasão europeia e o modo como Portugal e Espanha dividiram as terras “descobertas e por descobrir”, pelo tratado de Tordesilhas, Ali, se legou ao minúsculo reino de Portugal, esse imenso território, uma flagrante contradição, até se pensarmos como ocuparia, pela força, a terra “descoberta”.

A efetiva chegada dos colonizadores vai se revelar um desastre, quase um passeio à lua. Os dirigentes enviados pela matriz cultivaram o hábito, um conceito, bem claro de nenhum compromisso com o lugar conquistado. Forjou-se um grupo bem específico, elitista, que historicamente dirigiu o Brasil.

Esse grupo, jamais desceu das caravelas, até mesmo com a vida da “família real”, não se alterou o conceito, ao contrário. Seus pés tocaram nossas praias, suas mãos sempre foram cheias de dinheiro, mas suas cabeças continuaram, nesses 500 anos, na Europa, seus descendentes, preferem os EUA (Miami, Orlando e Nova Iorque).

Parece que somos cronicamente inviáveis, a teimosia de construção de uma brasilidade nunca se completa, projetos de nação, nacionalismo, em geral, são rompidos por golpes e rupturas, comandados pelo “homens das caravelas”, rejuvenescido e guarnecido pelo império de cada época, antes a Inglaterra, hoje, os EUA.

A simbiose da elite local com o império, revela seu caráter canalha e entreguista, sua covardia e sua incapacidade de forjar uma nação independente, pior, destrói qualquer projeto que levemente pense em independência e nação livre.

A preguiça do Brasil está na sua elite, sua acomodação, seu modo mesquinho de cultivar um capitalismo sem risco, de culpar os de baixo pelas mazelas que ela construiu/destruiu ao longo dos séculos. O que assistimos hoje, não é uma exceção à regra, ao contrário, exceção são os períodos de democracia e de perspectiva de nação, povo e independência, no restante tivemos o modo autoritário de vida e das relações sociais de subjugar os mais simples, cuja maior expressão foi(ou é) a longa escravidão local.

Para todo pequeno avanço histórico, invariavelmente pagamos anos de retrocessos, uma descontinuidade que empobrece, oprime e imprime, em todos nós, uma marca (in)consciente de que “nunca vamos dá certo”, de que não haverá futuro.

As necessárias alianças com o passado: Getúlio, Juscelino, FHC, Lula, fizeram isso, só serviram para alimentar os “homens das caravelas”, para encher suas burras e eles se prepararem para entregar as riquezas para outro que “melhor administre”.

Pode ser um resumo cruel, mas ao ler todos os dias as medidas anunciadas pelo governo golpista de plantão (às vezes acho que o golpe foram os treze anos anteriores, pois eles foram exceção) a certeza que aumenta é que mais uma vez vamos fracassar, ainda que estivéssemos chegados perto de algo novo, mesmo com todas as terríveis contradições e erros graves cometidos, vamos apagar TUDO, mais uma vez.

Até quando, Brasil?