A divisão que pode levar a direita a vencer em São Paulo.

A divisão que pode levar a direita a vencer em São Paulo.

De novo Luíza Erundina usará de seu prestígio do passado, bem passado mesmo, para ser candidata ao cargo de prefeita de São Paulo, agora pelo PSOL. Claramente irá dividir a Esquerda, num momento terrível em que nos encontramos no Brasil e no mundo. A opção dela é de uma irresponsabilidade extrema, pois não se trata de uma eleição qualquer, pois aqui se definirá o futuro da esquerda no Brasil.

A trajetória de Erundina, depois de 1992, é errática. Primeiro se insurgiu contra a direção do PT e aceitou ser ministra de Itamar, um fiasco monumental, que durou seis meses e um profundo desgaste para todos. Depois de não ter mais espaço no PT, se bandeou para o PSB paulista, uma espécie de sub-legenda do PSDB, que seguidamente apoiou os tucanos, culminando com o atual vice-governador, Marcio França, ser do PSB.

Erundina manteve uma áurea de esquerda, na sua atuação parlamentar, em que se equilibrava entre o distanciamento do governo petista com pesadas críticas políticas e defesas de bandeiras históricas de esquerda. Ao que pese que seu partido, em São Paulo viva no governo tucano nesses últimos 20 anos, com a conivência dela, sem críticas públicas, um silêncio ensurdecedor.

No último ano, saiu do PSB e namorou várias organizações (Rede, Raízes) até fechar um acordo com o PSOL, o velho sonho de ser novamente prefeita, talvez, tenha falado mais alto. O cálculo frio leva em consideração o desmoronamento do PT, ainda que Haddad faça uma boa administração, que pode se tornar uma nova referência para a esquerda.

Também não se pensa no flanco aberto à direita, pois seus políticos que são tradicionais candidatos (Russomano, por exemplo) podem se aproveitar dessa divisão e vencer. O risco de derrota de ambos é grande.

Muitos de nós esquece a trajetória recente de Erundina, como se ela continuasse aquela prefeita dos heroicos anos de 1980, não é mais, nem o verniz esquerdista do PSOL, dará esse corolário, não encobrirá os seus acordos de ficar no PSB aliado dos tucanos. Sua candidatura está a serviço da divisão, nada mais, talvez para eleger um par de vereadores do PSOL, nada mais.

Lembro de um texto que escrevi em junho de 2012 (A Gota D’água – O Lado Terrivelmente Humano), quando a mesma Erundina havia acertado ser vice de Haddad e pulou fora, pois não tolerava a aliança com Maluf, esquecendo que ela tinha várias vezes estado ao lado dele nas candidaturas tucanas ao governo estadual. Ali, quase nos empurrou para derrota, criando mais dificuldades ao inexperiente candidato, Fernando Haddad.

O texto continua atual, pois a fixação antipetista dela, não é política apenas, é, antes de tudo, psicológica, do meu ponto de vista, jamais ela vai superar essa mágoa eterna. Lá disse: “Infelizmente ou felizmente, não controlamos a vida e seus mistérios, mas podemos antever determinadas situações, esta é uma típica, que subestimamos o lado humano, emocional, irracional. Preferimos e acreditamos no racional, na superação, quase sempre isto não acontece. Nassif diz assim, sobre o caso : “foi terrivelmente individualista”, completo e corrijo: Ela foi terrivelmente humana”.

Terminei assim lá e vou repetir, aqui: Simplesmente não consigo ter raiva, apenas um vazio terrível. A vida segue…