Dilma e a Luta contra o Retrocesso.

O Maior desafio de Dilma é politizar o embate com Aécio no segundo turno.
O Maior desafio de Dilma é politizar o embate com Aécio no segundo turno.

 

Estamos iniciando a grande batalha do segundo turno presidencial, a sétima disputa, em eleições diretas, pós-Ditadura e a quinta vez em que o PT é o maior protagonista, até agora venceu três e perdeu uma para Rede Globo/Collor. Entretanto, nesta eleição, é um enfrentamento completamente diferente, pois a luta é para evitar a “volta dos que não foram”, daqueles que nestes 12 anos ficaram à margem do governo, mas através do seu poder midiático sempre fustigaram e plantaram ódio e escandalizaram todas as ações dos governos petistas, agora parecem mais fortes.

Obviamente que não podemos nos julgar sem responsabilidade ou de sermos vítimas das tramas da mídia, que na prática SEMPRE se comportou como Partido Político e garantiu que o PSDB não se quebrasse completamente. Durante todos estes anos, especialmente após a queda do Muro de Berlim, o PT, maior partido de massas do mundo, a melhor experiência política organizada no Brasil desde as caravelas, buscou sua institucionalização completa, seus vínculos com a máquina do Estado, como perspectiva única de governar “melhor que os outros”.

Este caminho tem um preço alto, se por um lado é indiscutível os avanços dentro do Estado com várias políticas inovadoras e que incorporou amplas camadas da população ao mercado de trabalho, o acesso à renda, melhoria das condições de vida geral, principalmente dos mais pobres. Por outro lado o rebaixamento político das propostas mais amplas para sociedade de democratizar a comunicação, o enfrentamento dos desafios da participação efetiva, da educação política, dos debates sobre aborto, drogas, sexualidade, tudo isto foi empurrado para mais na frente, para evitar o confronto com o conservadorismo geral.

O resultado é que a reação conservadora se estabeleceu e nos aprisionou em sua lógica, pois não adianta gritar que trouxemos conquistas econômicas e sociais, pois, agora, sob crise, estas melhorias parecem não ser tão duradouras, aliás, a mídia no seu trabalho paciente de convencimento diário ganhou a batalha e grita mais alto e repete que vivemos o Caos, que tudo está desmoronando (o que é uma evidente mentira). Por não termos enfrentados o debate de frente e o politizado, ficamos reféns das variações da economia, neste momento difícil dela, viramos presa fácil, até um sujeito medíocre como Aécio parece “preparado” para fazer mais e melhor.

As jornadas de junho de 2013, em que milhões foram às ruas (As Revoltas Capturadas pela Direita), que em tese poderia impulsionar um governo democrático e popular acabou por acuar o governo e a militância. A resposta lenta e a falta de ação efetiva colaboraram definitivamente para que aquele movimento fosse capturado pela Direita mais conservadora, em grande medida criou-se um movimento “anti-Dilma”, consolidando uma visão de que ela era a culpada por tudo de errado que acontecia, não importando se a responsabilidade fosse do prefeito (aumentos dos transportes) ou governador (violência e repressão da PM), espertamente a mídia ajudou a espalhar a confusão.

O reflexo maior desta situação é eleição de um congresso pior do que o atual, o que criará enormes dificuldades, caso Dilma vença o segundo turno, os embates e os enfrentamentos no parlamento serão muito mais complicados, com a representação enorme de bancadas como a  evangélica, da bala, dos ruralista, etc. Apenas para Lembremos que este fenômeno não é novo,  o Maio francês de 1968, que sacudiu o país, e que a princípio fez Charles De Gaulle se refugiar na base francesa na Alemanha, com medo das manifestações, meses depois teve como saldo o fortalecimento de De Gaulle com ampliação de sua maioria parlamentar. Em tempos atuais verificamos o mesmo retrocesso na Espanha, Ucrânia e Egito.

Mesmo não sendo a hora de grandes balanços ou buscar culpados sobre o momento político complexo, não podemos fechar os olhos sobre os nossos graves erros, não podemos jogar nas costas dos outros o que é de nossa responsabilidade. Mesmo com pouco tempo, o segundo turno, será uma oportunidade de debater projetos políticos e de sociedade, de enfrentar não apenas Aécio, mas toda a mídia que lhe dá sustentação, cada vez mais de forma aberta e descarada, manipulando os números, escondendo informações importantes e dando amplo espaço ao seu candidato preferencial, Aécio.

É imperioso que Dilma politize o duro combate, que volte a colocar claramente que tipo de disputa está enfrentando, que não tenha medo de perder o embate, que ouse ganhar politicamente, pois o destino do seu segundo mandato estará ligado ao tipo de vitória que se conquiste. A questão não é de números de votos, mas de política e de consciência, a dúvida é se seremos capazes de vencer este enorme desafio.

Vamos à Luta!

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