O Método de Análise da Crise 2.0

A poesia concreta, o tamanho de nosso desafio.

“Se a sublime razão a nós o iguala,
Suprema força o põe de nós acima”.( O Paraíso Perdido – John Milton)

Abandonei algumas linhas de investigações do blog, principalmente a análise continuada da Crise 2.0, ainda não sei se me desmotivei pelo tema ou teria sido por conta da pouca repercussão? Bem, nem sei mais, mas o esforço depreendido era enorme, o calor, o debate, gerado era pífio, o que acaba se tornando cansativo, pelo menos mentalmente para mim. Pois tinha que ficar lendo três ou quatro jornais/revistas estrangeiras, sem dominar os idiomas, mas tentando buscar pequenos furos, que passam despercebidos.

Como nada se perde mesmo, todas as pesquisas, de como as fazia, tudo aquilo me ajudou a entender como funciona a mídia estrangeira, no tema de Economia Política, de como ainda produzem ricos estudos, o que passa longe da imprensa brasileira, pois raramente encontrava alguma coisa significativa feita aqui. Talvez seja por conta da falência de todos eles, da linha editorial adotada e de tratar todos os temas com a devida superficialidade. Talvez a pouca grana para pagar alguns especialistas e pesquisadores para que escrevessem com mais propriedade.

Poucos são os colunistas locais que merecem ser lidos, aqui não reclamo e nem busco por  imparcialidade, pois isto não existe, mas porque não produzem efetivamente algo decente e crível, pelo menos em Economia Política. Escrever não é uma atividade tão simples, escrever bem, texto bem estruturado é mais difícil ainda, assumo assim toda minha mediocridade, já me conformei em ser bom leitor, pois a arte de produzir, pelo menos com a qualidade desejada, infelizmente, não está comigo. Quem sabe não seja esta a razão central de não ter atraído mais debatedores?

O tema, Economia Política, também não é de domínio público e comum, por mais que tentasse trazer numa forma mais simples, para que se tornasse mais palpável, não fui capaz de fazê-lo, é fato. O blog acabou perdendo a sua mais profunda série, aquela em que dediquei meus melhores esforços, estudos, mas por outro lado, desta série surgiu o livro Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded, uma contribuição mais sistematizada sobre o que publiquei no blog, que foi publicado em formato digital aqui, por engenho e arte, de Marinilda e Esper Leon.

De vez em quando me sinto tentado a escrever mais algumas linhas, principalmente quando leio um artigo de Paul Krugman (Aqueles desempregados preguiçosos), uma espécie de sumidade no meio acadêmico e entre os economistas, pois tanta coisa que traçamos aqui, ele confirma com dados e observações, por exemplo, hoje a questão crucial do desemprego nos EUA e na Europa. O desemprego num patamar que continua num patamar três vezes superior a de antes de a Crise explodir, em 2005, como sempre reafirmo.

Nestes instantes, bate um orgulho enorme sobre o que fiz, de como avancei num campo tão complexo, mesmo sem tantos instrumentos ou preparação mais adequada, seguindo em parte os meus estudos do Capital de Marx, em outra parte a sensibilidade política adquirida na vida militante. Então vem uma ótima sensação de dever cumprido, uma esperança de que quem sabe um dia ainda voltemos a debater o livro? Até para saber de sua validade.

2 thoughts on “O Método de Análise da Crise 2.0”

  1. No que me diz respeito, Obrigado, Arnóbio!

    Espero que, apesar das dificuldades e do retorno aquém do que vc esperava, prossiga se inspirando, já que é difícil encontrar bons textos nacionais a respeito, como vc mesmo diz neste teu texto.

    Abraço!

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