A Construção de uma Seleção Campeã do Mundo.

David Luiz - Técnica e Garra, encarnou o Espírito Campeão
David Luiz – Técnica e Garra, encarnou o Espírito Campeão (getty images)

Acompanho Copa do Mundo desde 1978, portanto esta é a décima vez que me vejo sofrendo e vibrando com o maior espetáculo da terra. O Mundial é o evento mais imprevisível de todos, aqui sonhos e pesadelos convivem lado a lado, as coisas mais incríveis e inacreditáveis acontecem numa Copa do Mundo, posso citar dezenas de exemplos numa ou em várias. Apenas nesta Copa estamos vendo a história da pequena e gloriosa Costa Rica, aquela que entrou como saco de pancadas no “grupo da morte” e derrubou dois campeões mundiais (a multicampeã Itália e a  campeã Inglaterra), em que esporte isto aconteceria?

Numa Copa do Mundo, não há Campeões por antecipação, pois estes, “favoritos dos favoritos”, sofrem derrotas sem precedentes, como o Brasil de 1982/2006 ou a Argentina de 2002/2010. Mas também os desacreditados, meros figurantes, acabam campeões, como a Itália de 1982, que mal passou da primeira fase e arrancou para o título, o Brasil de 2002, depois de tantas confusões, fez um mundial perfeito no Japão/ Coreia do Sul. Claro que tudo não é mero acaso, apenas porque futebol é o único esporte em que nem sempre o melhor vence, ele dá oportunidades aos mais combativos e de espíritos decididos.

Quando se entra numa Copa do Mundo já se deve saber que a lógica formal e a racionalidade, devem ser postas de lado, pois raramente se tem um vencedor certo ou um jeito certo de se chegar ao pódio, os caminhos são duros e ilógico, sujeitos a toda sorte de percalços. Quem em sã consciência daria um dobrado pela França em 1998? Principalmente depois de quase ser eliminada pelo Paraguai, nas oitavas, em que acabou vencendo por magrinho 1 x 0 na prorrogação, não sem polêmica de favorecimento. Lembro-me bem que dizíamos, esta França morre nas quartas, foi por pouco um 0 x 0 com a Itália, vencida nos pênaltis, estava de bom tamanho, poucos dias depois, a Marselhesa embalou a seleção e num jogo espetacular goleou o poderoso Brasil(como dói escrever isto).

A Itália em 1990, com uma seleção razoável, acabou morrendo, em Nápoles, diante da Argentina, mais do que quebrada, jogando por um lance fortuito de Maradona, em nada lembrava aquela seleção da arrancada de 1986, que o mesmo Diego assombrou o mundo, com gols incríveis, jogadas fenomenais, que atropelou a todos que enfrentou depois das oitavas. Na Itália, a Argentina, parecia uma coadjuvante, mas eliminou o péssimo Brasil e a boa Itália, só parando na final, pois a Alemanha era mais time, mas precisou de um pênalti, no mínimo polêmico, para ser Tricampeã.

As histórias são tantas, as viradas dentro de uma mesma Copa, as oscilações, as mudanças de humor são a regra, não a exceção. Raramente se tem um vitorioso limpo e reto, pelo menos em todos os mundiais que assisti, desde 1978. A última campeã mundial, a Espanha, era uma incógnita, com uma geração excelente do Barcelona, vinha do título europeu, mas começou perdendo para “grossa” Suíça, depois venceu a fraca seleção de Hondura por 2 xo, o placar mais elástico da poderosa Espanha no mundial. Avançou vencendo o Chile por 2 x1. Nas Oitavas, Quartas e Semifinal, venceu respectivamente: Portugal, Paraguai e Alemanha por 1 x 0. Na final inédita, venceu a Holanda por 1 x 0, na prorrogação, com um jogador a mais em boa parte do jogo. Ou seja, não foi simples, como a mídia local tenta parecer crer, sem dúvida venceu, mas não foi um “passeio”, muito pelo contrário.

O destino desta Copa, como de tantas outras está na cabeça, em domar os nervos e os medos, o sentimento de obrigação de vencer, nem sempre é vitorioso, foi assim na Alemanha, em 2006, Itália, em 1990, para ficar nos mundiais em que estas seleções entraram como anfitriãs e com a tradição de vencedores. A França, campeã de 1998, em nenhum momento, muito menos na final, entrou como favorita ao título, mas se superou, teve aquilo que acho que é chave, o espírito de campeão, que não tem a ver com técnica ou tática, mas um estado de graça de atletas, comissão técnica e torcida.

A confiança se adquiri sabendo de suas forças e fraquezas, fazendo destas últimas suas maiores aliadas, pois se sabe que não somos invencíveis, mas podemos nos tornar. São poucos jogos, muitas dores, emoções e pressões, sobreviver é a maior lição, vencer não é obrigação, mas uma linda possibilidade. Avante, rapazes, divirtam-se, esqueçam as obrigações e apenas sejamos felizes, nós estaremos juntos em qualquer situação. Esqueçam a mídia, as aves de mau agouro, as aves de rapinas, pensem apenas neste povão que os quer bem e ama o Brasil e mais ainda nossa seleção canarinha.

#VaiBrasil.

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