Entre Dois Mundos.

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O amanhecer do Outono em São Paulo, anoitecer em Fortaleza.
O amanhecer do Outono em São Paulo, anoitecer em Fortaleza.

Cada vez que me preparo para ir a Fortaleza é como se tivesse a convicção de que será mais um mergulho ao passado, rever meus pais, irmãos, parentes, claro que é a parte boa, prazerosa, mas o incômodo do retorno ou das alternativas da vida, daquela pergunta: “E se…”. Simplesmente não é fácil ir, menos ainda voltar, não são apenas 3ooo km que nos separa tem muito mais do que a distância física.

É certo, verdadeiro, que no passado recente, este fluxo de ir e vir de São Paulo à Fortaleza era muito mais complicado, os preços de passagens, a disponibilidade de viajar, os compromissos assumidos tornavam mais distantes as cidades. Nestes últimos anos temos tido mais encontros, tanto meus de visitar, como os de meus familiares em vir até aqui, o que, de certa forma, acaba nos tornando mais próximos. Sem falar da facilidade de nos comunicarmos, nos encontrarmos em ligações telefônicas ou por redes sociais.

Tudo isto, sem dúvida, vai moldando um novo conviver, entretanto não muda a dimensão das coisas, o vazio dos sentimentos, as dores escondidas da saudade, não há solução para se viver em dois mundos distintos, de ter dois desejos distantes. A natureza vai mudando nossa existência, a mente vai se acostumando com as nossas escolhas e dando ordens objetivas para que vivamos com felicidade necessária, para nos adaptarmos ao que decidimos, sem nos torturar, por demais, no que vamos seguir.

Mas a alma, lá no nosso mais profundo íntimo, a pergunta se refaz, toda vez que vamos ou voltamos: “E se…” E se não tivéssemos nunca vindo, ou se tivéssemos vindo depois, com mais preparação. E se tivéssemos voltado depois de certo tempo. Como seria tudo isto, quais as respostas, jamais saberemos, ficaremos apenas na especulação, o que, no momento, nos causa um incômodo, certo medo, mas que não mudará nunca o que decidimos 25 anos atrás, aquela decisão não tem volta, nem questionamentos presentes, apenas existiu e de construiu, nada mais.

As dores e as alegrias de cada lugar serão guardadas conosco para sempre, cada vez que pudermos ir, ou receber nossos entes mais queridos, faremos com felicidade, como oportunidades que a vida nos proporciona de celebrar e ser mais felizes. É nota mental, agora escrita, sejamos todos felizes, em cada breve instante, então, Fortaleza, mais uma vez, aqui vou eu.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

2 thoughts on “Entre Dois Mundos.

  1. O ir, o ficar, o ter ido mais tarde, prá quem foi, na hora que foi é, muitas vezes, tvz na maioria delas, inconcluso sobre se o momento em que as coisas se deram foram realmente o melhor, posto que aconteceram como aconteceram.

    Fui prá São Paulo em 86 e foi ótimo. Dá prá ter certeza que foi a melhor coisa que eu fiz, naquele momento, com toda a saudade e os bodes que me batiam naquela mão.

    Voltei em 94, tvz por conclusões, à época, um tanto subjetivas e até hoje me remoe, em certo sentido, se foi o melhor que teria a fazer naquele momento.

    Dúvidas, dúvidas, existencialismos, “ses”…

    Abraço!

  2. …Mas o que vale são as emoçoes vividas, como a emoção de ter esse tio amado na mesa do meu café da manhã e recebe-lo com um café quentinho e um abraço longo e apertado te falando o quanto estou com saudades de você.

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