Tanto Mar – 40 Anos da Revolução dos Cravos

As imagens da vitoriosa Revolução dos Cravos em Portugal
As imagens da vitoriosa Revolução dos Cravos em Portugal

“Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim”

Quarenta anos da Revolução dos Cravos, que libertou Portugal do fascismo, a nossa comemoração, na música da sexta, é justamente a bela canção de Chico Buarque, a extrema sensibilidade do poeta que traduziu todo o glorioso momento com versos sublimes, com a exatidão de cada palavra, assim colocadas, para que nada ficasse fora, o júbilo da vitória além mar, contrastando com a Ditadura aqui presente.

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente alguma flor
No teu jardim

Juntos comemorando, mesmo com a distância a nos separar, as nossas origens comuns falando mais alto, nossos sentimentos de liberdade e voz presa.

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Portugal alegre, feliz, esperançosa e nós aqui doentes, mas solidários com a festa do povo que acabara de derrubar uma longa ditadura, caminho longo que ainda seguiríamos distante, apenas nos restava comemorar o outro lado do mar, havia tanto mar, mas alma lusitana transbordando de felicidade nos iluminava, na nossa dor.

Lá faz primavera pá
Cá estou doente
Manda urgentemente algum cheirinho
De alecrim

Hoje, continuamos desssincronizados, Portugal navegando doente, açoitada pela Troika, refletindo sobre os males dos últimos anos, lutando para não desabar. Aqui, do lado de cá, estamos nos mantendo, altivos, mas preocupados com os nossos irmãos, nossos pais de origem. Então cantemos Chico para que novos Cravos e flores voltem na primavera.

Obviamente a canção sofreu a censura, foi proibida, depois com as mudanças dos rumos da revolução, Chico, refaz a letra, não menos genial, mas comovente a dor pelos desvios.

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
n’algum canto de jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, como é preciso, 
Navegar, navegar

Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente 
algum cheirinho de alecrim

Ouçamos as histórias e as versões da música, pelo próprio Chico Buarque.

Tanto Mar 1ª e 2ª Versão + Entrevista com Chico Buarque

Imagem de Amostra do You Tube

Fado Tropical (Chico Buarque)

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