Nokia – A Morte de um Ícone

 

Nokia Lumia - Literalmente apagou as "luzes".
Nokia Lumia -Windows phone, literalmente apagou as “luzes” da empresa.

“Deixai toda esperança, ó vós que entrais” ( Dante – A Divina Comédia – Inferno)

Pouco mais de três meses atrás escrevi um sobre a quarta geração de celulares (4G e as Gerações da Telefonia Celular) que está chegando ao mundo e no Brasil também e lá rapidamente tracei um quadro dos últimos 20 anos de desenvolvimento da telefonia celular, neste particular, pus a Nokia como a empresa mais importante da segunda geração e a Motorola da primeira geração. Na terceira geração Samsung e Apple desbancaram a Nokia. Assim descrevi:

“O estouro da bolha de telecomunicações/Internet em 2000 atrasou em pelo menos quatro anos o lançamento das redes de Terceira Geração (3G), e o pior, com a crise generalizada dos EUA e Europa, a Quarta Geração, também sofreu longo atraso. Em parte a briga tecnológica entre GSM x CDMA se resolveu com a adoção majoritária do WCDMA (Wide-Band Code-Division Multiple Access) como padrão, o GMS virou a rede de “voz” e “serviços” e o método de espectro de frequência e dados, o CDMA.  Os novos aparelhos são transformados em plataformas de multisserviços, com acesso à internet com plenitude. A capacidade de uso como ferramenta de trabalho dos smartphones foi a grande novidade, neste particular a Apple deu contribuição decisiva com o Iphone e suas telas touchscreen. O sistema android, hoje, maioria do sistema celular, teve na disputa com o IOS (Apple) um impulso para lançar uma gama gigante de aparelhos e modelos, transformando a Samsung a maior empresa de celulares do mundo, suplantando a Nokia, a empresa padrão do 2G”.

Hoje somos informados que a Microsoft comprou a divisão de Celulares da Nokia, mais um duro golpe na mais importante empresa de Celulares da Europa e uma das mais importantes do mundo. Segundo reportagem do UOL,  “a Nokia  que teve uma participação de 40% do mercado de celulares em 2007, agora tem 15%, com uma presença ainda menor em smartphones, de 3%”. A decadência tem sido vista a olhos nus, não apenas na queda vertiginosa nas vendas e na participação do mercado, mas naquilo que a Nokia foi mais importante, na inovação.

Em 2011 a Nokia abandonou a plataforma Symbian e abraçou a nova investida da Microsoft no mundo móvel, o Windows Phone, ali começou a trilhar o caminho da derrocada final, a confiabilidade no produto caiu mais forte, enquanto IOS(Apple) e Android(Google) estão em plena maturidade, o produto da Microsoft está em desenvolvimento sem conseguir apresentar-se como uma boa alternativa. A Nokia acabou se tornando presa fácil, o acordo de pouco mais de 7 bilhões de dólares, não representa 10% do valor que a Nokia teve por volta de 2007, que naquela época rivalizava com marcas como a Coca-cola, a própria Microsoft entre outras.

Engana-se quem pensa que é esta é a primeira vez que a Microsoft tenta entrar no mercado de celulares, na metade dos anos 2000, com a queda da Motorola houve uma aproximação forte e era dado como certo que se uniriam, não aconteceu, a Motorola vendeu sua divisão de celulares recentemente para o Google. Apenas como curiosidade, a Motorola já bem menor que a Nokia foi vendida por quase o dobro desta em maio de 2012, demonstrando como a Microsoft pagou barato pela ainda gigante Nokia. CEO da Nokia, Stephen Elop, é cotado para seu o sucessor de Steve Ballmer, na Microsoft.

A Motorola serviu como consolidação de patentes e preparação de protótipos para plataforma Android, não necessariamente como produto para disputar amplamente o mercado, pois o Google tem nas parcerias com a Samsung, Lg, Huawei, ZTE, Sony e HTC uma ampla gama de multiplicadores de seus Sistema Operacional. A Apple se consolidou com seu único modelo, mas que parece caminhar para uma diversificação com lançamento de aparelhos mais populares, mas tendo o Iphone e Ipads seu carro chefe.

A questão que resta a fazer: Qual o futuro da Nokia? A meu ver, só se uma nova geração revolucionária do Windows Phone for desenvolvida e urgentemente para evitar mais queda da marca, senão em pouco tempo lembraremos-nos do que foi a Nokia, sem mais seus aparelhos como tendência e moda entre nós. É um triste fim de uma época, como disse meu colega de trabalho: “Morreu um ícone”.

One thought on “Nokia – A Morte de um Ícone”

  1. Esse mundo da tecnologia é muito volátil. Quem diria em 2003 que Nokia e Motorola seriam vendidas?
    Não sou fanboy de nenhuma marca. Mas, o fim da Nokia no mercado de celulares é triste.
    Já não vou comprar mais o Lumia 920 que tava pensando.

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