De Manifestante à Pai de Manifestante

Sou Pai de duas adolescentes, a mais velha com quase 16 anos, a outra filha indo para os 12 anos. A mais velha é estudante secundarista e está empolgada com as manifestações pelo Passe Livre. Tem mais de duas semanas que ela me disse: “Pai sou a favor de que ninguém pague passagem de ônibus, Metrô ou Trem”. Perguntei de volta como eles funcionariam sem pagamentos, pois de alguma forma eles serão “pagos”. Ela não soube responder, mas está convicta de que tem que ser gratuito.

Confesso que fiquei muito feliz por ela ter despertado para o que acontece na cidade e no mundo, nem entro no mérito de ser justo ou injusto, o mais importante, em todos os movimentos de ruas, é que despertar o sonho de fazer coisas diferentes do que os governos estão fazendo, também não importa se estes são de Direita ou Esquerda, naturalmente, quem vai às ruas, vai saber conhecer de que lado ficará este é o grande fato libertador, sair e protestar, querer um mundo melhor, mesmo que o Brasil seja efetivamente melhor do que a décadas.

A cada manifestação, minha filha vai acompanhando via redes sociais, mas muito empolgada, na última semana decidiu que quer ir aos próximos protestos, se possível comigo. Ela tem muita coragem, nem ligou para as notícias de que tem riscos, polícia, violência, ela quer se fazer presente. Um justo direito, na idade dela eu já tinha 2 anos de militância no movimento estudantil e tinha participado de tantas manifestações, com este mesmo espírito, nem lembrava dos riscos da ditadura.

As questões em disputas, neste momento, ou a linha mestra dos protestos, os grupos  que se organizam, suas plataformas amplas, ou pequenas, não devem nos preocupar, os ganhos são maiores. Quando nós e nossos filhos estamos em campo (na rua), lá vamos nos diferenciando, pensando e agindo de acordo com o que acreditamos. O maior risco é não participar e não dar chances aos nossos jovens de extravazarem suas angústias e seus sonhos, quem somos nós para julgá-los?

Viva às ruas, abaixo a repressão aos protestos.

6 thoughts on “De Manifestante à Pai de Manifestante”

  1. Parabéns, meu caro, aqui em casa, a Camille, filha da Veca/Hélade, está na mesma empolgação, tem 14 anos, achou o ato “Fortaleza Apavorada” demasiado burguês, sem propósito e extremamente “fascista e preconceituoso” (rsrs). Quer ir as ruas, quer ir hoje em solidariedade aos manifestantes de SP e RJ e quer ir na quarta, quando a seleção joga no castelão. Aí mora o medo, Veca está tensa! rs.. Abraços! Estarei aqui em todas as manifestações e acho que a Camille (mile) irá pra algumas.

  2. Pois é, Arnóbio, este despertar da garotada tem que acontecer sempre. As direções do movimento são confusas? São! Não há lideranças fortes? É verdade! A moçada pode ser aproveitada como massa de manobra para a direita? Ou mesmo cooptada? Pode! E daí? Não vão para as ruas por causa disso? Cabe a nós estarmos sempre discutindo com eles – como você faz com a Lê – de forma franca e amorosa, procurando ver o que está acontecendo, em todos os seus aspectos, além de mostrar, é claro, os riscos envolvidos e a necessidade de se proteger. Mas sempre dando força, nunca inibindo esta chama forte, poderosa, de mobilização. O que os leva a participar é um sentimento sincero de indignação, mais a necessidade de estar ali onde as coisas estão acontecendo, junto com os seus. Eles nunca se esquecerão desta sensação maravilhosa de estar participando de um movimento. Um beijão para as meninas.

  3. Meus filhos vão à manifestação. Já decidem que rumos devem tomar. Vejo-me neles – nos protestos e na indignação. Parece que, pais, fizemos um bom trabalho, não é, Arnobio?

  4. Arnobio, vendo essa garotada nas ruas é muito caro para nós. Num primeiro momento assistindo pela TV a absurda repressão cometida pela PM de Alckmin na semana passada remeti-me ao final dos anos 70 quando militava em uma tendência comunista e tive o meu batismo de gás lacrimogêneo.
    . E pensei é.. Valeu a pena a luta para ver nossos filhos, sobrinhos e nós mesmos nos manifestando livremente.

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