#Vemprarua, para Ouvir e Debater

 

Manifestação Contra Aumento dos Transportes, Praça da Sé. 18 de Junho – Foto- Arnobio Rocha

Devido à repressão violenta nas primeiras manifestações o movimento explodiu, cresceu e se expandiu com muita mais dispersão política, o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Estive ontem na Praça da Sé, com minha filha de 15 anos, a pedido dela (De Manifestante à Pai de Manifestante) e ela toda feliz por estar ali fazendo “história”, era o que ela e seus amigos diziam no Facebook: estamos indo protestar contra aumentos e pela Tarifa Zero, mas principalmente porque achamos que entraremos para os livros de história. Este é um dado muito interessante, que já bagunça minha cabeça, cheia de conceitos formais.

O que vi, ali na Praça da Sé, me impressionou, a maioria era de garotos e garotas muito jovens, com celulares batendo foto e postando nas redes sociais. O mais incrível é que não havia nenhuma coordenação política, carros de sons, ou megafone. A única palavra de ordem que unia a todos era contra aumento. É um movimento indócil cujo detonador foram os aumentos das passagens. Há uma revolta natural contra o poder, mesmo sem saber bem os motivos dela, há muitas informações errôneas nas redes sociais, mas o mais importante é que ninguém quer mais ficar no sofá, resolveram vir para as ruas, a mãe de todas as consciências.

Nenhum governo era poupado nos xingamentos, mas nada era unanimidade, percebia-se que algumas caras mais velhas tentavam puxar o coro e as palavras de ordens mais politizadas, mas era em vão. Uma parte do movimento foi para sede da prefeitura de São Paulo confrontar Haddad, inclusive com quebra-quebra, mas esta foi uma parte minúscula, com suspeitas de infiltrados e agentes provocadores. A imensa maioria seguiu da Sé para Paulista. Uma espécie de “São Silvestre”. Ali vi de tudo, o que os move é o desejo de fazer diferente, nisto reside à energia. Tem que se ouvir e captar as milhares de pautas das ruas.

Este movimento precisa de respostas concretas, nada de meias medidas, de palavras cheias de “responsabilidades”, como as de Haddad, até justificáveis, pois acabou de assumir a prefeitura, depois de 8 anos de caos administrativo de Serra-Kassab, inclusive com a demagogia de não se ter reajustado as passagens de ônibus no ano passado, repassando os custos para a nova gestão. Mesmo sabendo de tudo isto é preciso recuar nos aumentos dos transportes, Haddad em particular, mas não apenas ele, as tarifas ônibus de sua responsabilidade, mas também as de  trens e metrô de responsabilidade de Alckmin. Só assim se abrirá o diálogo e poderá se separar o joio do trigo.

As nossas velhas fórmulas devem ser revistas senão seremos ignorados solenemente e nem abriremos diálogo, este é o risco da acomodação de se ficar no governo sem se preocupar com o que acontece nas ruas. Há movimentos paralelos que vão tensionar rumo ao confronto para dar sensação de caos, são os mesmos golpistas de antanho, já perceberam ques via votos, urnas, não vencerão, então fiquemos atentos. Até na CBN o insuspeito Juca Kfouri, um crítico contumaz dos governos petistas falou diretamente que a depredação da prefeitura de SP é coisa armada por golpistas.

Outro risco, de não se ouvir o que está acontecendo,  e de  não se inserir nos debates é de repente surgir um Beppe (Bicho) Grilo com suas máximas tacanhas e galvaniza o movimento à direita burlesca. Ou aparecer um 15M, que capitalizou o movimento de indignados na Espanha e o sua pregação de abstenção e contra Partidos, que deu a vitória esmagadora à extrema-direita de Rajoy, que hoje governa com mão de ferro e piorou imensamente todos os índices sociais do país. As conquistas dos últimos 11 anos, com um país mais equilibrado, mas bem longe do ideal, não pode ser perdido pela inabilidade de nossas lideranças.

Minha conclusão é óbvia: ou a esquerda vai ao movimento, ou facilitará sua cooptação pela direita… Não tem jeito, não há vácuo em política.

3 thoughts on “#Vemprarua, para Ouvir e Debater”

  1. Arnóbio Rocha vc tocou no ponto crucial, será que é tão difícil entender isso? Também fui questionada por meus filhos, de 16 e 15 anos, se não iria para as ruas, já que sempre defendi essa causa, me manifestando nas ruas em outras oportunidades! E eu que tanto afirmei que a força está com o povo, não poderia me furtar a essa convocação! Estive lá, ontem, desde a Sé até a Av. Paulista, com meus filhos, e foi exatamente essas constatações que fiz, como você sabiamente expressou em palavras!

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