Crise 2.0: EuroRrecessão

 

Aparente calmaria na sede do Euro – Foto: RTP

 

As duras demonstração de força dos Estados da UE frente à greve geral, não conseguiu diminuir a disposição dos trabalhadores europeus ( Crise 2.0: #14N e a Luta de Classes na UE ), entretanto, a realidade da economia é mais forte do que os Robocops dos governos fantoches locais, controlados pela Troika. Aqui, na série sobre a Crise 2.0, um olho estava nas lutas e outro nos números que indicam nova recessão na Zona do Euro. Mesmo com todas as políticas de “salvamento” da Troika, os resultados são pífios, levam à UE ao abismo. O título do post é o mesmo da coluna de Celso Ming, no Estadão de ontem,  sintetiza bem, o momento, a corruptela acima.

Na última semana o relatório do Comissariado de Economia e Finanças da UE, já apontava para novos e ruins números, uma revisão constante a cada reunião,  escrevemos no artigo Crise 2.0: UE – Buraco Sem Fundo , que “O relatório da UE é pessimista, no geral, sobre 2013, apontando um “crescimento” de 0.1%, com a expectativa de que em 2014 seja de 1,4%, números pobres demais para uma Crise que já perdura, na UE, os 5 anos, pois, a superprodução de capitais se deu em 2007, um pequeno hiato em relação aos EUA, que teve seu ápice em 2005. São longos anos, que fez o encanto do Euro se quebrar, aquela leva de festas, de que agora a Europa iria dominar o mundo, começou a despencar, com uma desagregação social, Econômica e política. O clima de ajuda mútua pragada pelos idealizadores da UE foi substituída pelo autoritarismo das relações internas, imposições por parte da Alemanha de sanções e sacrifícios inimagináveis aos “cidadãos iguais” do bloco”.

Ontem, um dia após o vigoroso #14N, o Eurostat ( o IBGE deles) divulgou os números do 3º trimestre da UE e realmente confirma o pessimismo do comissariado economia, 2012 representa mais um ano de recessão, como bem expõe Celso Ming  que diz que “os especialistas em Macroeconomia identificam como estado de recessão, ou seja, situação de retração da atividade econômica, da produção e da renda. Pior que tudo, não há nenhum sinal claro de saída da crise – o que, provavelmente, é ainda mais desanimador. Os analistas são unânimes em dizer que essa crise dura pelo menos mais dois ou três anos”. (Grifo nosso, Estadão 15/11/2012).

Ming é mais otimista de que Merkel, que prevê mais 5 anos de crise( Crise 2.0: Mais 5 Anos de Crise ), o fato é que, independente do tempo, os próprios articulistas, com Ming, estão desolados, o liberalismo perdeu, leiamos sua coluna, uma aula, um contorcionismo de dar dó. “Mesmo com ampla ajuda do Estado do bem-estar social, que proporciona seguro-desemprego, atendimento de saúde e educação básica, por toda parte na Europa irrompem protestos contra a imposição de um regime de sacrifícios insuportáveis”. (Uma meia-verdade, há muito se ataca o estado de bem-estar social).

Ele prossegue a cantilena liberal “Há 236 anos foi editada pela primeira vez a obra fundamental de Adam Smith, A Riqueza das Nações. Com ela, foi colocado em marcha um processo de obtenção de conhecimentos sistemáticos de Economia Política. De lá para cá, tanto economistas como políticos passaram a ter à sua disposição enorme acervo de experiências e de práticas que ajudam a enfrentar um panorama como o de hoje. Mas os governos da Europa não têm obtido um ajuste rápido para a atual situação”. ( Será que não é o modelo de ajustes que está errado, Celso?)

Diz mais, a contragosto, que “já são mais de quatro anos de crise, com muitos projetos e discursos destinados a chamar à atenção e a dar prioridade ao avanço econômico, e, no entanto, tudo o que se tem conseguido é apertar e reapertar os cintos e distribuir a conta para a população. Vêm-se pagando os estragos com perda de renda e desemprego”.  Ming aproveita para dá um pau na esquerda francesa “O presidente da França, François Hollande, por exemplo, baseou sua campanha eleitoral deste ano no crescimento econômico e, no entanto, tem colhido avanços ligeiramente acima de zero. O do terceiro trimestre foi de somente 0,2%”.

Por fim, faz um diagnóstico que estamos de acordo “A atual crise é cruel principalmente para o trabalhador e para o consumidor de classe média. A partilha de uma moeda comum, o euro, impede o ajuste baseado na desvalorização das moedas nacionais – algo que amorteceria a dor do processo de derrubada de salários e aposentadorias. O ajuste agora tem de vir sem anestesia”. A situação mudou radicalmente, o triunfalismo e euforia dão lugar ao desolamento e revolta.

Num exercício interessante, sobre alternativas, Celso aponta para os Estados Unidos da Europa, algo que já debatemos em setembro de 2011, mas que voltou a ganhar força recentemente, leiamos: “Poderia ter sido e ser diferente? Sempre poderia. Mas uma solução menos dolorosa teria que ser alcançada mediante a costura de um amplo acordo político que permitisse a unificação dos orçamentos (união fiscal) e transferências de recursos entre membros do bloco. Ou seja, a recuperação da área do euro teria sido mais fácil se o bloco inteiro convergisse para uma unidade política, o que pressupõe delegação (e perda) de soberania. Seria um passo que restabeleceria a confiança e mobilizaria os capitais necessários para financiar boa parte dos atuais rombos orçamentários. Na falta desse superacordo, sobra o sacrifício – e o esperneio que se vê nas capitais da Europa”.

O tempo passa rápido, ou se faz uma nova partilha na Europa, com Alemanha abrindo mão de seus Hiper superávits, ou se vai a um processo de esfacelamento, o aparato repressivo não dará conta da revolta, uma guerra civil, ou várias, não está descartada, se não se muda os rumos atuais.

 

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