Crise 2.0: UE – De Cúpula em Cúpula

 

 

Rajoy e Merkel - Nem a Direita se entende mais - Foto: EFE

Mais uma reunião de cúpula da UE em Bruxelas e muitas expectativas sobre as velhas questões que se avolumam, é  a quarta reunião desde 2011, quando Grécia e Espanha entraram em espiral de queda. Por uma coincidência esta série sobre a crise, ganhou força justamente com os artigos sobre a reunião de Setembro do ano passado, aquela que Merkel e Sarkhozy demitiram Papandreou, o primeiro ministro grego e impuseram um capacho ligado ao Goldman Sachs, Papademos. Dali, o Crise 2.0, cresceu e vem acompanhando com mais interesses estes encontros.

 

Li vários jornais europeus sobre a reunião e, mais uma vez o El País, consegue colocar a questão no seu devido lugar, a matéria ” Cinco Chaves para reunião”, é um primor, desde o título até as matérias internas, com propriedade diz que o Resgate da Espanha é o centro do debate sendo ele uma e principal chave do Encontro de líderes. Vejamos o que dizem: “A UE, com seu exército de 15 mil eurocratas e lobistas que pululam em torno das instituições, deixou definitivamente ser chato em 9 de maio de 2010 e, em seguida, tornou-se o alvo dessa maldição chinesa: “Que você viva em tempos interessantes” . Naquele dia (e da noite) começou a primeiro das 25 de cúpula para salvar a zona do euro a partir de uma crise que começou como uma pedra no sapato-Grécia, 2,5% do PIB da zona euro, e foi ampliado para engolir a Irlanda , Portugal e Espanha, que já foram resgatados e pôr em perigo a zona do euro. O  XXVI Episódio XXVI desta  corrida para salvar o euro vem em meio a um oásis (ou uma miragem, vamos ver): os mercados estão calmos, por uma vez parece não querer mais problemas, e na reunião de Chefes de Estado e de Governo impor um impasse , um olhar longe esperando por você nas próximas semanas para esclarecer o futuro imediato da Grécia e do segundo resgate da Espanha, os dois grandes elefantes na sala, todo ver o mundo, mas ninguém quer falar”.

 

Didaticamente o jornal divide em 5 pontos as questões : 1 )  Espanha – Esperando Rajoy – os analistas acham que o segundo resgate será pedido ainda outubro, mas Rajoy tenta despistar, é o jogo de quem vai piscar primeiro: Troika ou Espanha;  2) Grécia – O rapto da Europa, a sorte da Grécia seria definida depois de mais um acordo coma Troika, dando mais uns anos para que ela se adapte às regras do déficit fiscal da UE; 3) A União Bancária – questão já discutida em Junho, mas sem um cronograma, lembro que Setembro de 2011 aprovaram a União Fiscal, que até agora não deu em nada; 4) O longo prazo, as relações internas da UE, com a mudança de liderança e o crescente isolamento da Alemanha, os riscos de uma ruptura no seio da burocracia; 5)  Paris x Berlim – decorre da questão anterior, com a chegada de Hollande houve um novo equilíbrio, mas Berlim passará por eleições no próximo ano, o que pode mudar mais uma vez.

 

A conclusão é melancólica do El País: “Na reunião de Junho, com a máxima tensão nos mercados parecia optar por uma conjugação de esforços e mutualização dos prejuízos. Mas depois ele voltou atrás, e na reunião de hoje tende a deixar as coisas como elas estão, com alterações mínimas além de deixar o BCE entra em cena. E a Espanha -Sempre a Espanha- tem que se desculpar e pedir o resgate, é claro”.

Greve Geral na Grécia contra Planos da Troika - Foto: El País

Parece claro que a questão da Espanha é que vai prevalecer, o FMI comunicou ontem que estava oferecendo ajuda para um resgate da Espanha e Itália, como forma de facilitar as negociações, o que enfureceu Monti. A lógica é explícita, depois da “queda” espanhola, a Itália entra em foco, o FMI apenas se anteciparia, mas ainda tem que vencer a resistência espanhola em pedir o resgate, pois Rajoy sabe o seu significado, o governo local passa a ser mera figura decorativa, a soberania acaba de vez, todo poder passar às mãos da Troika, assim como acontece em Portugal, Irlanda e Grécia.

 

O ambiente externo à cúpula é de tensão, na Espanha a greve de três dias, dos estudantes secundarista, hoje recebe a adesão dos pais aos protestos. Na terça próxima, 23 de Outubro, o #25S , convocou mais uma vez o cerco ao parlamento, pois entrará em votação o orçamento 2013, com mais cortes e ajustes indicados pela Troika no seu Plano de Austeridade. Na Grécia, também hoje, começa uma nova Greve Geral, a segunda contra o governo eleito em junho, em menos de mês. Ontem uma grande manifestação de Advogados e Médicos, em Atenas foi duramente reprimida.

 

E pensar que a bem pouco tempo diziam que a Luta de Classes tinha acabado…Sigamos!!!

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