Eric Hobsbawm e a História

 

Hobsbawm - a história vista com rigor e classe

Começamos segunda-feira  e o primeiro dia de outubro com uma nota triste, faleceu Eric Hobsbawm, o maior intelectual marxista do século XX, historiador, conferencista e grande escritor, estava com 95 anos de idade, tendo cumprido uma longa jornada de vida com brilhantismo e reconhecimento mundial. Hobsbawm, nasceu em Alexandira, Egito, numa família de judeus, em 1917, logo se mudou para Europa, vivendo em Viena e Berlim, até se fixa em Londres.

 

Ainda muito jovem se tornou militante do Partido Comunista Britânico, em 1936, o que marcará sua opção intelectual, se torna professor e posteriormente presidente Universidade de Birkbeck. A sua influência mundial se dará no início dos anos 60 quando começou a publicar suas obras sobre história e movimentos sociais, uma visão marcadamente marxista com rigor e precisão. Seus livros passam a ter grande apelo no seio da esquerda mundial, a despeito das crises do leste e sua queda.

 

O mais marcante destes livros, foi a “Era dos Extremos”, pois traz ao debate a Revolução, desenvolvimento e a queda do “socialismo real”, um panorama completo, das lutas e vitórias dos trabalhadores, até a derrocada final, passando pelo burocratismo e a guerra. A crítica rigorosa, a escrita apaixonante, se sucede tornando o acesso mais fácil aos seus livros. Uma figura que conseguia levar centenas de pessoas aos auditórios de debates e palestras, como na FLIP de 2003, em Paraty, que foi convidado especial.

 

Numa entrevista ao jornal Pagina 12( Argentina), em janeiro de 2011, ele falou do Brasil, em especial de Lula, de sua importância histórica, que ela assim definiu com extrema precisão:(lula)”É o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. No Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por eles”. Depois diz mais em abril de 2011, numa reunião com Lula em Londres: “Lula ajudou a mudar o equilíbrio do mundo ao trazer os países em desenvolvimento para o centro das coisas”. Este olhar cirúrgico que muitas vezes falta-nos, nós que militamos à esquerda.

 

Depois da morte de Robert Kurz (Robert Kurz, Presente! ), recentemente, agora se vai Hobsbawm, a esquerda fica mais pobre intelectualmente, o vazio destes dois gigantes é difícil de ser preenchido. Neste momento que precisamos de forma urgente e desesperada de inteligência, rigor, criatividade e análises lúcidas da sociedade em ebulição com a Crise e com os novos atores no mundo, o Brasil em particular, temos estas duras baixas.

0 thoughts on “Eric Hobsbawm e a História”

  1. Republiquei este texto do Arnobio no meu Blog com a seguitnte introdução: O texto que publico abaixo é do Arnobio Rocha. Mas ao título aqui do Post acrescentei o “A esquerda que pensa e elabora, está de luto! Por que tem uma parte significativa da esquerda que não consegue elaboar para além do seu ridiculoe doentio radicalismo, aos olhos do qual, todos os adversários são iguais. Nos discursos do PSOL e do PSTU por exemplo, Lula e FHC parecem representar o mesmo projeto. “esquerdismo, a doença infantil do comunismo diria Lenin”. Já para outros, que militam nas hostes do PT, sentados nas agradáveis cadeiras do poder, a estes parece faltar a vontade de elaborar para além do “estado do bem estar social” , cuja construção ocmeçou com a eleição de Lula, mas que empaca justamente na falta de disposição do PT de avançar na elaboração, para além das disputas eleitorais, que de meros episódios táticos, parecem ter virado a estratégia da direção. Aprendí muito lendo Eric Hobsbawm. é uma perda para a esquerda, mas natural, por que as pessoas se vão. É bom que nestes momentos a gente reflita, e pressiona para que este Partido da Classe Trabalhadora, que erguemos a tão duras penas, e que é referência mundial, não sucumba aos cantos de sereia do poder da classe dominante. Por isto, se por um lado perdemos um historiador de peso, apesar dito ainda tem muita gente elaborando textos que servem para o bom debate necessário para a construção permanente da utopia e o Blog do Arnóbio Rocha faz exatamente isto, mas tendo a disposição este importante isntrumento tecnológico, que Hobsbawm e a esquerda dos séculos anteriores não tiveram.

  2. Muito bom, Arnóbio! Todas as homenagens aos nosso grande ideólogo, o intelectual marxista mais atacado de todos os tempos e que, mesmo assim, jamais recuou em suas convicções — talvez porque tenha sido um questionador honesto de dogmas e “verdades imutáveis”. Sugiro aqui dois modestos posts do meu “ex-blog” (eca!): Marx, o espectro que (ainda) ronda o mundo, em http://zumbaiazumbi.blogspot.com.br/2008/09/gente-meu-guru-canadense-diz-que.html –, e “Novo Hobsbawm para os perturbados de sempre”, em http://zumbaiazumbi.blogspot.com.br/2011/02/novo-hobsbawm-para-os-velhos.html

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