Crise 2.0: Alemanha – Força e Limites do Capital

 

Sede do Poder Alemão - Cúpula do Reichtag - Foto Wikipedia

 

“nesta mansão das perenais delícias,

aqui onde o poder que vive eterno

e eternamente cria, vos enlaça

com vínculos de amor indissolúveis”. ( Fausto – Goethe)

 

Ontem, num dia de Domingo, escrevi aqui na série Crise 2.0, o que não é muito comum, mas na verdade foi uma parte da reflexão sobre a Alemanha, porque ela é tão forte, ao mesmo tempo que seus demais parceiros caem, como tem pelo menos uns 15 artigos dedicados exclusivamente ao país, precisava de um que desse a visão geral, que mostrasse as contradições do Euro e a hegemonia alemã, em números, claros e objetivos.

 

O post Crise 2.0: O (não)Mistério da Força Alemã, respondeu a esta demanda. Mas hoje temos duas questões que são contraditórias a este poderio alemão, um que o confirma de forma irresistível seu poder de atração de capitais, o outro o limite do próprio Euro, o risco de uma crise bancária generalizada, que inclusive pega os bancos alemães em cheio, visto que eles, mais ou da França, foram os grandes financiadores da expansão do Euro, com os países em crise, com grande inadimplência, os pagamentos das dívidas secaram, apena na Grécia, os bancos franceses podem perder 50 bilhões de Euros, ou da Alemanha quase 60 bilhões, os bancos dos dois países detinham 66% das dívidas gregas.

 

A primeira notícia que confirma a força e o poder de atração da Alemanha, no fim do ano passado ela já emitia títulos de sua dívida com juros negativos, descontada a inflação, com validade de um ano. Na sexta o Financial Times traz reportagem que informa que os títulos de 2 anos da Alemanha estão negativos pela primeira vez: “Rendimento dos títulos da Alemanha de dois anos tornou-se negativo pela primeira vez, e os custos de Berlim de empréstimos de 30 anos  caiu abaixo dos do Japão, os investidores buscaram refúgio em ativos mais seguros da Europa sobre a preocupação que os políticos foram incapazes ou não para conter crise  da dívida na região”.

 

O que bem observa Silvio Guerra Crespo, no Estadão:  “Os investidores aceitam comprar títulos alemães mesmo sabendo que vão perder poder de compra porque temem que, em outros países, o prejuízo seja maior. Ao mesmo tempo em que os papéis alemães reduzem os juros, aqueles emitidos por nações da chamada periferia europeia aumentam. A situação se agravou recentemente porque o banco espanhol Bankia, terceiro maior de seu país, anunciou que precisará de uma ajuda pública de 19 bilhões de euros, mas o fundo do governo que poderia resgatá-lo tem apenas 9 bilhões”.

 

Mas por outro lado o governo alemão, sabe que a antiga lógica de exportação de capitais, que consistia numa equação simples: 1) Governo faz acordo comercias, por exemplo, em Telecomunicações com a Grécia; 2) A Siemens, empresa alemã, oferta os produtos daquele acordo;3) Um banco alemão “financia” a venda; Em tese o dinheiro nem saí do país, mas a remuneração aos empréstimo e o pagamento ficam por conta do governo e/ou empresa grega que adquiriu os produtos, a Alemanha ganha nas duas pontas do negócio. Porém com a imensa crise, a inadimplência começa a quebrar o “negócio”.

 

Hoje Celso Ming se mostra preocupado, com a situação, falando da situação geral dos bancos na Europa, ele diz  : “O mais urgente é tomar decisões que garantam a sustentação do sistema financeiro. Se um único grande banco afundar, será muito difícil evitar a desestruturação desordenada de toda a área do euro. Foi esse quadro que levou o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, a advertir na quinta-feira que a estrutura do euro está ficando insustentável. Essa é, por si só, uma declaração grave demais, feita pelo principal guardião da moeda. E ele fez também a mais contundente crítica à letargia das autoridades do euro desde sua posse em novembro. Afirmou que as meias medidas e os adiamentos sucessivos de decisões por parte dos chefes de governo vêm agravando a situação”.

 

Depois, amiúde, fala dos bancos alemães:  Sexta-feira, os bancos da Alemanha rejeitaram todas as propostas na direção de uma centralização da atividade financeira e da criação de esquemas conjuntos de garantias bancárias, destinadas a evitar a corrida aos depósitos e o colapso do sistema financeiro da área. Mas parece inevitável que sejam tomadas atitudes que acelerem a recapitalização dos bancos mais expostos, que protejam os correntistas e que garantam supervisão bancária centralizada que se sobreponha à dos organismos nacionais encarregados dessa função.

 

Por fim, momento de humor, seu coração liberal fala mais alto, escorreu uma lágrima:  “Os bancos são instituições frágeis. Tomam emprestado a curto prazo e reemprestam os mesmos recursos a longo prazo. Uma forte anomalia, como a quebra de um elo do sistema, pode provocar uma catástrofe. Se esse início de corrida aos bancos não for imediatamente estancado, pouco adiantarão providências destinadas somente a tirar a economia da recessão”. (Grifo nosso)

 

A força da Alemanha pode encontrar limite numa crise bancária ou numa queda completa da Espanha, mas por enquanto ela dá as cartas, tem sempre a melhor “mão”.

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