Crise 2.0: EUA na vanguarda

 

 

 

Temos debatido, mesmo que de forma restrita, com alguns leitores da Série Crise 2.0 quais as saídas que o Capital gesta e que tipo de realidade se desenha. Particularmente, insisto na questão de que a Crise não é terminal, ou permanente, rompendo com as concepções mais em voga. Também coloco em relevo a necessidade de voltarmos ao velho Marx para entender a dinâmica que o Capital tem, desde a forma simples à ampliada. Muitas vezes nos falta o fundamental: Conhecer de forma mais profunda a teoria.

O roteiro de leitura da série publicado no post Crise 2.0: Roteiros de Leitura, ajuda a trazer mais gente para este debate, claro que aqui não há verdades definitivas, mas essencialmente uma busca de entender o que se passa no mundo, é uma forma de contribuir, com minha visão, para que a esquerda volte a produzir teoria, possa gestar alternativas e se antecipe aos fatos que o Capital nos mostra.

Elenquei os pontos de retorno que o Capital preparou para este novo ciclo, relembrando o post Crise 2.0: Quando surge a Crise? nas sua conclusões:

 

1) O patamar de partida, pelo menos dos EUA são os preços de 2005, o que concluímos que a queima de forças produtivas foi de cerca de 1/3 da economia. Voltamos ao jogo com 9,1% de desemprego(número máximo)nos EUA com salários achatados em mais de 25%. É daqui que se parte.

2) A Europa, exceto Alemanha e em função dela, passa por um profundo ajuste, uma queda real, que deve ser similar ao que aconteceu nos EUA, alguns países até maior a queima de forças produtivas, pois viviam um padrão econômico irreal, sustentado por uma moeda forte;

3) Os BRICS são a novidade deste novo ciclo, mas algumas preocupações graves se apresentam, o mesmo Capital que anima a economia do Brasil, por exemplo, é o mesmo que suga as taxas de lucros locais, as empresas estrangeiras mandando divisas para matrizes, uma espécie de “swap” a estes dólares que entram;

 

 

Saída “Made in USA”

 

 

Cada dia mais as coisas vão ficando mais claras, o alerta do Sergio Rauber sobre a função do FED/BCE foi providencial, hoje a coluna de José Paulo Kupfer traz dados importantes sobre a “Saída “Made in USA”:

“Sinais interessantes têm chegado da economia americana. Números da criação líquida de postos de trabalho, nos Estados Unidos, registram taxas positivas, mês após mês, sobretudo desde o último trimestre de 2011, sempre acima das expectativas dos analistas. As estatísticas de janeiro surpreenderam ainda mais.

Depois de revisado, o total líquido de vagas abertas evoluiu de 157 mil, em novembro, e 203 mil, em dezembro, para 243 mil, em janeiro de 2012. A criação de novos empregos refletiu na taxa de desemprego. Ela vem caindo também mês a mês. Em janeiro, desceu a 8,3%, o menor índice em três anos”.

 

Este é o sinal mais evidente de saída da Crise, porém é preciso entender os mecanismos usados para conseguir este intento, para Kupfer são dois:

 

“A receita da saída “made in USA” da crise é clássica e se apoia em duas pernas. Uma delas é o afrouxamento monetário, usado para sustentar o setor financeiro, mas também para reduzir os custos de produzir e, mais do que tudo, desvalorizar o dólar e, assim, impulsionar exportações. A outra é uma política fiscal se não expansionista, pelo menos não contracionista.

O déficit do governo, no ano fiscal de 2011, que se encerrou em 30 de setembro do ano passado, subiu ligeiramente em relação a 2010, para US$ 1,3 trilhão, mantendo-se nas vizinhanças de 9% do PIB. É menos do que o pico de 10% do PIB registrado em 2009 – o mais elevado desde 1945 -, mas ainda assim muitíssimo alto e um verdadeiro Himalaia diante das pretensões das lideranças da zona do euro de limitar os déficits dos Tesouros de seus países a 0,5% do PIB.

Cabe, porém, ao esforço exportador a parcela mais expressiva da fórmula americana da retomada. Há exatamente dois anos, no discurso sobre o estado da União, o presidente Barack Obama espantou os analistas com o lançamento do desafio de dobrar o volume das exportações em cinco anos, levando-as, em 2015, a superar US$ 3 trilhões. A maior surpresa dessa história é que está funcionando. No ano passado, as exportações cresceram 16% e superaram US$ 2 trilhões. Mantido o ritmo, a meta será atingida com folga”.

( Coluna do Estado de S. Paulo, 07/02/2012)

 

Aqui o pulo do gato dos EUA, ao invés de dois na verdade é um único: Desvalorização do Dólar. Inundando o mundo com seu maior “produto”, sua moeda de fácil conversibilidade, poder de atração e mais ainda garantia de largo comércio.

A política, doutrina de Ben Bernake, salvará o último ano do primeiro mandato de Obama, o que lhe garantirá uma reeleição que a poucos meses parecia improvável. A melhoria da Economia já o levou ao primeiro lugar nas pesquisas de ontem (52 a 43). Apenas para registro, tem um mês que escrevi exatamente isto, Obama vai ser reeleito, apenas um desastre histórico evitará este cenário.

O FED é o executor de um “novo estado”, as antigas ideologias de negação do Estado (liberais, Neo-liberais), se renderam na Crise de 2005, quando ficou nu o deus mercado em 2008, via FED começa a surgir a nova força. Um paralelo aqui com o Brasil é que o executor é o BNDES.

 

 

 

0 thoughts on “Crise 2.0: EUA na vanguarda”

  1. A Ásia anda estável, até o Japão já dá sinais de recuperação, e a crise na Europa fere fundo uns poucos. Se a Europa estivesse bem eles teriam atingido os 3 trilhões. Eles são danados…

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