Crônicas do Japão IX: Tókio II-Harajuku e seus Rebeldes

A desrepressão da juventude japonesa, ou seu momento sublime de rebeldia, era feita em Harajuku, parte Oeste da cidade, local de belos e grandiosos prédios comerciais e vitrines. O conjunto que vai de Yoyogi até Ebisu, neste espaço congrega as grandes vitrines de Shibuya, os prédios gigantes de Shinjuku, é todo muito bonito e vistoso. É o lado oposto à baía de Tókio.

No Harajuku Park você encontra de tudo, menos gente careta. As figuras desfilam uns para os outros os mais estrambóticos vestidos, calças, casacos, sapatos, o mais importante é “causar”. Perfomance aos montes, casais vestidos de roqueiros anos 50, rapaz de costela à Elvis até visuais punks, góticos.

Aqui é o lugar do show, muitas cores, efeitos visuais, ninguém se incomoda com o que ver o exagero, não é exagero, é apenas visual. A música rola solta desde vitrolas fakes com rock de Elvis, ou a cantora J-pop da moda, em 1996, Namie Amuro, uma bela jovem de Okinawa, com seus cabelos amarelados e sua pele morena, um choque na Tókio branquela.

Namie Amuro é um caso à parte, pois venceu o preconceito dos bem nascidos de Tókio contra a rebelde ilha de Okinawa. Quando ela surgiu e estou no J-Pop foi algo grandioso aquela garota de 19 anos criou moda, mudou o mundo fashion, aquela pele bronzeada virou hit, os cabelos descoloridos, as saias curtas e longas botas, tudo isto virou febre para as Netchans (Jovens japonesas). Até hoje ela é vista como fenômeno. Seu estilo foi copiado pelos rapazes com os ídolos de futebol Maezono e outros que adotaram os cabelos descoloridos.

Harajuku respira justamente este jeito deslocado, tolerante, em contraponto a rígida sociedade japonesa. Costumo dizer que os fins de semana do parque é uma espécie de libertação destes jovens. Rebeldes nos fins de semana e doces na semana nas industrias, bancos, escritórios e nas escolas.

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