Ricardo III: "O Trono ou a Morte"

 

 

Tema: Luta pelo Poder, traição e violência

Ó inverno do nosso descontentamento foi convertido agora em glorioso verão por este sol de York, e todas as nuvens que ameaçavam a nossa casa estão enterradas no mais interno fundo do oceano.”

A sentença inicial de Ricardo III irá permear todo o desenrolar de sua luta obstinada pelo poder, que se preparou desde a tenra idade para assumi-lo, alimentando intrigas, bajulando às vezes, seduzindo e fundamentalmente destruindo seus adversários. Envergonhado de sua feiúra irá destilar seu ódio interno em sua luta desesperada pelo poder única fonte de “beleza” que lhe compense sua aparência disforme.

Resumo

Eduardo IV(Casa de York) Rei inglês já velho e dominado pela família de sua mulher, Lady Grey, acredita numa profecia de que um grande “G” o derrubará do trono, manda para prisão seu irmão George achando ser ele o G. Na prisão, George é assassinado a mando do seu outro irmão mais novo,Ricardo, duque de Gloucester. Se sentido culpado Eduardo não resiste e também morre.

O caminho da sucessão esta aberto, o deformado Ricardo assume o protetorado dos sobrinhos ainda criança, legítimos herdeiros. Manda-os para uma torre (prisão) e mata os irmãos de sua cunhada e a difama dizendo que os filhos não são de seu Irmão morto, assim não seria herdeiros.

Assume a coroa como Ricardo III, alegando não haver mais ninguém na linha sucessória além dele mesmo, sanguinário ordena a morte dos sobrinhos na prisão e de todo e qualquer opositor ao seu reinado. Mata a própria esposa para casar com a filha do seu irmão George. No ápice de sua loucura, ele mata um adversário e seduz a viúva em pleno funeral.

Na frança Henrique Richmond parente de Henrique VI(Casa de Lancaster) prepara uma aliança de nobres banidos e perseguidos por Ricardo III, que se unem contras as loucuras e paranóias do Rei. Numa dura guerra civil vence-o tornando-se Henrique VII.

Comentário:

É uma das peças mais violentas de Shakespeare, baseada na história do trono inglês, mas com ingredientes próprios de Shakespeare que cria um dos personagens mais complexo de sua literatura. Ricardo III nasceu prematuro, seus órgãos não estavam todos formados, cresceu feio em suas próprias palavras:

“eu, que privado sou da harmoniosa proporção, erro de formação, obra da natureza enganadora, disforme, inacabado, lançado antes de tempo para este mundo que respira, quando muito meio feito e de tal modo imperfeito e tão fora de estação que os cães me ladram quando passo, coxeando, perto dele.”

Esta mente deformada usa da extrema violência para impor sua vontade e compensar sua feiúra física. Com um discurso sedutor e uma lábia ferina, primeiro põe um irmão contra o outro, passando-se por independente. Vai maquinando vorazmente sua chegada ao poder. A cena da sedução da viúva no funeral do marido que ele assassinara é de uma profundidade sem tamanho.

Shakespeare traça em Ricardo III tudo aquilo que irá realizar em Macbteh, a extrema inteligência do personagem, seu poder de sedução, sua maldade inata, não há o menor pendor ético na sua conduta, é uma peça dura e poética ao mesmo tempo, uma sensação de soco no estomago permanente.

Grandes montagens e filmes foram feitos baseadas em Ricardo III, Hitler é visto como o paradigma dele, Ian McKellen, fez um grande filme adaptado ao momento Nazista inspirado nele. Al Pacino fez outro ensaio/montagem.

Ricardo III,  hoje é um personagem bem vivo entre nós, representado por aqueles que buscam o poder ilimitadamente, que na falta de carisma usam da violência de suas próprias mãos ou por seus vassalos midiáticos.

0 thoughts on “Ricardo III: "O Trono ou a Morte"”

  1. Nós os portugueses,devia-mos preocupar com a nossa história,ela está cheia de lacunas;preocupam-se com a história de outros paises,ou é só para mostrar que sabem umas coisas.

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