Fortaleza, minhas vivências e histórias familiares!


Fortaleza do meu passado e presente

“Eu venho das dunas brancas
Da onde eu queria ficar
Deitando os olhos cansados
Por onde a vida alcançar”
(Terral – Ednardo)

Vir a Fortaleza tem sido uma constante desde a partida de meu pai, em julho de 2016, minha mãe precisa de mais proximidade e cuidados, são nossas boa obrigações e responsabilidades. Ainda com várias vantagens, reencontrar amigos, reestabelecer laços perdidos, nesses 33 anos morando em São Paulo, aqui foi se tornando distante, ano a ano.

Depois da morte de Letícia, em novembro de 2018, abriu-se um enorme vazio existencial para todos nós em casa, todas as incertezas da vida, a perda irreparável, nos abalou profundamente, nos fez cair e ficar quase sem rumos, sem esperança, um baque que até hoje nos cobra um alto preço, de dores e sofrimentos, cada um de nós a seu modo.

O certo é que um ano depois, Luana resolveu tomar o caminho inverso meu e de Mara, mudou-se para Fortaleza, em janeiro de 2020, o que nos fez cada vez mais presentes na cidade. A enorme mudança, cheia de cuidados e medos, foi atravessada pela Pandemia e o isolamento social, o fechamento da faculdade, a perda de oportunidade de se refazer noutra cidade.

A vinda de Luana, ficou um ano aqui, nos fez vir várias vezes e ficar por longos períodos, coisa que nunca tinha acontecido nessas 3 décadas. Claro que numa situação horrível, pois nem os parentes podíamos visitar naquela rotina de isolamento quase absoluto, mas não deixava de ser um prazer reviver a cidade sem a pressa de quando vínhamos de férias, sempre correndo e dias cotados.

Após o retorno de Luana, ainda vim por duas vezes em 2021, coisa rápida, e com a melhora da situação pandêmica, que nos permitiria mais visitas, minha mãe adoece e voltei a vir duas vezes nesse curto espaço de tempo de 2022. A tensão e cuidados com ela, o enorme amor que no envolve, uma certa culpa por morar distante num momento difícil.

Amanhã retorno para casa, as aflições com a volta, as questões aqui deixadas sem solução, ao mesmo tempo que não posso deixar de cumprir as obrigações urgentes de casa, do trabalho e da vida que vivo há tantos anos. Coração apertado, mas é a vida, assim se segue.

Sinto saudades daqui, de casa, as histórias se interpolam, divide e nos junta.

 Save as PDF

Deixe uma resposta

Related Post

À Deriva.À Deriva.

Share this on WhatsApp “Sobre o que tememos e não mais sabemos o que temer, Senão flutuar sobre um mar selvagem e violento, À deriva.” (Macbeth – W. Shakespeare) Uma

%d blogueiros gostam disto: